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8 frases que pessoas muito egoístas costumam dizer sem perceber

Duas pessoas em mesa de café, uma delas aponta para o telemóvel, enquanto a outra escreve num bloco de notas.

“A forma como permitimos que as pessoas nos falem torna-se o guião que elas usam da próxima vez.”

A primeira vez que ouves mesmo uma frase egoísta, raramente vem com a gargalhada de um vilão.
Muitas vezes chega com um encolher de ombros, uma risadinha, às vezes até com um “estás a perceber o que eu quero dizer, não é?”.

Estás num café, na copa do escritório ou no grupo de WhatsApp da família.
Alguém larga uma frase que te deixa um nózinho no estômago.

Sem insulto. Sem gritos.
Apenas uma frase que diz, em silêncio: “As minhas necessidades vêm primeiro. Sempre.”

A maioria das pessoas que diz estas coisas não acorda a pensar: “Hoje vou ser egoísta.”
Sentem-se normais. Razoáveis. Até “sinceras”.

É isso que torna estas frases tão traiçoeiras.
Soam a conversa do dia a dia.

Mas, se ouvires com mais atenção, aparece outra coisa.

1. “Estou só a ser sincero/a” (quando, na verdade, é uma desculpa para ser cruel)

“Estou só a ser sincero/a” costuma cair logo a seguir a um murro verbal.
Um comentário sobre o peso de alguém, a carreira, o parceiro/a, ou a casa.

Quem fala encosta-se para trás, quase orgulhoso/a do seu “discurso direto”.
Enquadra aquilo como uma superioridade moral: a sinceridade acima de tudo.

Na realidade, a frase funciona como um escudo.
Se ficas magoado/a, és “demasiado sensível”.

A parte egoísta não é a sinceridade.
É a recusa em se importar com o que essa “sinceridade” te faz.

Imagina uma reunião de equipa.
A Sofia apresenta um projeto em que trabalhou durante semanas.

O colega Mark resmunga: “Isto está meio confuso. Estou só a ser sincero.”
A sala fica em silêncio. O rosto da Sofia cora.

Depois, quando alguém diz ao Mark que foi duro, ele encolhe os ombros.
“Ela precisava de ouvir. Mais vale ser eu do que o cliente.”

No papel, parece construtivo.
Por dentro, toda a gente sabe que não era para ajudar a Sofia.
Era para o Mark se sentir afiado, superior, sem filtro.

Pessoas egoístas usam muitas vezes “Estou só a ser sincero/a” como um cartão de “saída livre”.
Se reages, dizem que o problema são as tuas emoções, não as palavras deles.

Sinceridade sem empatia é só brutalidade com roupa de boas intenções.
Dizer a verdade a sério dá trabalho: escolher o timing, o tom e o contexto.

Quando alguém insiste em ser “brutalmente sincero/a” o tempo todo, muitas vezes há mais foco no “brutalmente” do que no “sincero/a”.
A frase reescreve, em silêncio, as regras da relação: os teus sentimentos são opcionais, o impulso deles para falar é sagrado.

2. “Estás a exagerar” e a arte silenciosa do gaslighting emocional

“Estás a exagerar” soa a sentença.
Caso encerrado, sentimentos descartados.

Costuma aparecer quando finalmente dizes: “Isso magoou-me” ou “Não gostei disso”.
Em vez de curiosidade, recebes um diagnóstico frio: sentes demasiado.

Num bom dia, faz-te duvidar de ti por um minuto.
Num mau dia, faz-te reescrever toda a memória do que aconteceu.

A viragem egoísta aqui é subtil.
A tua reação torna-se o problema, e o comportamento deles nunca tem de mudar.

Numa tarde de domingo, a Lena diz ao parceiro: “Quando cancelaste os nossos planos à última hora, senti-me pouco importante.”
Ele não pergunta nada. Não faz pausa.

Responde apenas: “Estás a exagerar. Foi só um jantar.”
Conversa terminada, ali mesmo.

A Lena fica calada. Começa a repetir a situação na cabeça.
Será que foi dramática? Carente? Intensa demais?

Uma semana depois, acontece o mesmo.
A mesma frase. O mesmo corte.

Pouco a pouco, deixa de trazer assuntos.
É assim que a frase ganha.

“Estás a exagerar” é um atalho.
Em vez de encarar o desconforto de ter magoado alguém, quem fala inverte o guião.

Logicamente, não faz sentido nenhum.
Ninguém vive dentro do teu sistema nervoso. Ninguém pode medir a tua reação como um termómetro.

O que pessoas egoístas muitas vezes querem dizer é: “A tua reação torna a minha vida menos confortável, e eu não quero lidar com isso.”
Um desacordo saudável soa mais a: “Vejo que ficaste upset, e eu não estava à espera. Podemos perceber o que aconteceu?”

Uma resposta mantém as duas pessoas humanas.
A outra transforma-te num problema a gerir.

3. “Não tenho tempo para isto” e porque tantas vezes significa “não tenho tempo para ti”

O tempo tornou-se a moeda suprema.
Agitamos agendas como escudos.

“Não tenho tempo para isto” soa produtivo, focado, eficiente.
Às vezes é verdade. Prazos existem. Crianças existem. A vida está cheia.

Mas muitas pessoas egoístas usam esta frase menos por causa do horário e mais por causa da prioridade.
Traduzido, muitas vezes sussurra: “O que tu precisas de mim está no fundo da lista.”

Percebe-se pela forma como olham para o telemóvel enquanto falas.
Pela forma como qualquer conversa sobre as tuas necessidades se torna uma interrupção.

Num escritório open space, o Josh hesita ao lado da secretária do chefe.
Está exausto, a dormir mal, a carregar o trabalho de duas pessoas.

“Tem um minuto?” pergunta.
O chefe nem levanta os olhos do ecrã.

“Não tenho mesmo tempo para isto agora.”
O Josh recua, a murmurar: “Na boa.”

Mais tarde, o mesmo chefe passa meia hora a falar alto sobre a equipa de fantasy football.
O tempo aparece, magicamente, para o que ele realmente quer.

O Josh percebe a mensagem: o bem-estar dele é “isto”.
Algo para empurrar para o lado.

Estas seis palavras conseguem cortar conversas sérias antes de começarem.
É eficiente da pior forma.

Claro que ninguém pode estar sempre disponível.
Mas como a frase é usada revela prioridades.

“Não tenho tempo para isto” torna-se profundamente egoísta quando serve para fugir a responsabilidade, conversas difíceis ou ao sofrimento de outra pessoa.
Uma pequena mudança muda tudo: “Agora não consigo dar a isto a atenção que merece - podemos falar às 16h?”

Uma versão apaga a outra pessoa.
A outra diz: tu importas, só não neste segundo exato.

4. “Eu sou assim” - o muro contra a mudança

“Eu sou assim” soa a traço de personalidade, quase como uma frase de horóscopo.
Espontâneo/a. Direto/a. Sempre atrasado/a.

Quando alguém repete isto muitas vezes, deixa de ser descrição e passa a ser arma.
Uma forma de fixar o comportamento em pedra.

Em vez de perguntar “Como posso crescer aqui?”, vai direto para “É pegar ou largar”.
A frase é supercola em maus hábitos.

Exige, em silêncio, que toda a gente se dobre.
E a pessoa fica exatamente onde está.

Numas férias em família, a Anna pede ao irmão para não gozar com o peso do filho dela.
O miúdo tem estado a lutar com isso, a evitar piscinas e fotografias.

O irmão ri-se: “Relaxa. Eu brinco com toda a gente. Eu sou assim.”
Toca com a garrafa de cerveja na dela, como se isso resolvesse.

Mais tarde, a Anna encontra o filho sentado sozinho no quarto.
Não quer voltar a descer.

O irmão continua a ver-se como “o engraçado”.
O custo dessa identidade cai em cima de uma criança que agora detesta a hora do jantar.

“Eu sou assim” muitas vezes esconde uma verdade simples: “Não quero fazer o esforço de mudar.”
Mudar é desconfortável. Implica ego ferido, pedidos de desculpa, tentativas estranhas.

Pessoas egoístas usam esta frase como ponto final em vez de vírgula.
A conversa termina. O crescimento pausa.

Também é estranho do ponto de vista lógico.
Aceitamos crescimento em competências, empregos, moda, gosto musical.

Mas quando se trata de comportamento que magoa os outros, de repente é sagrado e intocável.
Uma versão mais honesta seria: “Tenho sido assim, e é difícil para mim fazer diferente. Podes ajudar-me a trabalhar nisso?”

Como responder quando ouves estas frases (sem te perderes)

Ouvir estas frases egoístas uma vez pode picar.
Ouvi-las repetidamente pode, em silêncio, reprogramar a tua autoestima.

Não precisas de um curso de psicologia para responder.
Precisas de duas ferramentas pequenas: nomear o que está a acontecer e definir um limite.

Nomear soa a: “Quando me dizes que estou a exagerar, sinto-me desvalorizado/a.”
Limites soam a: “Estou disponível para conversar, não para falarem comigo assim.”

Simples, não fácil.
Mas é assim que impedimos estas frases de virarem a banda sonora das nossas relações.

Um erro comum é esperar pelo “momento perfeito” para falar.
Esse momento raramente aparece.

Num comboio, numa cozinha, num parque de estacionamento depois do trabalho - é aí que as conversas reais acontecem.
Sejamos honestos: ninguém faz isto na perfeição todos os dias.

Muitas pessoas oscilam entre o silêncio e a explosão.
Engolem todas as mágoas e, um dia, gritam tudo de uma vez.

Experimenta o caminho do meio: uma frase calma, o mais perto possível do momento em que acontece.
“Não gosto quando te escondes atrás do ‘estou só a ser sincero/a’ para dizer coisas que magoam.”

Não estás a diagnosticá-los como egoístas.
Estás a descrever o impacto em ti.

  • Pratica uma frase que possas dizer quando aparece uma expressão egoísta.
    Algo como: “Não estou bem com esse comentário.”
  • Repara nos sinais do corpo - peito apertado, boca seca, pensamentos acelerados.
    Muitas vezes são o primeiro alarme antes de o cérebro acompanhar.
  • Dá-te permissão para fazer uma pausa.
    “Preciso de um minuto para pensar no que acabaste de dizer.”
  • Fala com um/a amigo/a de confiança sobre padrões que tens notado.
    Olhos de fora veem o que tu normalizaste.
  • Lembra-te de que afastar-te também é uma resposta.
    Nem todas as frases merecem toda a tua energia emocional.

8 frases que pessoas muito egoístas dizem muitas vezes sem se aperceberem

Estas frases raramente aparecem isoladas.
Vêm em grupo, formando uma espécie de dialeto egoísta.

Ouve-as em conversas no trabalho, em família, em amizades, em chats de apps de encontros que nunca chegam a soar respeitosos.
Talvez reconheças mais do que uma.

Aqui estão oito das mais comuns:

  1. “Estou só a ser sincero/a.”
  2. “Estás a exagerar.”
  3. “Não tenho tempo para isto.”
  4. “Eu sou assim.”
  5. “És demasiado sensível.”
  6. “Estás a fazer-me ficar mal.”
  7. “Depois de tudo o que fiz por ti…”
  8. “Sabes que eu não quis dizer assim.”

Cada uma parece inocente isoladamente.
Juntas, desenham um mapa claro de quem é que tem permissão para importar.

Nenhum de nós está imune a dizer estas frases.
Num dia cansativo, sob stress, com o ego ferido, todos podemos agarrar-nos a expressões fáceis que nos protegem.

A diferença está no que acontece depois.
Dobramos a aposta, ou voltamos atrás e dizemos: “Não lidei bem com isso”?

Todos já vivemos aquele momento em que uma frase pequena ficou connosco durante anos.
Às vezes foi dita por alguém que afirma que “nem se lembra” da conversa.

As palavras não desaparecem quando saem da boca.
Assentam algures - num corpo, numa decisão, numa relação que muda de rumo devagar.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Identificar as frases Reconhecer as 8 formulações mais frequentes Finalmente pôr palavras num mal-estar difuso
Compreender o mecanismo Ver como estas frases deslocam a culpa para o outro Deixar de acreditar que é “demasiado sensível” ou “demasiado exigente”
Responder de outra forma Usar respostas curtas, claras e serenas Proteger o espaço mental sem criar drama desnecessário

FAQ

  • Como posso perceber se alguém está a ser egoísta ou apenas desajeitado/a com as palavras?
    Presta atenção aos padrões. Uma frase desajeitada pontual é humana. A desvalorização repetida dos teus sentimentos, mesmo depois de os teres explicado, aponta mais para egoísmo do que para simples falta de jeito.

  • E se a pessoa egoísta for um familiar que não posso evitar?
    Reduz a proximidade emocional, não necessariamente a física. Limita os temas que partilhas, encurta chamadas e foca-te em interações práticas. É possível ter limites mesmo quando não dá para haver distância total.

  • Vale a pena confrontar alguém que diz sempre coisas assim?
    Pode valer - uma vez, com calma e clareza. Observa o que a pessoa faz com esse feedback. Se nada mudar e as frases continuarem, muda a energia de “tentar mudá-la” para “proteger-te”.

  • E se eu me aperceber que sou eu que digo estas frases?
    Isso não é uma sentença; é um ponto de partida. Escolhe a frase que mais usas e substitui-a por uma versão mais honesta durante um mês. Pequenas mudanças consistentes alteram relações mais do que um grande pedido de desculpa.

  • Pessoas egoístas conseguem mesmo mudar o comportamento?
    Algumas conseguem, quando enfrentam consequências reais e quando valorizam a relação mais do que o conforto. A mudança não é instantânea; parece-se com menos destas frases, mais perguntas e mais responsabilização ao longo do tempo.

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