Saltar para o conteúdo

9 atitudes parentais que, segundo a psicologia, tornam as crianças infelizes

Pai trabalha no portátil enquanto filho mostra desenho na cozinha.

Ainda assim, o filho pequeno encolhia um pouco mais de cada vez que ela suspirava, espreitava o telemóvel ou o corrigia naquele tom curto e cansado. Na mesa ao lado, outra criança construía uma torre torta de pacotes de açúcar enquanto o pai observava, divertido, deixando as peças cair. Uma criança parecia aterrorizada com a ideia de cometer um erro. A outra parecia livre para tentar, falhar e recomeçar.

Sentia-se a diferença no ar. Mesma idade, o mesmo sítio barulhento, o mesmo chocolate quente derramado. Dois climas emocionais completamente diferentes. Um pesado, outro leve.

Os psicólogos dizem que as crianças não crescem apenas em famílias. Crescem dentro de atitudes. Atitudes invisíveis, diárias, comuns, que moldam a forma como se sentem em relação a si próprias, aos outros e ao mundo.

A parte inquietante é esta: muitas das atitudes que silenciosamente esmagam as crianças… começam no amor.

1. Crítica constante disfarçada de “orientação”

Os psicólogos veem isto o tempo todo: pais que raramente gritam, nunca batem, mas comentam tudo o que o filho faz. O desenho podia estar “melhor”. Os trabalhos de casa estão “desorganizados”. A maneira como se senta é “mal-educada”. Soa a orientação. Para uma criança, parece viver sob um microscópio.

Estudos sobre autoestima mostram que crianças que crescem com crítica persistente não pensam apenas: “O meu trabalho é mau.” Começam a pensar: “Eu sou mau.” Essa mudança é onde a infelicidade cria raízes. O mundo deixa de ser um campo para explorar e passa a ser um teste em que estão sempre a falhar.

Com o tempo, esta procura constante de defeitos cria aquilo a que os psicólogos chamam uma “voz interna negativa”. Mesmo quando os pais não estão presentes, a criança continua o trabalho por eles. Ouvem comentários feitos anos antes assim que tentam algo novo. A crítica não fica apenas no momento. Muda-se para dentro e decora as paredes da mente.

Uma rapariga de 9 anos disse a um terapeuta: “Se eu tiver um A, a minha mãe pergunta porque não é A+. Se eu tiver A+, ela diz que a letra podia ser mais bonita.” A mãe descrevia-se como “encorajadora” e “a querer o melhor”. No papel, era. No corpo da filha, a experiência era um estado de alerta crónico, ombros tensos e uma sensação permanente de “não chega”.

O que magoa mais não são as palavras em si. É a repetição e a previsibilidade. Quando uma criança quase consegue escrever o guião da crítica antes de ela chegar, deixa de se surpreender. Começa a resignar-se. É aí que a alegria se vai tornando fina. A brincadeira vira desempenho. A curiosidade vira cálculo: “Isto vai ser julgado?”

Os psicólogos associam isto a taxas mais elevadas de ansiedade e perfeccionismo na adolescência. Não é que estas crianças evitem erros. Evitam começar. Mais vale não fazer nada do que ver-se a falhar à frente de alguém que repara primeiro no que está mal.

2. Sobreproteção que diz, silenciosamente: “Tu não consegues lidar”

À superfície, a parentalidade sobreprotetora parece calorosa. Marmitas cortadas em formas perfeitas. Professores contactados ao menor sinal de conflito. Problemas resolvidos antes de aparecerem por completo. A criança é envolvida em segurança. Mas o sistema nervoso dela nunca chega a praticar como se lida com a vida.

Quando um pai ou uma mãe intervém sempre, forma-se uma mensagem subtil: “Tu não és forte o suficiente para enfrentar isto sozinho.” Com o tempo, isso torna-se uma crença. Investigação sobre “desamparo aprendido” mostra que crianças que são repetidamente resgatadas do desconforto têm maior probabilidade de se sentirem esmagadas por desafios do dia a dia mais tarde. Coisas pequenas parecem enormes porque nunca tiveram a oportunidade de as sentir pequenas.

Veja-se o rapaz cujos pais falavam sempre por ele. Nos restaurantes, pediam a comida por ele. Na escola, antecipavam conflitos com e-mails. Aos 13, bloqueava quando um caixa lhe fazia uma pergunta simples. Os pais chamavam-lhe tímido. O psicólogo que o viu tinha outra palavra: sem prática.

Muitas vezes pensamos que felicidade é remover todos os obstáculos do caminho de uma criança. A psicologia moderna sugere outra coisa: a felicidade real vem de um sentido de competência. De enfrentar algo que dava um pouco de medo e depois descobrir: “Eu consegui.” A sobreproteção rouba essas pequenas vitórias. A vida fica difícil na mesma mais tarde. A diferença é que a criança não conhece a própria força, porque nunca teve de a testar.

Crianças criadas em ambientes “embrulhados em plástico-bolha” aparecem frequentemente nos estudos como mais ansiosas, mais dependentes e menos resilientes. Não porque os pais não se importassem. Precisamente porque se importavam tanto que não suportavam ver o filho a sofrer.

Os psicólogos falam cada vez mais de parentalidade “suficientemente boa”. Não perfeita. Não a alisar tudo sem parar. Apenas presente, de apoio, e disposta a deixar as crianças sentir desconforto sem correr a apagá-lo. Esse desconforto é muitas vezes onde a confiança nasce.

3. Desvalorização emocional: “Estás bem, pára de exagerar”

Há um tipo particular de careta que as crianças fazem quando os seus sentimentos são varridos para o lado. As lágrimas caem, respiram fundo, e vê-se uma persiana a descer. Por fora parecem “mais calmas”. Por dentro, acabaram de aprender a lição: as minhas emoções são um problema para os outros.

A psicologia chama-lhe “invalidação emocional”. Soa a: “Não sejas parvo.” “És demasiado sensível.” “Não aconteceu nada.” Os pais dizem isto muitas vezes para confortar. Querem diminuir a dor. Acontece o oposto. A dor fica, mas agora está embrulhada em solidão.

Imagine uma criança que cai no recreio e esfolou o joelho. Um adulto diz: “Estás bem, isso não é nada.” Outro diz: “Ai, isso deve ter doído mesmo,” e dá um abraço. A lesão física é a mesma. A lição emocional não. A primeira criança aprende a duvidar dos sinais do próprio corpo. A segunda aprende que a dor pode ser partilhada e ultrapassada.

Os terapeutas veem a versão de longo prazo em adultos que têm dificuldade em nomear o que sentem. Cresceram a ouvir que o seu mundo interior era “demais”, por isso fecharam-lhe a porta. A infelicidade, para eles, é muitas vezes silenciosa, pesada e difícil de localizar. Quando o luto, a raiva ou o medo foram sempre minimizados, deixa-se de confiar neles. Ou vai-se ao outro extremo e fica-se inundado por eles, porque nunca ninguém ajudou a regular.

Validar emoções não significa concordar com tudo o que uma criança diz. Significa reconhecer: “Isto é real para ti.” Crianças que ouvem isto de forma consistente desenvolvem aquilo a que os investigadores chamam “literacia emocional”. Conseguem nomear o que sentem, pedir o que precisam e recuperar mais depressa do sofrimento. As que não ouvem tendem mais a anestesiar-se com ecrãs, comida ou comportamentos de risco na adolescência. Não porque sejam más. Porque ninguém lhes mostrou o que fazer com uma emoção grande para além de a enterrar.

4. Amor condicional: amor como prémio, não como base

Toda a criança está à procura de uma coisa: “Eu ainda pertenço quando falho?” Quando o amor aperta ou afrouxa conforme as notas, o comportamento ou o desempenho, não se sente como amor. Sente-se como um contrato. Quebra-se a regra, perde-se a ligação.

Os pais raramente dizem isto em voz alta. Aparece em pequenas mudanças. Calor quando o boletim é bom. Distância fria quando não é. Abraços grandes quando se marca um golo. Frieza quando se perde o jogo. O sistema nervoso da criança lê isso instantaneamente e começa a organizar a vida para não perder esse calor.

A investigação sobre teoria da vinculação é direta: a aceitação incondicional é a base de uma vinculação segura. Crianças que a têm sentem-se, no essencial, seguras no mundo. As que não a têm tendem a oscilar entre agradar a toda a gente e rebelar-se. Aprendem que o seu valor é frágil, por isso ou se moldam a qualquer forma que lhes dê aprovação… ou rejeitam o sistema inteiro e fazem de conta que não se importam.

Isto não significa que os pais devam aplaudir tudo. Limites e consequências importam. O que muda tudo é o que se mantém estável: a relação. “Estou zangado com o que fizeste” é recebido de forma totalmente diferente de “Desiludiste-me” dito com distância gelada.

Ao longo dos anos, o amor condicional cria um cansaço profundo e silencioso. A criança nunca descansa em ser simplesmente “suficiente”. A vida interior torna-se uma entrevista de emprego permanente. São os adultos que descrevem a infância como “andar sobre cascas de ovos”, mesmo que nunca tenha acontecido nada dramático. O drama era por dentro: o amor parecia sempre algo que podia ser retirado.

5. Usar medo e vergonha como ferramentas principais

Algumas casas parecem calmas por fora. Por dentro, cada escolha é feita à sombra do “ou então”. Ameaças. Sarcasmo. Humilhação pública. Os pais dizem: “O medo mantém-nos na linha.” Os psicólogos dizem: o medo mantém-nos pequenos.

Vergonha é diferente de culpa. Culpa diz: “Fiz algo errado.” Vergonha sussurra: “Eu sou errado.” Comentários frequentes que envergonham - “O que é que se passa contigo?”, “És uma desilusão” - não controlam apenas o comportamento no momento. Esculpem a identidade. A criança começa a ver-se como fundamentalmente defeituosa.

Exames cerebrais de crianças expostas a stress crónico e humilhação mostram alterações semelhantes às vistas após outras formas de trauma. Os seus sistemas ficam mais ativados, mesmo em repouso. A vida quotidiana parece menos segura. A alegria tem dificuldade em pousar num corpo que está sempre em defesa.

A parentalidade baseada na vergonha muitas vezes vem do cansaço ou de padrões herdados. Os pais repetem o que lhes foi feito porque “resultou”. A pergunta que a psicologia faz é: resultou para quê? Sim, pode ter produzido obediência. Mas a que custo para a confiança, a curiosidade e a saúde mental a longo prazo?

Crianças criadas em ambientes carregados de medo aprendem a esconder-se. Não apenas as ações, mas o seu verdadeiro eu. Mentem mais, fazem mais coisas às escondidas, ou desaparecem emocionalmente para evitar o próximo golpe - verbal ou outro. Mais tarde, podem lutar com insegurança profunda, auto-sabotagem ou perfeccionismo agressivo. Por baixo, o antigo guião de vergonha continua a correr.

6. Tratar as crianças como miniadultos

Há uma pressão cultural crescente para ter “mini adultos” em vez de crianças. Espera-se que lidem com horários complexos, entendam problemas de adultos, se regulem como um terapeuta e sejam interminavelmente razoáveis. A psicologia tem uma perspetiva direta: os cérebros das crianças ainda não estão programados assim.

Quando os pais falam com as crianças como se elas compreendessem totalmente stress financeiro, conflito conjugal ou drama no trabalho, dão-lhes um peso, não maturidade. A criança pode parecer sábia, pode dizer: “Não faz mal, mãe”, mas por dentro o seu sistema nervoso está a tentar carregar uma carga que não é dela.

Do outro lado, esperar controlo emocional ao nível de um adulto leva a rótulos injustos. Uma criança de 4 anos em crise não é “manipuladora”. Um pré-adolescente de 12 anos a bater com a porta não é “tóxico”. Os cérebros estão em construção. Controlo de impulsos, empatia e planeamento a longo prazo vivem nos lobos frontais, que só amadurecem totalmente por volta dos vinte e tal.

Os psicólogos repetem algo que muitos pais nunca ouviram: comportamento adequado à idade não é mau comportamento. Rir demasiado alto, fazer a mesma pergunta dez vezes, chorar muito por um brinquedo partido - isto não são falhas de caráter. São sinais de que a criança ainda está a aprender como o mundo e os seus sentimentos funcionam.

Quando as crianças são tratadas como adultos com defeito em vez de seres humanos em desenvolvimento, absorvem uma mensagem profunda: “Eu devia ser mais do que sou.” Segue-se uma inadequação crónica. Comparam-se a um padrão que nunca aceitaram, e a felicidade parece estar sempre a um feito de distância.

7. Sem limites, sem estrutura

Se medo e vergonha drenam a felicidade, o extremo oposto - ausência total de estrutura - pode fazer o mesmo. Casas onde “tudo vale” criam um tipo diferente de inquietação. As crianças podem parecer descontroladas, mas por dentro sentem-se estranhamente inseguras. Como se estivessem a conduzir um carro sem estrada e sem travões.

Os psicólogos falam de parentalidade “autoritativa” (calorosa e firme) como o ponto ideal. Quando os limites desaparecem por completo, as crianças não recebem aquela sensação estável de “há alguém maior a comandar”. Podem testar e testar, na esperança, inconsciente, de encontrar uma parede. Essa parede não é opressão. É contenção.

Um adolescente disse-o assim: “Eu desejava que os meus pais dissessem não às vezes. Se não se importavam onde eu estava, eu sentia que podia simplesmente desaparecer e eles nem reparavam.” Liberdade sem ligação não se sente como liberdade. Sente-se como flutuar.

As crianças precisam de limites para construir autocontrolo, empatia e respeito. Limites claros sobre ecrãs, sono, trabalhos de casa e a forma como falamos uns com os outros tornam-se um mapa interno. Sem esse mapa, as situações sociais confundem. Professores são “maus” por terem regras. Chefes mais tarde parecem “injustos” por exigirem responsabilidade básica. O mundo parece hostil porque ninguém traduziu a sua estrutura cedo.

A infelicidade nestas crianças aparece muitas vezes como tédio, queixas constantes ou inquietação crónica. Foi-lhes dada liberdade sem orientação. Escolha sem valores. Pode parecer que “têm tudo” e, ainda assim, sentem-se profundamente perdidas.

8. Viver através das conquistas do seu filho

À beira de qualquer campo desportivo, sente-se: o pai ou a mãe que quase joga o jogo com os olhos. Cada movimento, cada passe, cada tropeção atinge-os como uma vitória ou um fracasso pessoal. A criança torna-se o palco onde os sonhos inacabados do adulto são repetidos.

A psicologia chama a isto “emaranhamento” (enmeshment) ou inversão de papéis. A criança deixa de ser a personagem principal da sua própria história. Carrega as esperanças de alguém maior, alguém que não quer desesperadamente desiludir. É um guião pesado para um corpo pequeno.

Crianças nesta posição muitas vezes tornam-se extremamente talentosas. Notas altas. Troféus. Bolsas. No papel, sucesso. Por dentro, uma pergunta silenciosa: “Se eu deixar de ser impressionante, continuo a importar?”

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mesmo o pai ou a mãe mais consciente às vezes gaba-se, pressiona ou empurra a criança para uma oportunidade que secretamente gostava de ter tido. O ponto de viragem é quando o “não” da criança deixa de parecer uma opção.

Os terapeutas ouvem-no de adolescentes esgotados: “Eu não sei do que gosto; só sei no que sou bom.” Isto não é alegria. É sobrevivência. A felicidade real surge muitas vezes quando as crianças se sentem livres para seguir curiosidades que podem nunca impressionar ninguém - incluindo os pais.

9. Estar emocionalmente ausente estando fisicamente presente

Passe por qualquer parque infantil e verá uma cena moderna: pais sentados em bancos, olhos nos ecrãs, crianças a chamar “Olha para mim!” para o vento digital. O pai ou a mãe está lá, tecnicamente. Mas as tentativas de ligação da criança batem numa parede de vidro.

A investigação sobre vinculação é claríssima: pequenos momentos de contacto visual, riso partilhado e ser realmente visto são como oxigénio emocional. Quando faltam, as crianças nem sempre parecem tristes. Muitas vezes ficam mais barulhentas, mais agarradas, ou mais “difíceis”. Por baixo do comportamento está um apelo básico: “Eu importo mais do que esse retângulo na tua mão?”

Todos nos desligamos. Dias longos, noites curtas, notificações sem fim. Numa noite cansativa, qualquer pessoa pode desaparecer num dispositivo enquanto a criança brinca ali ao lado. O que cria crianças infelizes é quando isto se torna a norma, não a exceção. A criança sente-se como ruído de fundo na própria casa.

Uma mãe disse a um psicólogo: “O meu filho só se porta mal quando estou no telemóvel.” O terapeuta deu a volta com gentileza: “Ou ele só se porta mal quando está com saudades de si.” Essa reformulação mudou tudo. Ela começou a oferecer 10 minutos de atenção indivisa antes de abrir o portátil. As birras diminuíram. A criança não precisava de regras mais duras. Precisava do rosto dela.

Como mudar estas atitudes sem se odiar

Aqui vai uma verdade silenciosa que a psicologia oferece: a maioria destas atitudes pouco úteis vem da dor, não da maldade. Os pais repetem o que lhes foi feito, ou vão com força para o lado oposto. O trabalho não é tornar-se perfeito. É tornar-se um pouco mais consciente, um pouco mais vezes.

Um passo prático é reparar nas suas “frases automáticas”. As frases que saltam da boca antes de pensar: “Não sejas dramático.” “Estás bem.” “Porque é que tu nunca…?” Anote-as quando as detetar. Vê-las no papel ajuda a decidir: eu acredito mesmo nisto, ou é apenas programação antiga?

Depois, experimente micro-mudanças. Quando o seu filho chora, troque “Pára de exagerar” por “Isto mexeu mesmo contigo, não foi?” Quando sentir vontade de resgatar, tente perguntar “Qual é o teu plano?” em vez de intervir. Estas pequenas edições enviam mensagens novas: “Os teus sentimentos fazem sentido.” “Tu és capaz.”

Também pode criar “âncoras de ligação” - pequenos rituais que dizem, sem palavras: “Tu importas.” Conversas de cinco minutos na almofada antes de dormir. Uma refeição sem ecrãs em que pergunta: “Qual foi a parte mais estranha do teu dia?” Uma caminhada semanal em que deixa a criança definir o ritmo e o tema.

Num dia difícil, isso pode ser apenas sentar-se ao lado enquanto ela explode, mantendo-se calmo o suficiente. Os psicólogos chamam a isto “corregulação”: a sua presença estável ajuda a tempestade a passar. Não precisa das palavras certas. Só precisa de ficar.

Num plano prático, ajuda ter algumas frases prontas quando se sentir ativado:

“Estou mesmo muito enervado, e não quero descarregar em ti. Vou tirar dois minutos e depois falamos.”

  • Troque crítica por curiosidade: “O que estavas a esperar que acontecesse?”
  • Passe de ameaça a limite: “Se atirares o brinquedo, vou guardá-lo por hoje.”
  • Passe de sermão a escuta: “Conta-me o teu lado, estou mesmo a ouvir.”

Nada disto apaga momentos passados em que gritou, envergonhou ou se desligou. As crianças não precisam de parentalidade imaculada. Precisam de reparação. “Fui demasiado duro há pouco. Desculpa” é uma frase que pode literalmente reorganizar a vinculação. A psicologia é surpreendentemente otimista aqui: uma reparação genuína pode fazer mais bem do que um erro fez mal.

Uma forma diferente de ver crianças “difíceis”

Quando os psicólogos falam de crianças infelizes, raramente estão a falar apenas da criança. Estão a falar de sistemas. Padrões. Regras familiares invisíveis como “não falamos de sentimentos” ou “o sucesso é oxigénio”.

Olhar para estas nove atitudes não é um convite à culpa. É um convite a reparar na atmosfera que o seu filho respira todos os dias. É espessa de pressão? Fina de ligação? Pesada de medo? Ou tem, pelo menos algumas vezes, segurança suficiente para que ele possa experimentar, falhar, rir demasiado alto e, ainda assim, sentir-se desejado?

Todos já vivemos aquele momento em que ouvimos a voz do nosso próprio pai ou mãe a sair da nossa boca e pensamos: “De onde veio isto?” Esse clarão de reconhecimento pode ser uma porta. Pode parar, respirar e escolher uma frase ligeiramente diferente.

As crianças não precisam de pais que nunca criticam, nunca resgatam, nunca fazem scroll. Precisam de adultos dispostos a notar quando uma atitude está a magoar mais do que a ajudar. Adultos que conseguem dizer: “Eu também estou a aprender.”

Há uma revolução silenciosa na parentalidade a acontecer agora, alimentada pela psicologia e por milhões de pais um pouco mais honestos, um pouco mais reflexivos, por vezes um pouco mais ternos consigo próprios. A pergunta não é “Estou a fazer isto bem?”

A pergunta que muda tudo é mais pequena e mais inquietante: “O que é que o meu filho está a aprender sobre si próprio pela forma como eu olho para ele?”

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Crítica vs. curiosidade Passar de procurar defeitos para fazer perguntas abertas Evita baixa autoestima e constrói confiança interior
Proteção vs. resiliência Deixar as crianças enfrentar desafios geríveis com apoio Ajuda as crianças a sentirem-se capazes em vez de dependentes
Presença vs. desempenho Oferecer ligação incondicional, não amor baseado em conquistas Cria vinculação segura e uma felicidade mais genuína

FAQ

  • Como sei se o meu filho está infeliz por causa da minha parentalidade? Observe menos birras ocasionais e mais padrões: retraimento persistente, medo constante de errar, ou frases como “tu nunca estás contente comigo” podem indicar que certas atitudes o estão a pesar.
  • É tarde demais para mudar se o meu filho já é adolescente? Não. Os adolescentes podem revirar os olhos, mas reparam nas mudanças. Nomear padrões antigos e alterar respostas diárias pode melhorar a confiança, mesmo que ao início se sinta estranho.
  • E se eu próprio cresci com todas estas atitudes? Isso pode ajudar a identificá-las. Terapia, grupos de apoio ou bons livros sobre vinculação podem dar-lhe novos guiões para não repetir o que o magoou.
  • Com que frequência preciso de ser um pai/mãe “bom/boa” para fazer diferença? A investigação sugere que estar emocionalmente sintonizado mesmo um terço do tempo, com reparações reais após ruturas, é suficiente para a vinculação segura crescer.
  • Qual é uma mudança simples que posso fazer esta semana? Escolha um momento diário - pequeno-almoço, ir buscar à escola ou deitar - e faça-o sem telemóvel, com tempo olho-no-olho em que a sua única tarefa é reparar e desfrutar do seu filho durante alguns minutos.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário