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A psicologia destaca as três cores mais usadas por pessoas com baixa autoestima.

Pessoa prepara roupa em casa, com camisola cinza, camisa azul e cachecol rosa sobre uma mesa branca.

Her ecrã do telemóvel reflete um papel de parede azul pálido, as unhas estão pintadas de um rosa pastel muito suave, e o saco tote é… bege. À primeira vista, nem repararia nela. Esse é quase o objetivo. Enquanto outras pessoas exibem sapatilhas chamativas e batom vermelho ousado, ela parece dissolver-se no fundo, como se as paredes tivessem escolhido o seu outfit.

Quanto mais tempo observa as pessoas, mais percebe esta coreografia silenciosa da cor. Algumas entram numa sala como se estivessem embrulhadas em luz do sol. Outras misturam-se como sombras macias, envoltas em tons que sussurram em vez de gritar. Psicólogos começaram a prestar atenção a estas escolhas - porque certas tonalidades voltam a aparecer, uma e outra vez, quando a autoestima está em baixo.

Há três cores que, em particular, continuam a surgir.

A linguagem subtil da cor e a baixa autoestima

A cor é uma das primeiras coisas que as pessoas notam e uma das últimas que questionamos conscientemente. Pega no mesmo hoodie cinzento, nas mesmas calças de ganga azul desbotado, na mesma T-shirt em tom de blush, dizendo a si própria que é “apenas o que gosta”. Mas os padrões não mentem. Quando investigadores pedem a pessoas com autoestima mais baixa para escolherem cores para roupa, objetos e até decoração de casa, três famílias de tons sobem à superfície: cinzentos planos, azuis empoeirados/desbotados e rosas muito suaves ou nudes.

Estas não são, por si, cores “más”. São delicadas, calmas, socialmente aceites. O problema começa quando se tornam um uniforme. Quando cada outfit, cada acessório, cada fundo de ecrã repete a mesma mensagem: “Não olhes para mim com demasiada atenção.”

Num metro cheio, isso salta à vista se estiver atento. Quem se embrulha em casacos cor de carvão, cachecóis azulados apagados e sapatos neutros muitas vezes move-se como se tentasse não ocupar espaço. As suas cores fazem o mesmo.

Veja inquéritos de guarda-roupa feitos em psicologia organizacional. Quando os trabalhadores avaliavam a sua autoconfiança no trabalho, os que tinham pontuações mais baixas diziam usar paletas neutras quase todos os dias. Não apenas por conveniência, mas porque sentiam que cores mais fortes os tornariam “demasiado visíveis”, “demais”, ou “pouco profissionais”. Uma responsável de RH descreveu um padrão recorrente em novos recrutados: juniores ansiosos a chegar, nos primeiros meses, em variações intermináveis de cinzento, bege e azul desbotado.

Há também a camada digital. Capas de telemóvel, capas de portátil, até garrafas de água repetem a mesma paleta. Uma jovem designer em Londres admitiu que continuava a comprar itens rosa pálido e cor de areia para “parecer arranjada” sem ser notada. Ela não disse “não me sinto digna de me destacar”. Disse: “não quero fazer alarido”. A cor fez a tradução por ela.

Psicólogos que estudam cor e identidade falam muitas vezes de duas funções nas nossas escolhas: expressão e proteção. Quando a autoestima está baixa, a proteção tende a ganhar. O cinzento torna-se um escudo: neutro, seguro, quase invisível. Os azuis empoeirados ou lavados acalmam a ansiedade, como envolver-se num céu nublado que não exige nada. Os rosas muito suaves e os nudes parecidos com a pele criam um “efeito de desfocagem”, misturando corpo e ambiente numa única zona macia, sem arestas.

O cérebro agarra-se a estes tons porque trazem baixo risco. Não provocam comentários. Não iniciam conversas. Encaixam em qualquer sala e em qualquer fotografia de grupo. Para alguém que duvida silenciosamente do seu próprio valor, isso sabe a alívio. O preço é que o mundo deixa de o ver muito antes de ele deixar de se ver a si mesmo.

Cinzento, azul empoeirado e rosa suave: o trio silencioso

Se há uma cor da baixa autoestima, o cinzento médio simples costuma ser o principal suspeito. Não o grafite dramático de um carro de luxo, mas o cinzento plano “de alcatifa de escritório” de hoodies, calças de fato de treino e fatos que parecem estranhamente iguais. Pessoas atraídas de forma obsessiva por este tom descrevem-no muitas vezes como “fácil” ou “combina com tudo”. Por baixo, há outra verdade: o cinzento não pede opinião. Apaga contornos, esconde manchas e torna-o parte da paisagem de fundo.

O azul empoeirado vem logo a seguir. Pense em ganga desbotada, azul-marinho lavado, aquele azul que já foi vivo mas agora parece tímido. É suave para os olhos, associado a calma e fiabilidade. Na investigação sobre autoestima, aparece muitas vezes em pessoas que querem agradar, ser vistas como “simpáticas”, “seguras”, “razoáveis”. Depois há a terceira cor: rosa suave ou nude, tão próxima da pele que quase não se lê como cor. Usada repetidamente, pode tornar-se uma forma de dizer, sem palavras: “Estou aqui, mas não te preocupes, não vou incomodar nada.”

Então porquê estas três? O cinzento senta-se no ponto emocional intermédio: nem quente nem frio, nem alegre nem triste, uma espécie de botão de silêncio emocional. O azul empoeirado sussurra distância e reserva, como um céu antes da chuva. O rosa muito suave inclina-se para a doçura sem força, ternura sem limites claros. Em conjunto, moldam uma identidade que quer ser aceitável, mas não memorável.

Psicólogos da cor alertam contra leituras excessivas a partir de um único outfit. Um dia de cinzento não significa baixa autoestima. O que merece atenção é a repetição. Quando alguém evita vermelhos vivos, verdes profundos, roxos ricos, ano após ano, escolhendo apenas o que não atrai comentários ou perguntas, isso muitas vezes espelha uma batalha mais silenciosa por dentro: medo de tomar posição, medo de ser “demais”, medo de ser visto e rejeitado.

Usar a cor para reconstruir a autoestima com delicadeza

Mudar as suas cores não é uma cura mágica, mas pode tornar-se uma microterapia surpreendentemente poderosa. Um método concreto que terapeutas por vezes sugerem é a regra de “um tom mais ousado”. Não salta do cinzento para o amarelo néon. Passa do cinzento plano para um carvão texturado; do azul empoeirado para um detalhe ligeiramente mais vibrante, como um cobalto; do rosa nude para um rosa mais quente num cachecol ou numa caneca.

A ideia não é transformar a sua identidade de um dia para o outro. É dar tempo aos olhos - e ao sistema nervoso - para se habituarem a ser vistos. Uma faixa de vermelho nas sapatilhas. Um caderno verde-floresta na secretária. Uma unha de uma mão pintada com uma cor que realmente a faz sorrir. Cada pequena mudança é um voto discreto a favor de “tenho direito a existir em cor”.

Se se reconhece nesse trio silencioso de cinzento, azul empoeirado e rosa suave, a pior coisa que pode fazer é envergonhar-se por isso. Essas escolhas protegeram-na em algum momento. Ajudaram-na a passar despercebida quando se sentia demasiado frágil para lidar com escrutínio. A cor não é o inimigo; é um retrato de como aprendeu a sobreviver. Por isso, comece com curiosidade, não com julgamento. Abra o guarda-roupa e repare simplesmente no que lá está. Conte quantas peças são “invisíveis”. Só ver o padrão já abre uma fissura.

A partir daí, escolha um contexto em que esteja pronta para experimentar: uma saída ao fim de semana, uma videochamada com amigos, um dia sozinha numa cidade onde ninguém a conhece. Brinque com uma peça mais ousada e observe o diálogo interno. Sente-se exposta, falsa, ridícula? Ou um pouco mais viva, mesmo que seja desconfortável? Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. O objetivo não é a perfeição; é a permissão.

“A cor não muda quem você é”, observa uma psicóloga clínica que usa trabalho com guarda-roupa em terapia, “mas muda a história que você conta a si própria quando se olha ao espelho. Essa história, com o tempo, molda aquilo que você acredita merecer.”

Formas práticas de ajustar a paleta sem se trair incluem pequenos passos, de baixa pressão:

  • Trocar um item “invisível” por semana por algo um tom mais vivo.
  • Usar acessórios (cachecóis, meias, capas de telemóvel) como terreno de testes.
  • Pedir emprestado ou comprar em segunda mão cores ousadas, para não se sentir presa.
  • Criar uma “gaveta da coragem” com peças que usa apenas nos dias bons.
  • Notar elogios sem os desvalorizar: deixá-los assentar durante três segundos.

Pensar para lá da cor: o que as suas escolhas revelam

Quando repara com que frequência cinzento, azul empoeirado e rosa suave aparecem nos seus dias, surge uma pergunta mais silenciosa: onde mais é que se está a encolher? Baixa a voz em reuniões? Pede desculpa quando não fez nada de errado? Diz “como quiseres” porque tem medo de desiludir? A cor é muitas vezes apenas a parte visível de um padrão mais profundo de autoapagamento.

É aqui que o tema deixa de ser sobre roupa e começa a tocar identidade. Isso não significa que tenha de se tornar alguém que adora néons ou combinações de padrões. Algumas pessoas sentem-se mais elas próprias em preto ou em tons terrosos - e isso é perfeitamente saudável quando vem de escolha, não de medo. O que importa é se a sua paleta sabe a liberdade ou a jaula. Está a esconder-se ou a expressar-se?

A um nível muito humano, todos sabemos como é entrar numa sala e esperar que ninguém olhe demasiado de perto. Nalguns dias, a camisola cinzenta é um conforto - e está tudo bem. O interessante começa quando se dá o direito de alternar. Ter “dias de fundo” e “dias de holofote”. Brincar com a cor como uma linguagem que está lentamente a reaprender. Às vezes, a coisa mais corajosa que pode fazer é usar uma cor que corresponda ao quanto realmente se importa - e não ao quão pequena acha que deve ser.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
As três cores “refúgio” Cinzento, azul empoeirado e rosa suave/nude aparecem frequentemente em pessoas com baixa autoestima Dar nome e imagem a um fenómeno que se vive sem o ver
A repetição como sinal Um dia de cinzento não quer dizer nada, mas uma uniformidade crónica pode revelar necessidade de se esconder Ajudar a distinguir uma simples preferência de um padrão interior
O princípio “um tom mais ousado” Introduzir gradualmente cores um pouco mais afirmadas no quotidiano Oferecer uma ferramenta concreta para trabalhar a confiança através de gestos simples

FAQ

  • Usar cinzento ou cores suaves significa que tenho definitivamente baixa autoestima?
    De todo. Um outfit - ou até uma forte preferência - não a define. Torna-se relevante quando percebe que evita cores mais ousadas por medo de ser vista ou julgada.
  • Mudar as minhas cores pode mesmo melhorar a minha confiança?
    A cor não cura feridas profundas, mas pode apoiar a mudança. Escolher tons ligeiramente mais corajosos treina o cérebro a tolerar visibilidade e pode reforçar, com delicadeza, uma autoimagem mais positiva.
  • E se eu gostar genuinamente de cinzento e azul?
    Então mantenha-os. O objetivo não é abandonar o seu estilo, mas perceber se as suas escolhas soam a liberdade ou a esconder-se. Pode adorar cinzento e ainda assim acrescentar um detalhe confiante.
  • Há cores de “alta autoestima” que eu deva usar?
    Estudos associam frequentemente cores mais vivas e saturadas (como vermelhos, azuis intensos, verdes ricos) a maior energia e assertividade, mas a melhor cor é a que a faz sentir alinhada, não disfarçada.
  • Como posso começar se me sinto ridícula com cores fortes?
    Comece em contextos privados ou de baixo risco: em casa, com amigos próximos, numa pequena ida à rua. Use acessórios primeiro e trate como uma experiência, não como uma performance. A sua zona de conforto vai expandir-se em silêncio com o tempo.

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