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Adeus fritadeira sem óleo: novo aparelho de cozinha oferece 9 modos de confeção, indo muito além de fritar.

Mão colocando frutas e legumes numa panela elétrica a vapor na bancada de uma cozinha iluminada.

Menos óleo, menos loiça, jantar em 15 minutos. E, no entanto, ultimamente, está a acontecer algo estranho nas bancadas das cozinhas: a air fryer, antes heroína, está a ser discretamente empurrada para o lado por um novo gadget - maior, mais brilhante - que não se limita a fritar: coze no forno, cozinha a vapor, grelha, cozinha lentamente e muito mais, tudo numa só caixa que zune enquanto pré-aquece. As pessoas publicam fotos de “antes/depois” de bancadas sobrelotadas que, de repente, ficam reduzidas a uma única máquina. A promessa soa quase suspeita: nove métodos de confeção, um dispositivo, e o poder de reformar metade dos seus eletrodomésticos.

Numa noite, por volta das 19h45, vi uma família num pequeno apartamento em Londres a ensaiar o caos típico do jantar durante a semana. O pai ligou a air fryer para os nuggets, a mãe equilibrava um tacho de arroz, e o adolescente negociava espaço no forno para o pão de alho. Três temporizadores apitavam, alguém se esqueceu de pré-aquecer, e um tabuleiro quase foi ao chão.

Algumas semanas depois, voltei. Mesma cozinha, mesma família, mesma correria de terça-feira. Mas, desta vez, havia apenas uma caixa prateada e robusta na bancada, a fazer um suave ruído de ventoinha. O vapor saía por um lado enquanto um tabuleiro de salmão crepitava ao lado de um cesto de legumes e um recipiente de arroz por baixo. Ninguém parecia stressado. Ninguém andava em cima de tachos e frigideiras.

A air fryer ainda existia, em teoria. Escondida num armário e já a ganhar pó.

Adeus, air fryer: a ascensão do “hub” de cozinha 9 em 1

Entre agora em qualquer grande superfície e vai reparar numa coisa subtil: o corredor das air fryers ainda lá está, mas a multidão está a desviar-se para multicookers com autocolantes arrojados a prometer “9 modos de confeção” ou “forno de bancada tudo-em-um”. Não são as panelas de cozedura lenta antigas dos seus pais. São híbridos: parte forno de convecção, parte vaporizador, parte grelhador, parte desidratador e, sim, air fryer incluída.

O argumento é brutalmente simples. Porquê ter uma air fryer, uma torradeira, uma panela de cozedura lenta, uma panela de arroz, um grelhador, um desidratador e um mini-forno separados quando pode carregar num botão e mudar de modo? Os fabricantes falam de “fadiga de eletrodomésticos”. As pessoas estão cansadas de ligar mais uma caixa. Querem menos gadgets, mais espaço e algo suficientemente inteligente para tratar de pequeno-almoço, almoço, jantar e sobras sem dramas.

Veja como isto acontece em casas reais. Um casal em Manchester contou-me que comprou um 9 em 1 depois de perceber que a air fryer deles fazia exatamente duas coisas muito bem: batatas e frango. Tudo o que fosse maior - como lasanha ou um assado inteiro - continuava a precisar do forno, que demorava uma eternidade a aquecer. A nova máquina assa ao domingo, cozinha raviolis a vapor à quarta-feira, faz air fry à sexta e cozinha chili lentamente durante a noite.

Outro inquérito de um retalhista britânico de artigos para o lar concluiu que mais de 40% dos compradores recentes que fizeram upgrade para um 9 em 1 dizem que a air fryer antiga agora é “raramente ou nunca utilizada”. É uma revolução silenciosa. Sem fanfarra, sem despejar dramaticamente gadgets no lixo - apenas uma migração lenta para a máquina única que faz coisas suficientes, bem o suficiente, para ganhar a batalha diária pelo espaço na bancada.

A lógica por trás desta mudança é implacavelmente prática. As air fryers foram vendidas como substitutas do forno, mas nunca o substituíram de facto. Substituíram a fritura em óleo e alguma panificação, em pequenas quantidades. Quando as famílias perceberam que continuavam a precisar de forno, panela de cozedura lenta, panela de arroz e, por vezes, grelhador, o sonho de “uma caixa arrumada para tudo” pareceu incompleto.

Os novos 9 em 1 fecham essa lacuna. Não se limitam a circular ar quente mais depressa; mudam a forma como o calor e a humidade se movem na câmara. Um modo adiciona vapor para manter o pão macio. Outro mantém a temperatura ultra-baixa para cozedura lenta. Uma placa de grelha sob a ventoinha sela bifes. Um modo de desidratação faz circular ar morno de forma suave para secar fruta e ervas. Mesma caixa, diferentes personalidades. É por isso que, de repente, a air fryer parece um pouco unidimensional.

Como este gadget 9 em 1 funciona no dia a dia

A verdadeira magia não está na ficha técnica. Está na rotina que, discretamente, se constrói à volta dele. Os utilizadores mais bem-sucedidos com quem falei fazem uma coisa simples: escolhem um “modo por defeito” para os dias úteis. Para uns, é air fry + assar a 190°C. Para outros, é vapor + forno para legumes fofos por dentro e estaladiços nas pontas. Usam tanto essa configuração que se torna memória muscular.

A partir daí, vão acrescentando outros modos apenas quando é necessário. Cozedura lenta aos domingos. Grelhar para o bife de sexta-feira. Desidratar à noite para snacks. Um pai descreveu-o como usar um smartphone: tem um ecrã inicial com três ou quatro apps, e o resto é “bom ter”. Não precisa de dominar todos os nove métodos para sentir que o gadget substituiu a air fryer. Precisa apenas de dois ou três que se tornem inegociáveis.

Há também uma mudança emocional silenciosa. Uma mãe confessou que antes temia “cozinhar a sério” depois do trabalho e acabava por cair em refeições repetitivas na air fryer. Com o 9 em 1, prepara um tabuleiro de legumes de manhã, programa um início diferido ou um modo lento e baixo, e termina com uma rajada rápida de grelha à noite. O jantar passa de crise a rotina. Numa semana boa, usa talvez quatro dos nove modos. Chega para sentir que voltou a mandar na noite - e não o contrário.

Claro que o sonho pode desmoronar se esperar milagres logo ao tirar da caixa. O erro número um dos novos donos é tentar os nove modos no primeiro fim de semana. Saltam de desidratar fatias de maçã para grelhar bifes e para cozinhar peixe a vapor - e acabam frustrados quando algo queima ou fica encharcado. Sejamos honestos: ninguém faz mesmo isso todos os dias.

Outro arrependimento comum é o tamanho. As pessoas compram o modelo mais pequeno para “poupar espaço” e depressa descobrem que um 9 em 1 só muda a vida se couber, de facto, um tabuleiro familiar, um frango inteiro ou pelo menos duas camadas de comida. Um cesto apertado que obriga a cozinhar em três voltas é apenas uma air fryer melhorada com passos extra.

Depois há a limpeza. No papel, um gadget significa menos coisas para lavar. Na realidade, se mudar de um modo de grelha com molho barbecue pegajoso para um delicado vapor+forno sem limpar o tabuleiro, está a caminho do caos de sabores. Num bom dia sabe a fumado. Num mau dia sabe a… confuso. Ainda assim, quando as pessoas adotam um ritual simples - uma limpeza rápida entre modos, uma limpeza mais a fundo a cada poucos dias - o ganho em carga mental é enorme.

Um utilizador pioneiro resumiu assim:

“A minha air fryer tornava o jantar mais rápido. Isto faz o jantar parecer menos um teste diário em que estou a falhar.”

Essa frase ficou comigo. Porque, por baixo dos presets brilhantes e dos ecrãs iluminados, estes gadgets são, na verdade, sobre retirar pequenas fatias de stress. Quanto menos pensa em pré-aquecer, trocar tabuleiros e acertar timings, mais energia tem para… bem, a vida.

Para manter isto com os pés na terra, eis o que distingue um bom 9 em 1 de um brinquedo sobrevalorizado:

  • Pelo menos um tabuleiro grande e um cesto fundo, para cozinhar prato principal e acompanhamentos em conjunto.
  • Modo vapor ou vapor+forno para pão, peixe e reaquecer sobras sem secar.
  • Uma verdadeira função de grelha/selar que atinja temperaturas mais altas do que o modo air fry standard.
  • Presets claros e legíveis na frente - não escondidos dois menus para dentro.
  • Peças que vão mesmo à máquina de lavar loiça, não apenas “em teoria”.

Quando estes pontos estão garantidos, o sentimento é quase sempre o mesmo: a air fryer antiga é guardada “para o caso de ser preciso” e raramente volta a ver a luz do dia.

Nove modos, uma mentalidade: como tirar realmente valor disto

O segredo para que este gadget seja mais do que uma novidade é dar a cada modo um “trabalho” específico na sua semana. Comece estupidamente pequeno. Escolha três utilizações de eleição: talvez air fry para coisas crocantes, vapor+forno para legumes e peixe, cozedura lenta para uma grande refeição em lote. Escreva-as num post-it e cole-o na máquina, se tiver de ser.

Depois, associe-as a momentos que já existem. Domingo à tarde = chili ou sopa em cozedura lenta. Terça-feira = tabuleiro de legumes em vapor+forno enquanto responde a e-mails. Quinta-feira = modo de grelha a alta temperatura para pães achatados rápidos ou halloumi. Quando um modo de confeção tem um lugar na sua vida real, vai lembrar-se de que ele existe. É assim que um 9 em 1 se torna um hábito, não um gadget que se exibe uma vez e se esquece.

Quem adora o seu 9 em 1 tende a perdoar-lhe as falhas. Sabe que alguns modos são mais “boa ideia” do que essenciais no dia a dia. A desidratação é o clássico: soa bem, fica bem na caixa, usa-se talvez uma vez por mês. E está tudo bem. A armadilha é achar que está a falhar se não usar os nove modos o tempo todo.

Numa semana má, vai cair no air fry de um toque e dar o assunto por encerrado. Isso não significa que o gadget não esteja a justificar o lugar. Significa apenas que é humano, e o jantar ganhou pela via fácil. O truque gentil é empurrar-se, quando tiver um pouco mais de disponibilidade, a experimentar um modo diferente numa tarefa de baixo risco - reaquecer pizza com vapor+forno, tostar frutos secos com o modo assar, fazer papas de aveia em cozedura lenta durante a noite. Pequenas vitórias geram confiança.

Uma dona riu-se quando lhe perguntei se já tinha “desbloqueado todas as funções”.

“Tenho isto há seis meses e uso quatro modos, no máximo. O resto é como níveis bónus a que hei de chegar um dia.”

Essa atitude pode ser mais saudável do que qualquer manual. Não está a perseguir perfeição; está a perseguir conforto repetível. E, silenciosamente, a air fryer em que ela jurava confiar agora é “a coisa que tiro cá para fora quando vêm familiares e precisamos de espaço extra”.

Se está tentado mas ainda indeciso, aqui vai uma checklist mental rápida:

  • Cozinha em casa pelo menos três noites por semana.
  • O seu forno é lento, irregular ou grande demais para uso diário.
  • A sua air fryer parece apertada ou limitada.
  • Tem mais de três pequenos eletrodomésticos que mal usa.
  • O espaço na bancada é precioso e está pronto para trocar três gadgets por um.

Se acenou afirmativamente à maioria, esta pode ser aquela rara tendência de cozinha que encaixa na sua vida real - e não apenas na sua vida aspiracional.

O futuro silencioso das nossas cozinhas

As revoluções tecnológicas raramente parecem dramáticas de perto. Parecem pequenas mudanças que se tornam normais tão depressa que esquecemos como era antes. Há alguns anos, a air fryer foi essa mudança. Hoje, é o forno tudo-em-um que cozinha a vapor, grelha, assa, faz air fry e cozinha lentamente sem exigir que fique a vigiar uma frigideira.

O que impressiona não é só a tecnologia; é a sensação que as pessoas descrevem. Menos culpa por “falhar” na cozinha caseira. Menos noites a olhar para o frigorífico e a escolher delivery por pura exaustão. Mais refeições que acontecem quase em piloto automático, enquanto ajuda nos trabalhos de casa ou percorre mensagens à mesa.

Num nível mais profundo, esta tendência do 9 em 1 é um protesto silencioso contra a desordem e a sobrecarga cognitiva. Uma caixa, uma interface, um lugar para onde o cérebro vai quando surge a pergunta: “O que é que há para o jantar?” A air fryer não desapareceu de um dia para o outro. Apenas perdeu, lentamente, o concurso diário de utilidade.

Por isso, talvez o verdadeiro adeus não seja apenas à air fryer. Seja à ideia de que cada prato novo precisa de um dispositivo novo. As cozinhas estão a caminhar para menos objetos e ferramentas mais flexíveis, para longe do caos e mais perto da calma. Para onde isto nos leva a seguir - receitas mais inteligentes, presets partilhados, até confeção guiada por IA - ninguém sabe.

Mas, se olhar para a caixa a zumbir na sua bancada, a passar de vapor para grelha e para forno em menos de uma hora, é difícil não sentir que já estamos a viver nesse futuro, um jantar silencioso de dia útil de cada vez.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
9 modos de confeção num só Combina air fry, assar, forno, vapor, grelha, cozedura lenta, reaquecer, tostar e desidratar numa única unidade Liberta espaço na bancada e substitui vários gadgets de uso único
Estratégia de “modo por defeito” no dia a dia Escolher 2–3 modos como base semanal e tratar os restantes como bónus Torna o gadget fácil de usar de forma consistente, não apenas no primeiro dia
O encaixe na vida real importa mais do que as specs Capacidade, desenho dos tabuleiros e facilidade de limpeza contam mais do que presets vistosos Ajuda a escolher um modelo que vai usar mesmo depois da fase de entusiasmo inicial

FAQ:

  • Um 9 em 1 é mesmo melhor do que uma air fryer normal? Para snacks pequenos, uma air fryer simples continua a resultar. Mas se quer substituir o forno na maioria das refeições durante a semana, o 9 em 1 ganha em versatilidade, capacidade e estilos de confeção.
  • Vai mesmo poupar energia face ao meu forno? Em muitos casos, sim. Os tempos de pré-aquecimento são mais curtos, a câmara é menor e muitas vezes consegue cozinhar prato principal e acompanhamentos ao mesmo tempo, reduzindo o tempo total.
  • Preciso de usar os nove modos para justificar a compra? Não. A maioria dos donos usa regularmente três a cinco modos. Os restantes ficam para ocasiões especiais ou experiências lentas quando há tempo.
  • Limpar é um pesadelo com tantas funções? Depende do design. Procure tabuleiros e cestos compatíveis com máquina de lavar loiça e habitue-se a passar um pano rápido entre modos muito diferentes, como grelha e vapor.
  • Pode mesmo substituir completamente o meu forno? Para muitos apartamentos e pequenos agregados, sim - sobretudo no dia a dia. Para grandes refeições festivas ou várias travessas de forno ao mesmo tempo, um forno de tamanho completo continua a ter vantagem.

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