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Caixa multibanco reteve o cartão: veja o gesto rápido e o botão a usar.

Pessoa a usar um caixa automático com carteira e telemóvel sobre o teclado.

O seu cartão acabou de desaparecer dentro da caixa multibanco. Há pessoas na fila atrás de si, a pessoa mesmo ao seu lado finge que não está a olhar, e sente aquele golpe quente de pânico no peito. Sem dinheiro. Sem cartão. Sem ideia do que acabou de acontecer.

Toca no ecrã, como se isso fosse ajudar. A máquina pisca, cospe um talão e mostra uma mensagem fria: “O seu cartão foi retido.” Só isso. Sem ajuda. Sem botão. Sem explicação.

Excepto que há um botão. E há um gesto que pode fazer nesses primeiros segundos que pode, literalmente, impedir que o seu cartão seja engolido de vez.

Quando o multibanco passa de amigo a armadilha

A primeira coisa que o atinge não é o dinheiro. É a sensação súbita de ficar encurralado em público, com toda a gente a ver o seu pequeno desastre privado. Só queria levantar 40£ ou 60€, a pensar no jantar ou no comboio, e agora a sua vida inteira “de carteira” ficou trancada debaixo de terra numa caixa de metal.

A cabeça dispara: Foi culpa minha? Alguém me está a roubar agora? Como é que volto para casa? A máquina ali fica, como um juiz silencioso. Ninguém lhe diz que aqueles primeiros 8 a 15 segundos contam mais do que o resto do dia. O multibanco tem um ritmo e, se o conhecer, de repente volta a ter algum controlo.

Por toda a Europa e no Reino Unido, os registos bancários mostram milhares de incidentes de “cartão retido” todas as semanas. A maioria é rotineira: tempo limite excedido, PIN errado, suspeita de fraude, erro de leitura. E depois há casos mais estranhos: o pai/mãe distraído que se afasta sem o cartão, o turista baralhado com as opções de idioma, a pessoa que entra em pânico e carrega em todos os botões errados ao mesmo tempo.

Numa pequena agência de rua que visitei, um funcionário puxou uma gaveta da parte de trás de um multibanco. Dezenas de cartões perdidos, empilhados como cartas de jogar abandonadas. Muitos deles teriam sido recuperados se o dono tivesse sabido uma única coisa. A funcionária abanou a cabeça e disse baixinho: “As pessoas ficam paralisadas.”

Nos bastidores, os multibancos funcionam com guiões rígidos. O cartão é puxado para dentro, lido e depois empurrado de volta para o levantar, normalmente com um bip alto. Se o cartão não for retirado dentro de uma janela curta - às vezes 8 segundos, às vezes 15 - a máquina puxa-o de volta “por segurança”. Nem sempre é uma falha; é assim que estão programados.

Se houver um problema suspeito (PIN errado demasiadas vezes, cartão dado como roubado, padrão de transacções estranho), o sistema pode ordenar ao multibanco que retenha o cartão no momento em que entra. É aí que aparece a mensagem temida. Mas há outro cenário, menos falado: a máquina acha que você já foi embora quando, na verdade, ainda lá está. É aí que entram o gesto rápido e o botão certo.

O gesto rápido e o botão que pode salvar o seu cartão

Aqui fica o gesto que ninguém explica quando lhe entregam um cartão bancário pela primeira vez: se o multibanco estiver prestes a engolir o seu cartão, carregue no botão vermelho “Cancelar” imediatamente e repetidamente, mantendo-se no ecrã principal. Não dois minutos depois. Não depois de procurar um número de apoio. Já, enquanto o cartão ainda está em “modo de decisão”.

Em muitos multibancos, o botão Cancelar força a máquina a terminar a sessão e a expulsar o cartão como acção prioritária - desde que o sistema ainda não tenha mudado totalmente para o estado de “reter”. Essa é a sua pequena janela. Pense em batimentos cardíacos, não em minutos. Vê o ecrã bloqueado, ou o cartão não sai quando devia? Nada de esperar educadamente. Dedo directo ao Cancelar, várias pressões, olhos na ranhura.

A maioria das pessoas faz o contrário do que resulta. Ficam ali, em silêncio, a olhar para o ecrã, à espera de uma mensagem que nunca chega. Ou remexem freneticamente na mala à procura do número de apoio ao cliente, enquanto a máquina termina calmamente a contagem decrescente e decide que o cartão está “não reclamado”. Quando reagem, a portinhola já fechou.

Um trabalhador pendular de Londres que entrevistei contou uma história diferente. Quando o cartão ficou lá dentro depois de levantar dinheiro, ele espetou logo no botão vermelho três ou quatro vezes. A máquina parou, piscou e depois empurrou o cartão para fora com um aviso no ecrã. Sem drama, sem ir à agência, sem esperar por um novo cartão pelo correio. Mesmo problema, reflexo diferente.

Nem todos os multibancos vão obedecer, e nem todos os países programam as máquinas da mesma forma, mas este é o melhor gesto que tem naquele primeiro instante crucial. Não está a “hackear” o sistema. Está a usar a saída de emergência que ele já tem.

Manter a calma, ser esperto, estar um passo à frente

Quando o gesto rápido falha e o cartão já foi, o guião muda. O próximo trabalho é proteger o seu dinheiro, não o seu plástico. Respire uma vez. Depois pegue no telemóvel e ligue para o número indicado no multibanco ou na sua app bancária para congelar/bloquear o cartão imediatamente. Não saia dali a pensar “faço isso mais tarde”. Os bancos vêem este cenário todos os dias; preferem que reaja em excesso do que que espere.

Num sábado movimentado, com pessoas impacientes atrás de si, é fácil sentir vergonha ou pressa. Ignore a fila. A segurança da sua conta é mais urgente do que o próximo levantamento de alguém. Se o multibanco estiver junto a uma agência e esta estiver aberta, entre imediatamente e diga a hora exacta e o número/identificação da máquina. O staff consegue, muitas vezes, confirmar se o multibanco reteve o cartão ou se se passa algo mais estranho.

Aqui vai a parte que ninguém diz em voz alta: ainda existem burlas à volta de cartões “perdidos” em multibancos. Desde frentes falsas (skimmers) a pessoas que tentam “ajudá-lo” sugerindo que volte a introduzir o PIN em voz alta, há maus actores que vivem destes momentos de tensão. Sejamos honestos: ninguém lê realmente todos os avisos colados na máquina todos os dias. Por isso, confie no seu instinto. Se alguém se aproximar demasiado enquanto você está a lutar com um multibanco, corte a conversa, tape o teclado e trate de tudo apenas com o seu banco.

“Um problema no multibanco raramente é só sobre a máquina”, disse-me um investigador de fraude. “É sobre o que o cliente faz nos primeiros 60 segundos. O pânico torna as pessoas previsíveis. O conhecimento torna-as aborrecidas para os criminosos.”

Os pequenos hábitos que cria à volta dos multibancos funcionam como um escudo silencioso. Não são dramáticos, não demoram tempo e, não, não os vai seguir na perfeição todos os dias. Ainda assim, inclinam as probabilidades a seu favor.

  • Fique junto do multibanco e cubra o teclado com a mão ao introduzir o PIN.
  • Espere em frente à ranhura até ter fisicamente o dinheiro e o cartão na mão.
  • Observe o leitor do cartão para ver se há algo solto, a abanar ou anormalmente espesso.
  • Use multibancos interiores ou de agência sempre que puder, sobretudo à noite.
  • Guarde o número de emergência do seu banco no telemóvel, não apenas no cartão.

O pequeno pedaço de plástico que controla demasiado da sua vida

Depois de lhe terem “engolido” um cartão, a forma como olha para os multibancos muda um pouco. Esta caixa de metal já não é só uma conveniência; é uma fronteira entre a sua vida diária e os sistemas bancários que zumbem em segundo plano. O momento em que a máquina fica com o seu cartão obriga a uma pergunta: quanta da sua segurança delegou em algo que mal compreende?

As pessoas partilham histórias do seu “pesadelo no multibanco” como outros falam de bagagem perdida ou voos atrasados. Há um embaraço partilhado, um relâmpago de medo e, depois, muitas vezes, um estranho alívio quando tudo acaba. O truque é apanhar aquele momento curto no meio, quando ainda há margem para agir. É aí que saber do botão Cancelar, da janela de oito segundos e da ordem certa dos passos pode transformar uma crise potencial num incidente esquecível.

Da próxima vez que se aproximar de um multibanco, provavelmente continuará a pensar no comboio, na renda, nos planos da noite. Isso é humano. Mas algures no fundo da sua mente, talvez também se lembre daquela saída de emergência silenciosa embutida no teclado. Um botão vermelho. Um gesto rápido. E uma história que talvez nunca precise de contar.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Carregar em “Cancelar” rapidamente Carregar no botão vermelho assim que o ecrã bloqueia ou o cartão não sai Aumenta as hipóteses de recuperar o cartão antes de ser engolido
Reagir nos 8–15 segundos A maioria dos multibancos recolhe o cartão se não for retirado nesse prazo Permite agir durante a curta janela em que a máquina ainda não decidiu reter o cartão
Bloquear o cartão sem esperar Ligar ao banco ou usar a app assim que o cartão é engolido Protege imediatamente a conta em caso de fraude ou de equipamento comprometido

FAQ

  • O que devo fazer no segundo em que o meu cartão não volta a sair? Fique em frente à máquina, carregue várias vezes no botão vermelho “Cancelar”, vigie a ranhura do cartão e não se afaste até a sessão terminar totalmente.
  • Se o multibanco ficar com o meu cartão, o meu dinheiro também desaparece? Não necessariamente. Um cartão pode ser retido sem que qualquer dinheiro seja levantado; verifique o saldo na app do banco ou ligue de imediato para o seu banco.
  • O staff do banco consegue devolver-me o cartão se o multibanco o engoliu? Às vezes, se o multibanco for dessa agência e as regras locais o permitirem. Muitos bancos, por norma, destroem cartões retidos e enviam-lhe um novo.
  • Os multibancos independentes são mais arriscados do que os dos bancos? Podem ser, dependendo de quem os opera e de onde estão instalados. Multibancos na rua ou dentro de lojas são, muitas vezes, menos monitorizados do que os embutidos na parede de um banco.
  • Como posso evitar este problema por completo? Use pagamentos contactless ou por telemóvel quando possível, prefira multibancos de agência ou interiores, mantenha-se atento até o cartão voltar para a sua mão e guarde o número de emergência no telemóvel.

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