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Com que frequência os especialistas realmente recomendam tomar banho na idade avançada

Pessoa a lavar as mãos numa casa de banho bem iluminada, com sabonete e toalha ao lado do lavatório.

Dentro, Margaret, 79 anos, senta-se numa cadeira de duche de plástico, os dedos a seguir a borda da barra de apoio como se fosse um corrimão familiar de uma escada antiga. A filha espera no corredor, a fingir que faz scroll no telemóvel, com os ouvidos atentos a cada salpico e a cada pausa. Isto costumava ser uma rotina de dois minutos. Agora é uma negociação. Frequência, temperatura, hora do dia. Dignidade.

Mais tarde na vida, tomar banho deixa de ser um hábito de fundo e passa a ser um tema sussurrado em cozinhas e consultórios médicos. Filhos adultos discutem com irmãos sobre “com que frequência”. Companheiros preocupam-se em silêncio com cheiros, pele, segurança. E as próprias pessoas mais velhas - que se lavaram sozinhas durante 70 anos - sentem as regras a mudar sem que ninguém explique realmente porquê.

Então, com que frequência é que os especialistas acham, de facto, que se deve tomar banho quando se é mais velho? A resposta real pode surpreendê-lo.

O que “estar limpo” realmente significa depois dos 60

Pergunte a dez pessoas com mais de 70 anos com que frequência tomam banho e terá dez histórias diferentes. Algumas continuam a entrar debaixo de água quente todas as manhãs, como um relógio. Outras esticam para duas vezes por semana e sentem-se muito bem. Os dermatologistas repetem discretamente a mesma coisa: a pele que se tem aos 25 não é a pele em que se vive aos 75.

A produção de gordura diminui. A barreira protetora afina. Duches quentes e diários que antes pareciam energizantes podem, de repente, deixar os braços a escamar e as canelas a coçar durante a noite. A velha regra do “uma vez por dia” começa a chocar com a realidade de uma pele mais velha que só quer descanso. Estar limpo nem sempre significa ficar encharcado da cabeça aos pés.

Num inquérito de 2022 a adultos com mais de 65 anos nos EUA e no Reino Unido, os investigadores encontraram uma divisão acentuada. Cerca de um terço ainda tomava banho diariamente. Outro terço dizia duas a três vezes por semana. O resto? “Quando sinto que preciso.” Um homem de 82 anos no estudo explicou que, no inverno, as pernas lhe abriam gretas se tomasse banho mais de duas vezes por semana, por isso passou a fazer limpezas rápidas com esponja nos intervalos.

É aqui que a história do banho na velhice deixa de ser sobre “disciplina” e passa a ser sobre adaptação. Uma terapeuta ocupacional com quem falei descreveu uma cliente cujo médico escreveu literalmente no plano de cuidados: “Duche completo 2–3 vezes por semana, lavagem diária dirigida de axilas, virilhas e pés.” Essa pequena mudança reduziu para metade as infeções cutâneas.

A lógica é simples. A maior parte do corpo não fica muito suja num dia normal em casa. As áreas-chave que retêm suor e bactérias são previsíveis: axilas, virilhas, pregas cutâneas, pés. Por isso, os especialistas interessam-se muito menos por quantas vezes o corpo inteiro está sob água corrente do que por saber se essas zonas são limpas com regularidade e suavidade.

É por isso que muitos geriatras falam hoje em rotinas de higiene em vez de “duches”. Uma lavagem completa duas ou três vezes por semana, combinada com limpezas rápidas diárias das áreas de maior risco, protege muitas vezes melhor tanto a pele como a dignidade do que duches diários rígidos que deixam as pessoas exaustas ou com medo de cair.

Com que frequência devem mesmo os adultos mais velhos tomar banho?

Se pedir um número a um geriatra, normalmente ouvirá um intervalo pequeno, não uma regra rígida. Para a maioria dos adultos mais velhos saudáveis a viver em casa, muitos especialistas convergem nisto: um duche ou banho completo cerca de 2–3 vezes por semana. Mais, se a pessoa for muito ativa ou suar muito; menos, se a pele for extremamente frágil e a limpeza diária localizada for bem feita.

Esse “2–3” surpreende muitas famílias que cresceram com o evangelho do duche diário. Mas os especialistas em pele veem todos os dias as consequências dessa regra antiga: calcanhares gretados, canelas vermelhas, costas a escamar. E dir-lhe-ão que, se uma pessoa mais velha detesta tomar banho porque dói ou a deixa gelada e tonta, é muito mais provável que o evite por completo. Um ritmo mais suave dá melhores resultados na vida real.

Numa tranquila manhã de terça-feira numa pequena cidade francesa, uma enfermeira chamada Claire aparece às 8h para o que chama “dia do banho” com os seus clientes mais velhos. Para uma mulher na casa dos 80 com artrite e pele finíssima, combinaram dois duches completos por semana, mais o que a Claire chama “o essencial” todos os dias ao lavatório.

Axilas, entre as pernas, debaixo dos seios, à volta das pregas cutâneas e pés. Cinco minutos, água morna, pano macio, feito. Seguem esta rotina há três anos. A filha da mulher confidencia que o cheiro que começara a notar no quarto da mãe simplesmente desapareceu. Sem necessidade de duches completos diários. Apenas cuidados consistentes nas zonas que contam.

Estudos sobre higiene em lares mostram o mesmo. Instituições que passam de apressar os residentes com duches diários rápidos para dias de banho ligeiramente menos frequentes, mas mais calmos e melhor organizados - mais lavagem localizada diária - veem muitas vezes menos lacerações cutâneas e menos agitação. Um lar japonês chegou a relatar que alguns residentes dormiam melhor quando banhos longos e quentes diários foram substituídos por banhos mais curtos e espaçados.

A ciência por detrás destas histórias assenta na função de barreira da pele. Cada duche quente e com sabão remove óleos. A pele jovem recupera. A pele envelhecida não recupera com a mesma facilidade. O excesso de lavagem pode criar fissuras microscópicas que convidam à irritação e à infeção. É por isso que muitos dermatologistas se opõem discretamente à obsessão cultural pelos duches diários de corpo inteiro em quem tem pele envelhecida ou sensível.

Não estão a dizer para deixar de se lavar. Estão a mudar o foco: controlar odores e infeções com limpeza direcionada e, depois, acrescentar duches completos num ritmo que a pele e as articulações consigam realmente suportar. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias como nos anúncios.

Tomar banho de forma mais inteligente, não apenas “mais vezes”

Quando se ultrapassa a ideia de que “mais duches = melhor higiene”, a pergunta muda. Passa a ser: como pode um corpo mais velho lavar-se de formas que pareçam seguras, gentis e sustentáveis ao longo do tempo? Muitos especialistas recomendam discretamente criar um ritmo semanal, em vez de se obcecar com cada dia em particular.

Para alguém na casa dos 70, isso pode parecer: duche completo à segunda e à sexta, lavagem rápida ao lavatório de axilas, virilhas e pés em dias alternados, com o cabelo lavado uma ou duas vezes por semana, dependendo da oleosidade do couro cabeludo. Para alguém com menos mobilidade, talvez seja um duche e vários “quase duches” com uma bacia e um pano.

O truque é fazer com que essas rotinas pareçam menos tarefas médicas e mais pequenos rituais. Aquecer a casa de banho. Deixar as toalhas preparadas. Usar um chuveiro de mão para não ser preciso rodar o corpo. Trocar géis agressivos por produtos cremosos e sem fragrância. Um tapete antiderrapante e uma cadeira sólida importam muitas vezes mais do que o champô mais caro da prateleira.

Na prática, o erro mais comum das famílias é associar higiene à crítica. “Tens de tomar banho, cheiras mal” quase garante resistência. A nível humano, soa a julgamento, não a cuidado. A nível de segurança, pode levar alguém a apressar o banho só para provar um ponto, aumentando o risco de escorregar.

Há ainda um pormenor: muitos adultos mais velhos temem em silêncio o choque de frio ao sair da água. Uma toalha extra, um quarto um pouco mais quente ou um roupão aquecido podem mudar totalmente a relação com o banho. Do ponto de vista técnico, o excesso de sabão é frequente. Muitos especialistas sugerem usar sabonete apenas nas zonas-chave, deixando a água morna fazer o resto.

Todos já tivemos aquele momento em que olhamos para o duche e pensamos: “Hoje não.” Para alguém de 82 anos com uma prótese recente na anca, essa sensação multiplica-se pelo medo. Se alguém de quem gosta está a evitar o banho, muitas vezes é menos preguiça e mais dor, cansaço ou vergonha. Começar a conversa com curiosidade - “É o frio? É estar de pé? É esfregar?” - tende a revelar algo que se consegue realmente resolver.

“Para a maioria dos adultos mais velhos, a questão não é ‘todos os dias ou não?’”, diz a Dra. Helen Katz, geriatra em Londres. “É ‘como é que protegemos a pele, a dignidade e a segurança ao mesmo tempo?’ Essa resposta quase nunca se parece com as rotinas que tinham aos 30.”

  • Duche completo 2–3 vezes por semana é suficiente para muitos adultos mais velhos com níveis normais de atividade.
  • A limpeza diária de axilas, virilhas, pregas cutâneas e pés ajuda a controlar odores e infeções.
  • Usar água morna, produtos suaves e hidratante logo após a lavagem ajuda a proteger a pele frágil.

Repensar a “frescura” à medida que os anos passam

A higiene na fase final da vida toca em algo mais profundo do que água e sabão. É sobre como vemos os corpos envelhecidos - os nossos e os de quem amamos. O guião cultural equipara frescura a um duche diário perfumado, cabelo impecavelmente lavado, pele esfregada até ficar “limpa”. A vida real, especialmente depois dos 70, é mais complexa, mais delicada e, por vezes, mais crua.

Para muitos adultos mais velhos, o ritmo certo de banho torna-se um ato de autoproteção. Não contra a sujidade, mas contra quedas, pele gretada e exaustão. Famílias que ajustam as expectativas - trocando o rígido “todos os dias ou nada” por uma rotina flexível, apoiada por especialistas - notam muitas vezes que a tensão em casa diminui. Os cheiros desaparecem, mas as discussões também.

Alguns leitores irão contar discretamente os próprios duches enquanto leem isto no sofá, a perguntar-se se “estão a fazer mal”. Outros estarão a pensar num pai ou numa mãe, a imaginar aquela cadeira de plástico na banheira. Quanto mais falarmos honestamente sobre o que os médicos realmente recomendam, mais fácil se torna desenhar rotinas que se ajustem a corpos reais, casas reais, invernos reais.

Da próxima vez que ouvir alguém a fazer uma piada sobre pessoas mais velhas “não quererem lavar-se”, talvez se lembre de que, para muitos, entrar no duche é agora um pequeno ato de coragem. Uma trégua negociada entre uma pele que precisa de gentileza, articulações que já não dobram como antes e uma cultura que ainda idolatra a descarga diária de água quente. A verdadeira questão não é “com que frequência” como número. É “com que frequência funciona - com segurança, com cuidado e com um pouco de conforto ainda sobrante”.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Frequência recomendada 2–3 duches completos por semana para muitas pessoas idosas, com lavagem direcionada diária Saber se a rotina atual é adequada ou demasiado agressiva para a pele
Zonas prioritárias Axilas, pregas cutâneas, virilhas, debaixo dos seios, pés Concentrar o esforço onde realmente protege contra odores e infeções
Segurança e conforto Cadeira de duche, barra de apoio, água morna, produtos suaves, hidratação após Reduzir o medo de cair, as irritações e tornar o momento mais agradável

FAQ

  • Com que frequência deve um adulto saudável de 70 anos tomar banho? Muitos dermatologistas e geriatras sugerem um duche completo 2–3 vezes por semana, mais lavagem diária das zonas-chave como axilas, virilhas, pregas cutâneas e pés.
  • É anti-higiénico para adultos mais velhos saltarem o duche diário? Não necessariamente. A higiene depende de quão bem as zonas-chave são limpas e de com que frequência se muda a roupa e a roupa interior - não apenas de duches de corpo inteiro.
  • E se o meu pai/minha mãe recusar tomar banho? Comece por perguntar o que é mais difícil - medo de cair, frio, dor, vergonha - e adapte: cadeira de duche, quarto mais quente, ajuda apenas com o cabelo ou as costas, ou passar a lavar-se mais vezes ao lavatório.
  • Tomar banho demasiado frequentemente pode prejudicar a pele envelhecida? Sim. Duches quentes e frequentes com sabonetes fortes podem secar e gretar a pele envelhecida, aumentando o risco de irritação e infeção; lavagens mais suaves e menos frequentes costumam resultar melhor.
  • Com que frequência devem os adultos mais velhos lavar o cabelo? Para muitos, uma ou duas vezes por semana é suficiente, embora couros cabeludos oleosos possam precisar de mais e cabelo muito seco ou encaracolado possa beneficiar de menos lavagens com produtos hidratantes.

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