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Fim do ar condicionado? Nova tecnologia pode arrefecer casas usando até 80% menos energia.

Pessoa enche reservatório de humidificador numa sala com luz natural e plantas, ao lado de um smartphone numa mesa.

Across cidades quentes, a corrida é por um arrefecimento mais inteligente que não esgote as carteiras nem a rede elétrica. Um novo sistema à base de água, chamado Caeli One, afirma reduzir de forma acentuada o consumo de eletricidade, mantendo os espaços interiores confortáveis.

Como um arrefecedor à base de água desafia o ar condicionado tradicional

Os aparelhos de ar condicionado convencionais dependem de compressores e de gases refrigerantes químicos. Estas unidades consomem muita eletricidade e aumentam a pressão sobre redes já esticadas por ondas de calor. Também tendem a usar gases que, se houver fugas, prejudicam o clima.

O Caeli One segue um caminho muito diferente. Em vez de comprimir gás, utiliza um processo adiabático, em que a evaporação da água arrefece o ar à medida que este atravessa o sistema.

O fabricante do Caeli One afirma que o dispositivo pode reduzir o consumo de eletricidade em até 80% face a uma unidade típica de ar condicionado.

O princípio é física simples. O ar quente passa sobre ou através de uma superfície húmida. Quando parte da água evapora, absorve calor do ar, diminuindo a temperatura do ar. Este ar arrefecido segue então para o interior, enquanto o calor é, na prática, transferido para o exterior.

Segundo a empresa, cada watt de eletricidade consumido pelo Caeli One produz cerca de 16 watts de arrefecimento. Esse nível de desempenho seria aproximadamente cinco vezes superior ao de muitos sistemas de arrefecimento existentes, pelo menos nas condições certas.

Os números: o que 80% menos energia realmente significa

As poupanças de energia podem soar abstratas, por isso a verdadeira questão é o que esta mudança faz ao orçamento de uma casa.

  • Ar condicionado split tradicional (divisão média): frequentemente 900–1.500 watts quando está a funcionar.
  • Unidade de alta eficiência: mais perto de 700–1.000 watts em condições semelhantes.
  • Caeli One (alegado): cerca de 20% do consumo de eletricidade de uma unidade padrão.

Para uma casa a usar ar condicionado seis horas por dia durante um verão longo, estas diferenças acumulam-se rapidamente. Em regiões que caminham para temperaturas recorde até 2026, até ganhos modestos de eficiência podem mudar os custos mensais. Uma redução de 80%, se for alcançada, significaria a diferença entre “usar com parcimónia” e “usar diariamente sem receio da fatura”.

Uma alternativa ao ar condicionado que use apenas um quinto da energia pode transformar o arrefecimento de um luxo nas horas de ponta num conforto mais rotineiro.

Consumo de água: quanta água utiliza, afinal?

Uma pergunta natural em qualquer sistema evaporativo é a necessidade de água. O desenvolvedor insiste que o dispositivo precisa de surpreendentemente pouco. A empresa refere que quatro meses de uso contínuo requerem cerca de um metro cúbico de água.

Um metro cúbico corresponde a 1.000 litros, aproximadamente o mesmo que cerca de 15 duches médios. Distribuída por toda uma época de arrefecimento, essa quantidade parece gerível para a maioria das casas urbanas, sobretudo em áreas onde o consumo doméstico de água já é muito superior em duches, máquinas de lavar e mangueiras de jardim.

Energia versus água: o compromisso

A transição de um arrefecimento intensivo em eletricidade para um arrefecimento assistido por água levanta um equilíbrio delicado entre dois recursos. Em muitos locais, a eletricidade continua a ser intensiva em carbono e cara nas horas de ponta. A água, em contraste, pode ser mais barata, mas está cada vez mais vulnerável à seca.

Aspeto Ar condicionado tradicional Sistema ao estilo Caeli One
Principal recurso utilizado Eletricidade elevada, pouca água direta Eletricidade baixa, água moderada
Método de arrefecimento Compressor + gases refrigerantes Evaporação de água (adiabático)
Impacto climático Carga na rede + fugas de refrigerante Menor carga na rede, sem gases refrigerantes
Melhor clima Funciona na maioria das condições Tem melhor desempenho com ar mais seco

Em países que já lidam com stress hídrico, a implementação a longo prazo de sistemas deste tipo exigiria planeamento cuidadoso. A reutilização de águas cinzentas ou a recolha de água da chuva poderiam atenuar esse impacto.

Como o sistema é instalado e como se apresenta na prática

Parte do apelo está na simplicidade da instalação. O sistema, segundo consta, precisa apenas de uma tomada elétrica normal, uma ligação básica à água e dois pequenos cartuchos fixos a uma parede exterior. Sem compressor exterior volumoso, sem longas linhas de refrigerante e com menos intervenções especializadas.

Esta baixa barreira pode ser adequada a edifícios mais antigos, onde a instalação de splits convencionais é difícil ou proibida por regras locais de planeamento. Inquilinos também podem ver vantagem numa remoção mais fácil e numa menor perturbação inicial.

Uma instalação minimalista - tomada, linha de água e módulos exteriores compactos - transforma o arrefecimento avançado em algo mais próximo de um eletrodoméstico comum.

Humidade: o calcanhar de Aquiles do arrefecimento evaporativo

A grande limitação vem da humidade. O arrefecimento evaporativo prospera em climas secos, onde o ar consegue absorver muita humidade adicional. Em regiões muito húmidas, essa capacidade diminui e o efeito de arrefecimento enfraquece.

O fabricante reconhece esta restrição. Em cidades costeiras ou tropicais com elevada humidade, o desempenho pode cair e começar a assemelhar-se ao dos sistemas convencionais, pelo menos em termos de conforto percebido. Em vez de um frio nítido e seco, os utilizadores podem sentir uma brisa mais suave e húmida, que algumas pessoas consideram menos agradável durante calor extremo.

Isso não torna a tecnologia inútil nessas zonas, mas reduz a sua vantagem. Pode funcionar melhor como complemento ao ar condicionado tradicional, tratando os dias mais amenos e as horas fora de ponta, enquanto a unidade com compressor entra em ação nas condições mais abafadas.

Porque está a aumentar a procura por alternativas

Do Brasil ao sul da Europa e ao sul dos EUA, as famílias enfrentam agora uma questão recorrente: manter-se fresco ou manter os custos sob controlo. As tarifas de eletricidade muitas vezes disparam durante ondas de calor. Ocorrem cortes de energia quando todos ligam o arrefecimento ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, os governos falam cada vez mais em reduzir gradualmente os refrigerantes nocivos.

Novos sistemas como o Caeli One encaixam nessa lacuna. Apontam para três pressões em simultâneo:

  • Contas de energia a subir para famílias e inquilinos.
  • Redes elétricas sobrecarregadas durante ondas de calor.
  • Preocupação pública com as alterações climáticas e com os gases refrigerantes.

Para muitos consumidores, o cálculo vai além do simples tempo de retorno do investimento. Um dispositivo percebido como de menor impacto, com maquinaria menos complexa e menos químicos, tem o seu próprio apelo.

O que os proprietários devem verificar antes de mudar

Quem estiver tentado por um sistema de arrefecimento de baixo consumo como este precisa de olhar para além da promessa de “80% menos energia”. Os dados climáticos locais importam muito. A humidade média do verão, as temperaturas típicas durante a noite e o design do edifício moldam o desempenho no mundo real.

Casas bem isoladas e com bom sombreamento combinam muito bem com sistemas evaporativos, porque reduzem os ganhos de calor e preservam o ar mais fresco. Apartamentos com muita área envidraçada e forte exposição solar podem ainda precisar de uma unidade de apoio com compressor nas horas de maior calor.

Uma lista prática para potenciais utilizadores pode incluir:

  • Humidade relativa média nos meses mais quentes.
  • Acesso a uma fonte de água fiável e regras locais sobre uso de água.
  • Orientação das janelas e sombreamento existente.
  • Possibilidade de combinar com ventoinhas de teto ou ventilação cruzada.
  • Se o edifício permite dispositivos no exterior das fachadas.

Considerações de saúde, conforto e qualidade do ar

Os sistemas evaporativos acrescentam humidade ao ar, o que pode ajudar quem sofre com ambientes interiores muito secos. Ao mesmo tempo, qualquer equipamento à base de água tem de ser bem mantido. Água estagnada e filtros negligenciados aumentam o risco de odores ou crescimento biológico.

Rotinas regulares de limpeza, substituição de filtros e orientações claras do fabricante passam a fazer parte do pacote. Para quem tem alergias, a qualidade da filtragem e o percurso do ar de entrada merecem atenção redobrada.

O que esta mudança significa para o futuro do arrefecimento

O aumento de dispositivos como o Caeli One sinaliza uma mudança face a uma visão de “tamanho único” do ar condicionado. Em vez de depender apenas de grandes unidades com compressor, o futuro poderá combinar várias técnicas: arrefecimento evaporativo, melhor isolamento, telhados refletivos, sombreamento inteligente e bombas de calor de alta eficiência.

Os urbanistas já avaliam como os bairros retêm ou libertam calor. Se os arrefecedores à base de água se disseminarem, as cidades poderão ter de gerir em conjunto os microclimas locais e a procura de água. Essa conversa pode alterar códigos de construção, design de coberturas e a forma como novos apartamentos se preparam para extremos climáticos.

Para as famílias, o maior valor poderá surgir em estratégias híbridas. Uma família pode usar um sistema evaporativo na maior parte do dia, mudar para o ar condicionado convencional nas duas horas mais quentes e recorrer a ventoinhas para fazer circular o ar. Este tipo de combinação reduz a procura de ponta, baixa as emissões e ainda mantém as divisões suportáveis durante as semanas mais duras do verão.

A tecnologia por detrás do Caeli One não elimina a necessidade de melhor desenho habitacional ou de reforços na rede. No entanto, acrescenta uma ferramenta nova a um conjunto de soluções em rápida expansão: arrefecimento que se apoia na água em vez de num elevado consumo de eletricidade, procurando manter sob controlo tanto as temperaturas interiores como as faturas mensais.

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