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Más notícias para os puristas da moda: em 2026, as calças largas saem de cena e as calças “old money” estilo Gstaad dominam as ruas.

Pessoa com calças bege e sapatos castanhos a atravessar rua, segurando mala. Casa de madeira ao fundo.

Sur os passeios, no metro, até nos open spaces, algo mudou silenciosamente: as pernas das calças estreitaram. As grandes silhuetas fluidas que dominavam o TikTok começam a desaparecer, substituídas por um estilo mais seco, mais rico, quase insolente. Em 2026, as wide trousers cedem lugar a uma nova obsessão: as “Gstaad pants”, calças de corte old money que parecem um fim de semana discreto num chalé suíço. Achávamos que estávamos em plena era do oversized eterno. E, no entanto, a rua conta outra história.

Wide trousers out, Gstaad pants in: o que está realmente a acontecer em 2026

Numa quinta-feira à noite de janeiro, em Londres, Shoreditch. As silhuetas que saem dos escritórios já não flutuam em enormes puddle pants; agora batem o passeio com calças bege impecavelmente passadas, a cair mesmo acima do mocassim. Parecem herdeiros saídos de um colégio interno suíço - exceto que seguram tote bags de startups e cafés filtrados. As wide trousers ainda cá estão, mas remetidas para looks de fim de semana, menos no centro do jogo. Em 2026, o corte aperta um pouco, a perna fica direita, a cintura sobe, e a palavra de ordem é clara: queremos parecer ricos… sem parecer que estamos a tentar.

Olha para os feeds. No Instagram, os influenciadores que dominam os algoritmos já só juram por estas calças em tons “aveia”, “gravel” ou “cappuccino”. As hashtags #gstaadcore e #oldmoneypants sobem, enquanto os vídeos “how to style baggy jeans” estagnam. Um estudo interno de uma grande plataforma de revenda mostra um aumento de dois dígitos nas pesquisas por “pleated wool trousers” desde o fim de 2025. Até a Zara e a H&M reorganizaram as secções de homem e mulher: menos “paraquedas” em ganga, mais gabardinas direitas, cintadas, prontas para usar com uma camisola de caxemira. As wide trousers não desapareceram - apenas perderam a liderança.

Esta viragem não é um simples capricho de moda. Conta uma fadiga geral perante a “loud fashion” dos últimos anos: logótipos gigantes, silhuetas desmesuradas, volumes quase de fantasia. As Gstaad pants, pelo contrário, sussurram onde as baggys gritavam. Vão buscar inspiração ao guarda-roupa dos anos 80 e 90, às fotografias de férias de famílias que nunca exibiam riqueza no Instagram - porque não havia Instagram. Old money energy é o fantasma de uma vida elegante e estável num mundo que vai depressa demais. Quanto mais incerta é a realidade, mais reconfortante se torna o corte da calça: seguro, limpo, quase conservador.

How to spot - and style - real “Gstaad pants” in 2026

Uma verdadeira Gstaad pant reconhece-se pela estrutura. A cintura é mais alta, a perna é direita ou muito ligeiramente afunilada, e o comprimento cai exatamente no sítio certo: uma pequena quebra em cima do sapato, nada mais. O tecido tem corpo: lã fria, flanela fina, gabardina de algodão densa. Evitam-se matérias demasiado moles que cedem ao fim de uma hora. Para começar, escolhe uma cor neutra - bege, cinzento rato, azul-marinho - que funcione com o que já tens no armário. Depois, joga com um detalhe de cada vez: uma pinça bem marcada, uma bainha com dobra discreta, um cinto de pele simples.

Falemos a sério: ninguém faz isto todos os dias, mas experimenta uma vez construir o outfit a partir da calça, e não dos sapatos. Veste a tua Gstaad pant, olha para o corte ao espelho, e coloca por cima uma t-shirt branca bem cortada ou uma camisa azul-clara. Junta um cardigan de gola em V ou um blazer sem ombreiras e, de repente, pareces ter acabado de sair de um clube de ténis privado sem pagar a quota. Erro frequente: achar que este estilo exige um orçamento absurdo. Uma boa calça bem passada, um par de mocassins decentes e uma camisola limpa chegam para contar a história.

Como explica um stylist parisiense que veste tanto advogados como criadores:

«A Gstaad pant não é um uniforme de ricos; é um atalho visual. Diz: eu conheço os códigos, mesmo que a minha conta bancária não tenha nada de alpino.»

Para te orientares no meio do fluxo de tendências, guarda alguns pontos simples:

  • Corte: cintura alta, perna direita, sem volume desnecessário; com ou sem pinças, mas sempre limpo.
  • Comprimento: uma única quebra no sapato; nunca a arrastar no chão, nunca “à pescador”.
  • Matéria: tecidos com estrutura (lã, gabardina, algodão grosso); evita poliésteres brilhantes.
  • Paleta: beges, cinzentos, azuis apagados; branco sujo no verão; preto com moderação.
  • Espírito: descontraído, cuidado, ligeiramente “heritage”; não fato de casamento, não street total.

Why this “old money” pant trend hits a nerve - and what it says about us

Por detrás deste regresso da calça “arranjadinha” há uma necessidade de controlo. Depois de anos a “sobredimensionar” tudo, a esconder-nos em volumes XXL, voltamos a uma silhueta que mostra a forma da perna sem a colar ao corpo. É um compromisso estranho: já não queremos desaparecer nas dobras, mas também não ousamos o slim ultra justo do início dos anos 2010. A Gstaad pant traça uma linha discreta entre os dois mundos. Enquadra o corpo; não o anuncia. Isso tranquiliza, sobretudo em escritórios onde o dress code é ambíguo, entre hoodie e camisa.

Estas calças também sintetizam a nostalgia visual que domina as redes. Fazemos scroll por fotos de arquivo, álbuns de família digitalizados, filmes rodados na Suíça, em Aspen, em Megève, onde as calças estavam sempre “bem demais” para simples férias. Inventamos um passado onde tudo era mais lento, mais arrumado, mais “luxo sem logótipo”. As wide trousers tinham algo de alegremente adolescente, quase rebelde. As Gstaad pants, por sua vez, jogam a carta do “eu já estou instalado”, mesmo quando o frigorífico está meio vazio.

Para os puristas da moda, a mudança custa um pouco. Defenderam as wide trousers como uma libertação das coxas, uma vingança sobre dez anos de skinny. Ver a rua adotar cortes mais sensatos, mais burgueses, parece um retrocesso. Só que não é bem isso. A diferença está no styling. Já não se usam estas calças com camisa apertada e blazer rígido, mas com hoodies, coletes com fecho, ténis limpos. É uma calça antiga num cenário moderno - como colar um herdeiro de romance num cowork cheio de plantas. E é precisamente essa dissonância que fascina.

Ponto-chave Detalhes Porque interessa aos leitores
Reconhecer uma verdadeira “Gstaad pant” Cintura alta, perna direita ou ligeiramente afunilada, vinco nítido, tornozelo a tocar no sapato, em lã ou algodão denso. Cores no espectro bege–cinzento–azul-marinho. Evita comprares mais uma calça “meio larga” que envelhece depressa e garante uma peça que dá para trabalho, copos ou brunch de fim de semana sem mudares o guarda-roupa todo.
Como a usar com um orçamento normal Combina com t-shirt branca simples, camisola azul-marinho de gola redonda, mocassins ou ténis limpos, mais um bom cinto. Mistura calças de cadeia rápida com malhas vintage ou blazers em segunda mão. Torna o look old-money acessível sem marcas de luxo, para conseguires a vibe de Gstaad a viver num apartamento pequeno e a preparar refeições ao domingo.
Transição a partir das wide trousers Começa com uma perna ligeiramente mais estreita, mantém o topo descontraído e encurta a bainha gradualmente. Alterna: ganga baggy num dia, Gstaad pants no dia seguinte. Permite experimentar a nova silhueta sem sentires que traíste o teu estilo e distribui o custo ao longo do tempo, em vez de virares o armário numa só estação.

O que mais impressiona, no fundo, é a velocidade com que a rua se ajusta. As mesmas pessoas que juravam que nunca largariam as wide pants já deslizam para cortes mais secos, sem sequer o admitir. De manhã, diante do armário, a mão ainda hesita entre a ganga oversized e estas novas calças bege com pinças. Nuns dias escolhe-se o conforto flutuante; noutros, a linha limpa que dá a sensação de ter a vida um pouco mais sob controlo. A tensão entre estes dois desejos diz muito sobre a nossa época. E essa tensão vê-se agora, muito concretamente, na largura de uma bainha.

FAQ

  • As wide trousers estão mesmo “acabadas” em 2026?
    Não foram banidas da rua, mas perderam claramente o estatuto de peça dominante. As wide trousers passam para segundo plano, reservadas a looks mais descontraídos, enquanto os cortes direitos e “old money” mais limpos se tornam o novo standard urbano.

  • Que tipos de corpo ficam bem com calças ao estilo Gstaad?
    Cortes de cintura alta e perna direita favorecem a maioria das silhuetas porque alongam as pernas sem as colar. Pessoas muito baixas ganham em escolher uma versão ligeiramente mais curta; quem tem ancas mais marcadas pode optar por uma pinça discreta e um tecido com boa queda, em vez de algo rígido como cartão.

  • Preciso de marcas caras para ter o look old money?
    Não. Podes encontrar Gstaad pants credíveis na COS, Uniqlo, Arket, nas linhas premium da Zara, ou em lojas de segunda mão com calças de fato ajustadas. O segredo não é a etiqueta, mas o cair do tecido e um bom engomar.

  • Quantos pares de Gstaad pants devo ter?
    Para a maioria das pessoas, dois chegam: um bege ou cru para dias mais luminosos e um cinzento ou azul-marinho para o escritório e a noite. A partir daí é prazer, não necessidade. Mais vale dois muito bem cortados do que cinco medianos.

  • Posso usar Gstaad pants com ténis?
    Sim - e é precisamente aí que o look fica interessante. Ténis brancos limpos ou running retro quebram o lado “clube privado” da calça e tornam-na credível na vida real, do metro ao bar.

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