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Não é aos 65 nem aos 75: idade limite para manter carta de condução em França foi agora confirmada.

Homem idoso a conduzir, mulher sentada ao lado no carro estacionado, cenário urbano ao fundo.

Todos já vivemos aquele momento em que, parados num semáforo, lançamos um olhar ao condutor do carro ao lado e damos por nós a tentar adivinhar a idade dele

Em Paris, Lyon ou numa pequena aldeia da Corrèze, a cena repete-se: um reformado ao volante de um Clio, óculos no nariz, gestos prudentes - por vezes, até demais. Ao lado, um trintão que ainda está a mexer no smartphone enquanto espera. Quem é, afinal, o mais perigoso na estrada? Em França, a questão da carta dos seniores volta sempre ao debate, nos programas de televisão e nas reuniões de família. 65 anos? 75 anos? Deve existir um limite de idade para continuar a conduzir?
Nos últimos dias, caiu a resposta oficial. E vai surpreender muita gente.

Não 65 nem 75: o que França acabou de decidir

Falava-se nisso como se fosse evidente: “A certa altura, vai ter de haver um limite de idade para conduzir.” Só que França acabou de confirmar o contrário. Não existe qualquer idade máxima automática para manter a carta. Nem 65. Nem 75. Nada. Juridicamente, um condutor francês pode conservar a carta enquanto se mantiver apto - mesmo aos 85, 90 ou 95 anos.
Perante os debates europeus sobre a condução pelos seniores, França optou por apostar na aptidão médica, e não num número “mágico”. É uma escolha política, mas também muito concreta para milhões de condutores.

Olhe para os números: segundo o ONISR, a proporção de condutores seniores envolvidos em acidentes mortais aumentou, sobretudo com o envelhecimento da população. Em paralelo, os maiores de 65 anos conduzem muitas vezes menos, em trajetos curtos, na cidade ou em meio rural. Um avô que faz 4 quilómetros para ir buscar pão não tem o mesmo perfil de risco que um motorista TVDE que faz 300 quilómetros por dia.
A ideia de um “corte” aos 70 ou 75 tranquiliza alguns, mas também cria uma ansiedade surda noutros. Perder a carta é, por vezes, perder autonomia, ligação social e capacidade de viver sozinho.

A posição francesa resume-se a uma lógica simples: a idade não diz tudo. Duas pessoas com 75 anos podem ter capacidades completamente opostas. Uma caminha todos os dias, anda de bicicleta, vê perfeitamente e reage depressa. Outra acumula diabetes, visão em declínio e fadiga crónica. Fixar um limite uniforme é colocar estas duas realidades na mesma gaveta administrativa.
As autoridades lembram que a carta já pode ser suspensa ou retirada por parecer médico, independentemente da idade. O médico de família tem um papel-chave: pode sinalizar uma inaptidão, temporária ou duradoura. A novidade é, sobretudo, a confirmação clara de que França recusa, por agora, a ideia de um controlo automático a partir de uma idade específica. Uma escolha assumida… e divisiva.

Como manter a carta por mais tempo (sem enganar-se a si próprio)

Manter a carta numa idade avançada, em França, vai depender de uma coisa: provar, na prática, que se continua apto a conduzir. Não com grandes declarações, mas com gestos muito concretos. O primeiro passo é fazer uma consulta médica regular - pelo menos de dois em dois ou de três em três anos depois dos 65 - mesmo que a lei não o imponha de forma sistemática.
Visão, audição, tensão arterial, mobilidade do pescoço e dos ombros, medicamentos que provocam sonolência: tudo conta. Um simples ajuste de óculos ou uma alteração de medicação pode transformar um condutor “perigoso sem saber” num condutor “suficientemente seguro para continuar”.

Na estrada, a verdadeira diferença está nos hábitos. Muitos seniores já adaptam espontaneamente a condução: evitar conduzir à noite, abdicar de autoestradas muito carregadas, dizer não a viagens longas e cansativas. Sejamos honestos: ninguém faz isto de forma perfeita todos os dias, mas este tipo de autodisciplina salva vidas.
Um exemplo concreto: a Marie, 78 anos, reformada perto de Toulouse, decidiu deixar de conduzir quando chove muito. Um dia, falhou a saída de uma rotunda sob um aguaceiro, entrou em pânico e quase teve uma colisão. Desde então, mantém o seu carro pequeno… mas escolhe as condições. Não “perdeu” a carta: redesenhou o seu território de condução.

Os erros mais frequentes estão muitas vezes ligados ao orgulho ou ao medo de incomodar. Um avô que não quer “chatear” os filhos para uma ida ao médico. Uma avó que não se atreve a dizer que já não vê bem à noite. A família tem um papel delicado, entre respeito e vigilância. Falar de um “reteste” da carta ou de um simples estágio de atualização pode ser visto como um ataque, quando na realidade é muitas vezes uma bóia de segurança.

“Prefiro que o meu pai faça um estágio de condução e fique zangado dois dias, do que um polícia me ligue para me anunciar uma tragédia na nacional”, contou recentemente uma leitora num debate sobre segurança rodoviária.

  • Não esperar por um acidente para consultar um médico sobre a capacidade de conduzir.
  • Ousar falar com franqueza em família, sem infantilizar a pessoa idosa.
  • Considerar carro partilhado, boleias organizadas ou transportes locais como plano B - e não como castigo.

Um futuro em que a idade não será a principal questão

O que a decisão francesa diz, nas entrelinhas, é que o verdadeiro tema já não é apenas a idade, mas a forma como se organiza a mobilidade dos maiores de 65 anos. Entre apps de TVDE, transportes a pedido das autarquias, bicicletas elétricas e serviços de entrega, conduzir o próprio carro já não é a única forma de se manter autónomo.
O limite de idade da carta - ou, melhor, a sua ausência - remete cada um para uma escolha íntima: até que ponto preciso mesmo de conduzir? Em que momento passo de “condutor prudente” a “risco para mim e para os outros”? A lei não dará essa resposta por nós.

Nos próximos anos, é provável que se instale um debate sobre um compromisso: não um limite de idade fixo, mas avaliações de condução mais frequentes após um certo marco, 70 ou 75 anos, por exemplo. Testes simples, em escolas de condução ou junto de médicos credenciados, para avaliar visão, reflexos e gestão do stress. A Europa pressiona nesse sentido; vários países já ponderam um sistema mais homogéneo.
França, por enquanto, joga a carta da confiança enquadrada. Aposta na responsabilidade individual, apoiada por médicos, famílias e autarcas, em vez de um número inscrito na lei.

No fundo, esta questão da carta dos seniores toca em algo muito íntimo: a forma como uma sociedade encara o envelhecimento. Deve-se tirar as chaves do carro a uma pessoa idosa como se tira um brinquedo perigoso a uma criança, ou acompanhá-la para que decida por si o momento certo para abrandar?
Por detrás de cada número de acidente há uma história, um rosto - e muitas vezes um compromisso falhado entre segurança e dignidade. O que está em jogo hoje em França não é apenas uma regra administrativa, mas uma conversa coletiva sobre a forma como envelhecemos… e como continuamos livres, o máximo de tempo possível.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Sem limite legal de idade Não existe idade máxima, como 65 ou 75 anos, para manter a carta em França Tranquiliza os condutores seniores e as suas famílias quanto ao enquadramento legal real
Papel central do médico A capacidade de conduzir depende da aptidão médica, não de um simples número Ajuda a antecipar os passos úteis para manter a carta por mais tempo
Adaptação em vez de proibição Trajetos mais curtos, evitar a noite, avaliações regulares, estágios de atualização Oferece pistas concretas para continuar a conduzir sem se colocar em perigo

FAQ

  • Existe uma idade máxima para manter a carta de condução em França?
    Legalmente, não. Não há uma idade fixa, como 65 ou 75 anos, a partir da qual a carta se torne automaticamente inválida. O que realmente importa é manter-se medicamente apto a conduzir.
  • Um médico pode mandar suspender a minha carta?
    Sim. Se um médico considerar que o seu estado de saúde o torna inapto para conduzir em segurança, pode comunicá-lo às autoridades, o que pode levar a uma suspensão ou retirada, independentemente da idade.
  • Os exames médicos são obrigatórios a partir de uma certa idade?
    Para uma carta B “normal”, não são automaticamente exigidos exames de rotina apenas por causa da idade. Tornam-se obrigatórios sobretudo para certas cartas profissionais ou se for declarada uma condição médica.
  • Posso fazer uma avaliação de condução se tiver mais de 70 anos?
    Sim. Muitas escolas de condução e associações oferecem avaliações voluntárias ou cursos de atualização para condutores seniores que querem confirmar competências e atualizar hábitos.
  • Quais são os sinais de alerta de que devo considerar deixar de conduzir?
    Quase-acidentes frequentes, dificuldade em ler sinalização, sensação de estar “sobrecarregado” em rotundas ou cruzamentos, perder-se em percursos familiares, ou familiares a manifestarem preocupação repetida são sinais fortes para repensar a condução.

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