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Nivea: Apliquei o creme azul só de um lado do rosto todas as noites durante uma semana. Eis o resultado.

Mulher aplica creme facial azul em frente ao espelho na casa de banho.

Metade da minha cara a brilhar com aquele creme azul espesso e icónico da Nivea; a outra metade com o meu hidratante leve de sempre. Ficava ridículo. O meu companheiro gritou do outro lado da porta: “Estás a fazer algum tipo de experiência do Joker?”

Mesmo assim, havia aquele pequeno entusiasmo. A mesma curiosidade que se sente antes de ver fotografias antigas ou de subir à balança depois das festas. Será que um clássico de 3£ ia mesmo superar os meus séruns caros e fórmulas em gel?

Durante uma semana, fui para a cama com uma bochecha pegajosa e pesada e a outra quase “a seco”. Tentava não espreitar demasiado todas as manhãs, mas a luz da casa de banho não mente. Ao terceiro dia, começou a acontecer algo inesperado.

A semana em que dividi a cara em duas

No primeiro dia, o lado da Nivea parecia uma viagem à minha infância. Aquele cheiro inconfundível, a camada branca espessa que quase é preciso empurrar para dentro da pele. A minha bochecha direita parecia um pouco lustrosa, como se eu tivesse acabado de voltar de uma caminhada no frio e me tivesse besuntado para me proteger.

O lado esquerdo, com o meu creme leve habitual, estava exatamente como sempre: bem, hidratado, mas nada de dramático. Sem luminosidade, sem “bounce”. Só “ok”. O contraste fez a minha rotina habitual parecer… um bocadinho aborrecida.

Na segunda manhã, já havia uma diferença subtil, mas real. O lado da Nivea parecia mais liso, como se eu tivesse dormido mais horas do que realmente dormi. As linhas finas de desidratação à volta do sorriso pareciam ligeiramente esbatidas. Dei por mim a inclinar a cabeça para a direita quando passava por um espelho - o que foi estranhamente desleal para com o lado esquerdo da minha própria cara.

Ao terceiro dia, a experiência saiu da casa de banho. Uma amiga viu-me à luz do dia e disse: “Estás com ar descansado. Maquilhagem nova?” Eu não tinha mudado nada. Nem corretor novo, nem truque de iluminador. Só a lata azul na minha mesa de cabeceira.

Não lhe contei logo. Queria ver se mais alguém reparava. Dois dias depois, outro comentário: “A tua pele anda com bom ar, mais preenchida.” Nas duas vezes, estavam sentadas do meu lado da Nivea. Coincidência ou não, ficou-me na cabeça.

Online, os números contam uma história parecida. O creme clássico da Nivea é vendido há mais de 100 anos, com milhões de latas a sair das prateleiras todos os anos. É o oposto de um produto de nicho. Está em supermercados, mercearias de bairro, no armário da casa de banho da tua avó. Este tipo de ubiquidade silenciosa não acontece sem algo funcionar - pelo menos para uma boa fatia de pessoas.

A meio da semana, entrou em jogo o lado sensorial do teste. A bochecha com Nivea sentia-se diferente ao toque. Mais elástica. Com menos “atrito” quando passava o dedo. Não era pele de bebé - não vou fingir que apagou dez anos em cinco noites -, mas havia um efeito almofadado que não existia do outro lado.

Então o que se estava a passar, afinal? O creme clássico azul da Nivea é sobretudo um hidratante oclusivo. Cria uma espécie de barreira à superfície da pele, abrandando a perda de água enquanto dormes. É por isso que se sente pesado e um pouco ceroso. Não é uma fórmula “milagrosa” moderna; é proteção à moda antiga.

O meu creme habitual é leve, cheio de bons ativos no papel, mas não “sela” tudo da mesma forma. Na minha pele mista, isso significou que o lado da Nivea se manteve mais hidratado durante a noite, e aquelas linhas finas causadas por secura suavizaram visivelmente.

Dito isto, isto não é um conto de fadas. O lado da Nivea também começou a sentir-se ligeiramente congestionado à volta do nariz por volta do quinto dia, e apareceu uma borbulhinha perto do queixo. Nada de dramático, mas suficiente para me lembrar: isto é um creme muito rico, não é uma bênção universal.

Como usei, de facto, o creme azul da Nivea

Fui com calma. À noite, depois de limpar a pele, só usei Nivea em pele limpa e seca. Nada de sobrepor três séruns, nem ácido, nem retinóide por baixo desse lado. Queria que o creme trabalhasse sobre uma base simples, sem mais nada.

Tirei uma quantidade do tamanho de uma ervilha com dedos limpos e aqueci-a entre as mãos até a textura amolecer. Depois pressionei o creme na pele em vez de esfregar. Primeiro na bochecha, depois um bocadinho no canto externo da zona dos olhos - nunca demasiado perto das pestanas.

O segredo foi não exagerar. Quando tentei pôr um pouco mais no segundo dia, a sensação passou a linha para pegajosa. O ponto certo era o suficiente para deixar um véu fino, ligeiramente brilhante. A minha almofada não sofreu, e a minha pele não “sufocou”.

A outra metade da minha cara tornou-se o lado de controlo. Rotina habitual, mesmo gel de limpeza, mesmo tónico, mesmo creme leve. Esse contraste ajudou-me a ver o que a Nivea fazia e o que era apenas a minha rotina normal a fazer o seu trabalho.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. A maioria de nós não vai dormir uma semana com a cara tratada a meio só por ciência. Procuramos atalhos: repetimos o que sabe bem e largamos o que parece pesado ou irritante.

Por isso, aqui fica o que eu realmente guardaria desta semana. Se a tua pele está seca, desidratada ou repuxada no inverno, usar a Nivea como “máscara de noite” duas ou três noites por semana pode fazer sentido. Não todos os dias, não na cara toda se tens tendência a borbulhas, mas em zonas específicas que pedem conforto: bochechas, têmporas, lados da boca.

O maior erro é pensar “mais = melhor”. Para algumas pessoas, besuntar uma camada grossa todas as noites vai significar congestão, pequenas borbulhinhas brancas, ou um filme que nunca chega a absorver. Outra armadilha comum é misturar com ativos fortes como ácidos ou retinóides de prescrição e depois culpar o creme quando aparece irritação.

“A minha pele não odeia a Nivea; odeia quando eu fico impaciente e atiro cinco produtos para cima dela na mesma noite”, disse-me uma dermatologista em off, uma vez. Ficou comigo porque parecia tão simples e tão irritantemente verdade.

Uma coisa emocional que notei: a Nivea tem aquele ar de ritual. A lata, o cheiro, o tempo que demora a massajar. Numa noite cansativa a meio da semana, esse gesto lento foi estranhamente estabilizador - quase antiquado, no bom sentido.

  • Usa uma quantidade mínima e aquece-a primeiro nas mãos.
  • Mantém longe de borbulhas ativas e de zonas muito oleosas.
  • Combina com rotinas suaves, não com cocktails carregados de ácidos.

Então… o lado da Nivea era mesmo melhor?

No final da semana, via-se com clareza à luz natural. O lado da Nivea estava mais uniforme e menos repuxado. As linhas do sorriso continuavam lá, claro, mas curvavam mais suavemente, como se a pele por baixo tivesse recebido um longo copo de água e um cobertor quente.

O lado do creme habitual não era um desastre. Só parecia… eu, no dia a dia. Funcional, familiar. A diferença era subtil, mas existia: um pouco menos de luminosidade, uma dobra ligeiramente mais marcada junto ao nariz. Aquele tipo de detalhe que só tu reparas na tua própria cara - até alguém te apanhar do “lado bom” num café.

Será que a Nivea fez recuar o tempo? Não. O que fez foi mais simples e, quase por isso, mais interessante: mostrou-me o quão poderosa pode ser a hidratação simples e a oclusão quando deixamos de perseguir soluções complexas. Também expôs o quão desidratada a minha pele provavelmente estava antes, escondida por camadas de produtos trendy, leves e “não oleosos”.

Acabei a experiência com uma estranha lealdade àquela lata azul barata. Não a vou usar todas as noites nem na cara toda, porque o meu queixo deixou bem clara a sua opinião. Ainda assim, já lhe dei um lugar fixo na minha mesa de cabeceira. Um produto de conforto. Um aliado de inverno. Um amigo à moda antiga que não promete magia, mas faz discretamente o seu trabalho enquanto dormes.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Reforço de hidratação A textura oclusiva da Nivea reduz a perda de água durante a noite Perceber porque é que a pele pode parecer mais preenchida e lisa em poucos dias
Utilização localizada Melhor em zonas secas e no inverno, não na cara toda todas as noites Evitar congestão e adaptar o creme ao teu tipo de pele
Rotina simples Funciona melhor com produtos suaves e mínimos por baixo Ajuda a simplificar a rotina em vez de sobrecarregar a pele

FAQ:

  • O creme azul da Nivea pode substituir totalmente o meu creme de noite? Nem para toda a gente. Pode substituir se a tua pele for seca e tolerar texturas ricas, mas pele oleosa ou com tendência acneica pode dar-se melhor usando-o apenas em zonas secas específicas.
  • A Nivea é demasiado pesada para pele mista? Não necessariamente. Podes aplicar só nas bochechas ou à volta da boca e evitar zonas oleosas como a zona T para reduzir o risco de congestão.
  • Posso usar o creme azul da Nivea à volta dos olhos? Podes aplicar uma quantidade mínima a toques na zona externa do contorno dos olhos, mas não demasiado perto da linha das pestanas. Se tens olhos muito sensíveis, opta por um creme de olhos dedicado.
  • Funciona em rugas ou apenas na secura? Ajuda sobretudo nas linhas causadas por desidratação. Não apaga rugas profundas, mas uma melhor hidratação pode fazê-las parecer mais suaves.
  • Posso aplicar Nivea por cima de retinol ou ácidos? É possível, mas com prudência. Usa ativos suaves, com baixa frequência, e testa primeiro numa pequena zona para não sobrecarregar nem irritar a pele.

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