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O hábito de dar opiniões sem serem pedidas está a prejudicar as tuas relações mais próximas.

Mulher segurando chávena conversa com outra que escreve num bloco de notas, sentadas numa sala com plantas.

À mesa do café, a tua amiga vai a meio de uma história sobre o chefe quando sentes isso a subir-te ao peito: a vontade de resolver. Antes de ela acabar a frase, já estás a falar. «Devias era dizer-lhe…» Os olhos dela desviam-se por um segundo. Ela sorri, mas agora é um sorriso mais fino. O momento encolhe um bocadinho.
Mais tarde, no caminho para casa, repetes a cena na cabeça e perguntas-te porque é que as pessoas já não se abrem contigo como antes. Dizem que és «tão prestável», e no entanto partilham cada vez menos. Há qualquer coisa no ar que mudou, e tu não consegues bem dar-lhe nome.
Talvez o problema não seja o que dizes, mas quando o dizes.

Quando as tuas opiniões começam a soar a ruído de fundo

Há uma mudança silenciosa que acontece quando te metes sempre com a tua opinião.
Ao início, as pessoas agradecem. Pareces interessado, inteligente, envolvido. Com o tempo, porém, as tuas opiniões constantes começam a esbater-se numa espécie de papel de parede emocional. Estão sempre ali, a zumbir em fundo, quer alguém tenha pedido quer não.
A tua parceira conta-te como foi o dia e, antes mesmo de expirar, tu já estás a avaliar as escolhas dela. O teu amigo menciona um projeto novo e tu, de imediato, dás o teu parecer sobre o que farias de forma diferente.
Tu achas que estás a criar ligação. Eles começam a sentir que estão a ser avaliados.

Uma terapeuta com quem falei descreveu um cliente a quem chamava «o resolvedor». Ele orgulhava-se de ser o tipo a quem toda a gente recorria para pedir conselhos. No entanto, a mulher tinha, discretamente, deixado de lhe contar as preocupações.
Ela não estava zangada. Estava cansada. Cada conversa sobre os medos dela transformava-se num workshop de resolução de problemas que ele liderava, enquanto ela ali ficava, como uma estagiária confusa. Ela queria ser ouvida; ele queria ter razão.
Num pequeno inquérito sobre relações de 2023 partilhado nas redes sociais, as pessoas classificaram «receber conselhos quando só quero desabafar» como uma das maiores frustrações escondidas. Não abusivo. Não dramático. Apenas desgastante.
Ninguém terminou uma relação por causa de uma única opinião não solicitada. A distância cresceu, um «devias…» de cada vez.

O que realmente está a acontecer tem a ver com poder, não apenas com personalidade.
Ofereceres o teu ponto de vista quando ninguém pediu coloca-te, de forma subtil, na cadeira do especialista. Tu passas a ser o avaliador; a outra pessoa torna-se o caso de estudo. Mesmo que sejas gentil, a dinâmica muda.
Esse padrão repetido diz às pessoas mais próximas de ti algo perigoso: «A minha interpretação da tua vida importa mais do que a tua experiência dela.»
Ao longo de meses e anos, isto transforma conversas seguras em atuações cautelosas. As pessoas começam a editar-se à tua volta. Partilham a versão da história que vai atrair menos comentários.
O custo? Perdes as partes cruas, confusas e honestas delas - as mesmas que vos aproximaram em primeiro lugar.

Como parar de falar por cima dos momentos que importam

Um hábito simples, quase ridículo de tão básico, pode mudar tudo: pergunta «Queres a minha opinião, ou queres só que eu ouça?»
Essa única frase cria uma pausa entre a história deles e a tua reação. Devolve-lhes o controlo por um segundo. Alguns vão dizer: «Não, só ouve.» Outros: «Por acaso, sim, diz-me o que achas.»
A magia não está nas palavras em si. Está na mensagem por baixo: «A tua necessidade guia este momento, não o meu impulso.»
Experimenta uma vez com alguém próximo. Pode parecer estranho, até ensaiado. Está bem. Os guiões são a forma como nascem novos instintos.

Um erro comum é acreditares que estás «só a ser honesto» ou «apenas a tentar ajudar». Honestidade sem timing pode cair como uma bofetada. Ajuda sem consentimento pode parecer intrusão.
Numa noite de quarta-feira, o teu irmão diz que está exausto com a parentalidade. Tu disparas uma série de filosofias sobre treino do sono que leste numa thread. Ele fica calado. Tu achas que tocaste num ponto sensível. Na verdade, ele só queria dizer: «Isto é difícil», e ouvir: «Sim, é.»
Num chat de grupo, uma amiga partilha uma selfie e diz que se sente insegura. A tua resposta? Um plano de cinco passos para ganhar confiança. Ela não pediu uma TED Talk. Queria saber se estava bem na foto.
Todos nós já fizemos isto. Todos nós já vivemos aquele momento em que percebemos, tarde demais, que respondemos a uma emoção como se fosse um problema técnico.

Há uma arte silenciosa em perceber quando a tua opinião é mesmo necessária.
Começa com três perguntas internas: «Ela/ele perguntou-me o que eu acho?», «Já dei a minha opinião sobre isto antes?», «Estou a falar para ajudar, ou para me sentir melhor comigo?»
Se as respostas forem desconfortáveis, isso é informação útil, não um veredicto sobre o teu carácter. Estás a aprender os teus próprios padrões.

«A maioria das pessoas não precisa de mais conselhos. Precisa de mais espaço para se ouvir a pensar em voz alta.»

  • Faz uma pausa de uma respiração antes de falar quando alguém partilha algo pessoal.
  • Reflete de volta uma frase do que a pessoa disse, por palavras tuas.
  • Só depois pergunta se quer ideias, sugestões, ou apenas alguém que testemunhe.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
Mas tentar, nem que seja uma ou duas vezes por semana, pode começar a reescrever o guião emocional nas tuas relações mais próximas.

Aprender a morder a língua sem perder a voz

Afastar-te de comentários constantes não significa encolheres ou fingires que não te importas. É mais como aprender um novo botão de volume para o narrador dentro de ti.
Não estás a silenciar a tua voz; estás a escolher onde ela cai. Com algumas pessoas, em alguns dias, a tua opinião é um presente. Noutros, é um peso que elas estão demasiado cansadas para carregar.
Há um tipo de confiança tranquila em ser a pessoa que não se apressa a preencher o espaço. Que consegue ficar na frase inacabada, no sentimento turvo, na pergunta sem resposta, sem tentar arrumar tudo.
É aí que a confiança cresce: no espaço que deixas à volta das tuas palavras.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Pedir permissão «Queres a minha opinião ou só que eu ouça?» cria um micro-consentimento Reduz tensões e evita que os teus próximos se sintam julgados
Observar os teus impulsos Reparar quando falas para te tranquilizares em vez de ajudar Ajuda a quebrar o piloto automático da opinião permanente
Valorizar a escuta Reformular, validar a emoção, deixar silêncios Reforça os laços e incentiva confidências mais profundas

FAQ

  • Como sei se estou a dar demasiadas opiniões não solicitadas? Vais notar que as pessoas mudam de assunto, ficam vagas, ou dizem muitas vezes «está tudo bem, não te preocupes» à tua volta. Podem descrever-te como «intenso» ou «sempre com alguma coisa para dizer», mesmo em assuntos pequenos.
  • E se a minha opinião pudesse mesmo ajudá-las? A ajuda é mais poderosa quando é convidada. Experimenta: «Tenho uma ideia que talvez ajude, queres ouvir?» Se disserem que não, respeita. Estás a semear confiança para mais tarde, não a desperdiçar sabedoria.
  • Não vou parecer distante se deixar de partilhar o que penso? Não, se substituíres opiniões rápidas por perguntas curiosas. Dizer «E para ti, como é que isso se sente?» ou «Para que lado estás a inclinar-te?» mostra proximidade sem controlar a direção.
  • E se as pessoas esperarem que eu seja o “resolvedor” do grupo? Podes mudar esse papel com suavidade. Diz algo como: «Estou a tentar ouvir mais antes de começar a dar conselhos», e cumpre. Quem te valoriza vai ajustar-se.
  • Consigo reparar relações que possa ter desgastado com as minhas opiniões constantes? Sim. Nomeia isso de forma aberta: «Percebi que muitas vezes dou a minha opinião sem perguntar se a queres. Estou a trabalhar nisso.» Depois pratica a pausa, a pergunta e a escuta. Com o tempo, as pessoas sentem a diferença mais do que se lembram do discurso.

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