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O segredo para escolher a melancia mais saborosa: “Existem dois tipos, feminina e masculina”

Duas melancias em balcão, uma amarela e outra verde. Mãos seguram a melancia verde. Balcão com objetos ao fundo.

Round, às riscas, brilhante sob as luzes do supermercado. Fica ali, com a palma da mão sobre uma casca verde e fria, a perguntar-se qual vai ser doce e qual vai saber a água estaladiça. À sua volta, as pessoas dão pancadinhas, cheiram, pesam a fruta como se estivessem a desarmar uma bomba.

Alguém se inclina e sussurra, quase em tom de conspiração: “Sabia que há melancias fêmea e macho, não sabia? As fêmeas são mais doces.”
Você ri-se, porque parece uma piada daquelas que um tio faria num churrasco. Ainda assim, dá por si a verificar. A forma. A mancha. As linhas.
E é aí que percebe: esta escolha é menos aleatória do que parece.

Existem mesmo melancias “macho” e “fêmea”?

Numa manhã quente de sábado num mercado de produtores, a lenda ganha vida outra vez. Um vendedor de chapéu de palha levanta uma melancia em cada mão e diz em voz alta: “Esta é macho, esta é fêmea. As meninas são mais doces!” Algumas pessoas riem, outras puxam do telemóvel, e de repente toda a gente presta atenção. A fruta “fêmea” é mais curta e redonda; a “macho” é mais comprida, como uma bola de râguebi gigante.

Ele corta a melancia mais redonda ao meio. A polpa é de um vermelho profundo, com sementes pequenas e bem juntinhas. O sumo escorre para a tábua e alguém até solta um “oh!”. Depois corta a mais comprida. Mais pálida. Com mais veios. Menos perfume.
Ali mesmo, o velho mito parece estranhamente convincente. As suas papilas gustativas não querem saber de botânica. Querem saber de sabor, de textura, daquele crac quando a faca entra.

Do ponto de vista botânico, as melancias não se dividem propriamente em frutos “macho” e “fêmea”. A planta tem flores masculinas e femininas, não géneros carimbados em cada fruto como uma etiqueta. Ainda assim, a história “macho vs. fêmea” esconde um truque útil: a forma muitas vezes revela como o fruto cresceu. Melancias mais redondas costumam ter amadurecido mais devagar e de forma mais uniforme, acumulando mais açúcar. As mais alongadas tendem a ser mais aguadas, com uma proporção maior de polpa branca e menos madura junto à casca.

É por isso que o mito não morre. É um atalho de que as pessoas se lembram. Dizer “fêmea” é mais fácil do que dizer “fruto mais compacto, com estrutura interna equilibrada e melhor distribuição de açúcar”. A linguagem não é científica, mas o instinto por trás dela não está totalmente errado. À frente de uma pilha de cascas verdes, qualquer pista que ligue forma a doçura torna-se preciosa. Por isso, sim: pode usar a alcunha “fêmea”, desde que saiba o que realmente está por trás.

Como escolher, de facto, a melancia “fêmea” mais doce

Comece pelo corpo. Procure uma melancia mais atarracada e redonda do que longa e ovalada. É a isso que as pessoas chamam uma melancia “fêmea”. A “barriga” deve ser larga, com curvas suaves e regulares, sem ângulos marcados. Segure-a à distância de um braço e pergunte: parece uma grande bola verde ou um cilindro esticado? Escolha a bola.

Depois vire-a. A mancha amarelo-creme onde esteve pousada no chão é a segunda pista. Uma mancha de campo rica, amarelo-manteiga, geralmente significa que ficou mais tempo ao sol, a amadurecer tranquilamente na terra. Uma mancha pálida, quase branca, costuma indicar que foi colhida cedo demais. Todos já tivemos a experiência de abrir uma melancia linda por fora e encontrar uma polpa rosada e tímida por dentro. Esse momento triste muitas vezes começa com uma mancha de campo branca.

Agora passe os dedos pelas riscas. Linhas escuras bem contrastadas e direitas costumam indicar boa maturação. Se o verde estiver demasiado brilhante e lustroso, como se tivesse acabado de sair de uma lavagem automóvel, pode ter sido colhida jovem. Um acabamento mate, ligeiramente baço, é um sinal surpreendentemente bom. Na casca, cicatrizes castanhas em forma de teia de aranha podem parecer feias, mas muitas vezes marcam onde as abelhas polinizaram a flor. Muitos produtores juram que essas “cicatrizes de açúcar” vêm com sabor mais rico. A fruta pode não ser bonita, mas muitas vezes sabe a verão numa dentada.

O passo seguinte é o peso. Pegue em duas melancias de tamanho semelhante e levante uma em cada mão. A certa parece estranhamente pesada, como se escondesse algo. Essa sensação de “pesada demais para o tamanho” é sumo puro. Um fruto maduro e doce é denso em água e açúcar, não em ar. Uma melancia leve costuma desiludir e saber a nada. Sejamos honestos: ninguém anda a pesar melancias todos os dias, mas fazê-lo uma vez quando realmente se preocupa com o sabor muda o jogo.

Dar pancadinhas fica para o fim - e é mais arte do que ciência. Segure a melancia perto e dê uma batida firme e rápida com os nós dos dedos. Um som grave e oco geralmente significa que a polpa está estaladiça e bem formada. Um tom mais agudo e baço pode indicar interior pastoso ou ainda verde. Há quem jure que “ouve” a maturação. Há quem finja. O que conta é juntar pistas: forma, mancha, peso, som. Um sinal sozinho é aposta. Quatro juntos já parecem experiência.

“Eu digo aos meus clientes: não se apaixonem pela melancia mais bonita; apaixonem-se pela que parece certa nas vossas mãos”, diz Marco, um produtor que corta melancias ao meio desde muito antes de as redes sociais descobrirem o truque do ‘fêmea vs. macho’.

Quando está à frente daquela pilha de fruta, há uma pressão silenciosa: quer a melancia que faz a mesa toda calar-se à primeira dentada. No ecrã, as dicas parecem simples. Na loja, a vida real acontece. Crianças a puxarem-lhe a manga, o carrinho a bloquear o corredor, a cabeça meio no jantar e meio nos e-mails do trabalho. É aí que os atalhos ajudam:

  • Escolha uma melancia mais redonda e mais pesada.
  • Verifique se tem uma mancha de campo amarelo profundo.
  • Aceite algumas cicatrizes e uma casca mate.
  • Dê pancadinhas e procure um som grave e oco.
  • Não pense demais na perfeição; procure sinais que se repetem.

A um nível humano, isto é sobre permissão. Permissão para ignorar a fruta mais brilhante e com forma “perfeita”. Permissão para confiar mais nas mãos do que no autocolante do marketing. A história “fêmea vs. macho” torna-se um gancho de memória, uma forma de lembrar que redonda, densa, mate e beijada pelo sol costuma vencer o impecável e lustroso. E quando acerta uma vez, é difícil esquecer a primeira fatia.

O que muda, na prática, ao escolher a melancia certa

Corte uma melancia bem escolhida e a sala muda literalmente. O som da casca a estalar, o primeiro vislumbre daquele vermelho intenso, o cheiro a espalhar-se pela mesa. As pessoas aproximam-se sem pensar. Alguém belisca um pedaço “só para provar”. De repente, uma sobremesa simples parece uma pequena celebração. A fruta certa transforma comida de fundo no centro do momento.

É por isso que esta escolha importa mais do que parece. Carregamos estes pequenos rituais desde a infância: o vizinho que dava três pancadas em cada melancia, a avó que escolhia sempre a mais feia e, de algum modo, acertava no jackpot. Estas micro-lendas viajam mais depressa agora, através de mitos no TikTok sobre melancias “fêmea” e de agricultores no YouTube a partilhar truques. A ciência é interessante. O verdadeiro gancho é a sensação de não querer desperdiçar uma noite de verão com uma dentada insossa e anónima.

Quando encontra o seu método, começa a ver padrões. Repara que os supermercados muitas vezes colocam à frente melancias brilhantes e pouco maduras. Que as melhores, às vezes, se escondem no fundo da pilha, um pouco marcadas, mais pesadas do que parecem. Dá por si a aconselhar em silêncio o desconhecido ao lado. É assim que o conhecimento alimentar sempre circulou: do campo para o mercado, do mercado para a mesa, uma história, um gesto, uma fatia de cada vez.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Forma “fêmea” Melancia mais redonda e compacta, não demasiado alongada Aumenta as probabilidades de ter polpa doce e uniforme
Mancha amarela Zona grande creme/amarelo-manteiga, não branca Indica um fruto que ficou mais tempo a amadurecer ao sol
Peso e som Mais pesada do que o esperado, som oco e profundo ao dar pancadinhas Sinaliza muito sumo e uma textura estaladiça

FAQ:

  • A história das melancias “fêmea” e “macho” é real?
    Não num sentido botânico estrito. A planta tem flores masculinas e femininas, mas os frutos não têm género. O rótulo “fêmea” é uma forma popular de descrever melancias mais redondas e, muitas vezes, mais doces.
  • Então devo mesmo procurar melancias “fêmea”?
    Sim, no sentido de escolher frutos redondos e atarracados em vez de muito alongados. Essa forma costuma estar associada a melhor distribuição de açúcar e menos polpa aguada.
  • Qual é o truque mais rápido se eu estiver com pressa?
    Olhe para a mancha de campo: escolha uma melancia com uma mancha amarelo rica e, depois, compare rapidamente o peso entre duas semelhantes e leve a mais pesada.
  • Dar pancadinhas funciona mesmo ou é só teatro?
    Pode ajudar quando se habitua ao som. Um tom grave e ressonante costuma ser bom sinal. Ainda assim, combine com outras pistas como peso e cor para melhores resultados.
  • Dá para escolher uma boa melancia se eu comprar fatias já cortadas?
    Procure polpa vermelho profundo e uniforme, com poucos veios brancos, textura firme e sem uma poça de água no fundo da embalagem. Evite fatias com bordas pálidas ou com aspeto “vidrado” e translúcido.

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