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O significado de roer as unhas, segundo a psicologia

Mulher sentada à mesa, segurando anel e caixa; chá fumegante ao lado de caderno aberto com lápis.

A ponta do polegar dela já está vermelha, a unha áspera e irregular, pequenas lascas brancas a cair como pó sobre as calças de ganga. Está a olhar para o telemóvel, os olhos a fazer scroll mas sem realmente ver nada. O maxilar mexe-se em pequenos solavancos nervosos.

Do outro lado do corredor, um homem de fato mastiga o canto do dedo indicador enquanto espera que uma chamada estabeleça ligação. A pasta dele está impecável, os sapatos engraxados, mas as unhas estão roídas até à pele. Um contraste que diz mais do que o perfil dele no LinkedIn alguma vez poderia.

Provavelmente já viste o mesmo gesto numa entrevista de emprego, numa sala de aula, num primeiro encontro. Talvez nas tuas próprias mãos durante uma noite longa e tensa. Roer as unhas parece um hábito pequeno. No entanto, a psicologia continua a sussurrar a mesma coisa nos bastidores: hábitos pequenos raramente significam histórias pequenas.

As mensagens ocultas por detrás de roer as unhas

Roer as unhas tem esta estranha vida dupla. À superfície, é apenas um tique, daquelas coisas por que os pais ralham e os amigos gozam. Por baixo disso, os psicólogos vêem uma teia inteira de emoções, gatilhos e tensões não ditas escondidas num único movimento do maxilar.

Alguns investigadores classificam-no como um «comportamento repetitivo focado no corpo», da mesma família de puxar cabelos (tricotilomania) ou espremer/picar a pele. O corpo torna-se um bloco de notas silencioso onde a mente rabisca o que não consegue bem dizer em voz alta. Não estás apenas a roer uma unha. Estás a acalmar-te, a amortecer, a distrair-te, a autoacalmar-te outra vez.

Quando olhas de perto, o gesto raramente é aleatório. Costuma aparecer quando a mente está ocupada ou sobrecarregada: à espera, preocupada, a pensar, a conter alguma coisa. É como uma luz de alarme que não apita, mas deixa marcas nos dedos.

Houve uma estudante com quem falei uma vez, a marrar para os exames finais numa biblioteca cheia. Tinha apontamentos por cores, um plano de estudo detalhado e uma fila de marcadores alinhados como soldados. Por fora, a vida dela parecia controlada. As unhas contavam outra história.

Sempre que chegava a uma página difícil, levava a mão à boca sem dar por isso. Na segunda semana, a pele ao lado das unhas estava em carne viva. «Eu não me sinto stressada», disse ela. «Só… ligada o tempo todo.» O corpo dela estava a discordar das palavras em tempo real.

Inquéritos sugerem que até 20–30% da população geral roe as unhas, com números mais altos entre adolescentes e jovens adultos. Não é uma mania rara; é quase uma linguagem. Uns fazem-no por tédio, outros por tensão, muitos por uma mistura dos dois. O fio condutor é este: alguma coisa cá dentro está a pedir alívio, e a resposta mais rápida está na ponta dos dedos.

Os psicólogos associam muitas vezes o roer crónico das unhas à ansiedade, ao perfeccionismo ou a dificuldades em gerir emoções. O acto em si traz uma sensação estranha e fugaz de controlo. Não consegues resolver o exame, a reunião, a relação. Pelo menos consegues «resolver» aquela aresta irregular que sentes na unha.

Há também um ciclo de recompensa. O cérebro recebe um pequeno pico de dopamina quando «resolves» uma imperfeição ao roê-la. Mesmo que doa, a sequência é clara e familiar. Para uma mente sobrecarregada com preocupações confusas e insolúveis, esse guião pequeno e repetível é, de forma estranha, reconfortante.

Algumas perspectivas psicanalíticas falam até de hábitos «orais» como forma de lidar com a tensão através da boca - fumar, mastigar, roer unhas. Não porque estejas secretamente «estragado(a)», mas porque o teu sistema nervoso encontrou um atalho que mais ou menos funciona. Pelo menos no momento.

O que a psicologia sugere que podes fazer em relação a isso

Um dos métodos mais concretos que os terapeutas usam chama-se «treino de reversão de hábitos». Parece técnico, mas é surpreendentemente pé no chão. A ideia é simples: primeiro ficas hiperconsciente dos momentos e dos gatilhos que te levam a roer; depois trocas o gesto por outro, menos prejudicial.

Imagina que roes as unhas quando lês e-mails. Sempre que os dedos sobem em direcção à boca, a tua tarefa é interromper a viagem. Podes fechar os punhos suavemente, pressionar as palmas das mãos nas coxas, ou mexer num objecto pequeno. O objectivo não é «ter mais força de vontade», é reescrever o guião automático que o teu corpo segue.

Isto só funciona quando abrandas o suficiente para reparar na vontade antes da dentada. Algumas pessoas usam um caderninho, outras colocam lembretes no telemóvel ou um autocolante no portátil, como um empurrão visual. Estás a ensinar o teu cérebro a seguir uma estrada nova, passo a passo, dentada a quase-dentada.

Se roes as unhas há anos, mudar esse padrão pode parecer como tentar virar um petroleiro dentro de uma banheira. A vida diária não ajuda. O stress acumula-se, os prazos apertam, e as tuas mãos voltam ao único truque que conhecem para aliviar a pressão.

É aí que entra uma estrutura suave. Talvez cortes as unhas bem curtas para reduzir «pontos de engate». Talvez uses um verniz de sabor neutro, não como castigo, mas como lembrete. Pequenos pontos de fricção que sussurram: «Ei, está a acontecer alguma coisa aqui.»

Num nível mais profundo, trabalhar as emoções por detrás do hábito é tão importante como o hábito em si. Muitos roedores de unhas são duros consigo próprios, especialmente os mais perfeccionistas. Querem parar de um dia para o outro, falham, e depois transformam isso em prova de que «não têm disciplina». Sejamos honestos: ninguém faz isto perfeitamente todos os dias.

Um psicólogo descreveu-me roer as unhas assim:

«Não é um sinal de que és fraco(a). É um sinal de que o teu sistema nervoso tem feito o melhor que consegue com as ferramentas que tinha. A terapia é apenas uma forma de lhe dar ferramentas melhores.»

O teu trabalho não é tornares-te a pessoa perfeitamente calma que nunca mais rói uma cutícula. O teu trabalho é aumentar o teu leque de respostas quando a tensão sobe. Talvez te levantes e caminhes dois minutos. Talvez estiques o maxilar. Talvez inspires e expires, prolongando a expiração mais do que a inspiração.

Num dia mau, podes acabar por voltar a roer o polegar numa fila do banco. Isso não anula o teu progresso. A mudança com este tipo de hábito costuma ser irregular, com avanços, planaltos e a recaída ocasional que te ensina onde estão as tuas verdadeiras zonas vermelhas.

  • Repara quando e onde roes mais: hora do dia, lugar, emoção.
  • Prepara uma «resposta concorrente» que possas fazer com as mãos.
  • Baixa a vergonha, sobe a curiosidade. A vergonha paralisa; a curiosidade move.

Ler o roer das unhas com mais gentileza

Todos já vivemos aquele momento em que alguém olha para as unhas e diz: «Eca, olha para isto, que nojo», meio a brincar, meio mortificado(a). A história que essa pessoa está realmente a contar é: «Há qualquer coisa mais difícil do que eu admito, e é aqui que isso transborda.» Quando começas a ver roer unhas por essa lente, a imagem muda por completo.

Em vez de um segredinho vergonhoso, torna-se uma pista. Um sinal de que o sistema nervoso de alguém está a bater com os dedos na mesa, a pedir ajuda. Isso pode significar muitas coisas: agenda sobrecarregada, luto não processado, ansiedade social escondida, perfeccionismo silencioso. Roer as unhas é como uma legenda que o corpo acrescenta quando o diálogo principal se mantém educado.

Se este é o teu hábito, talvez notes sabores diferentes. Roer por tédio em reuniões longas não é o mesmo que mastigar freneticamente antes de uma chamada difícil. Mordiscar automaticamente enquanto vês uma série não é o mesmo que atacar o polegar com tensão e foco quando dinheiro, amor ou saúde estão em jogo.

A psicologia não lê todo o roer das unhas como patologia. O contexto é tudo. Algumas pessoas mordiscam ocasionalmente, como outras abanam a perna ou batem com a caneta. É quando o hábito se torna doloroso, difícil de controlar, ou limitador socialmente, que os terapeutas começam a vê-lo como parte de um quadro maior. Isso pode incluir perturbações de ansiedade ou traços obsessivo-compulsivos.

Ainda assim, o ponto não é diagnosticar do outro lado da sala. É abrir perguntas. O que é que o teu corpo sabe que a tua mente consciente está a empurrar para debaixo do tapete? Onde sentes pressão para render, agradar, ser perfeito(a)? Que partes da tua vida se parecem com aquela pele em carne viva à volta da unha - demasiado expostas, tocadas vezes demais, nunca com tempo para cicatrizar?

Partilhar isto com alguém pode ser surpreendentemente reparador. Um(a) amigo(a). Um(a) parceiro(a). Um(a) terapeuta. Em vez de esconderes as mãos, podes tratá-las como uma previsão do tempo do teu clima interior. Alguns dias serão limpos. Outros, tempestuosos. Os teus dedos limitam-se a manter a contagem.

Há algo discretamente poderoso em prestar atenção a um gesto tão pequeno. Uma pessoa a roer as unhas num autocarro, num escritório, num jantar de família nunca está «apenas nervosa». Está a negociar com um mundo que às vezes parece demasiado afiado, demasiado rápido, demasiado.

Da próxima vez que te apanhares - ou apanhes alguém - a fazê-lo, talvez vejas menos um mau hábito e mais um mecanismo de coping que chegou ao limite. A partir daí, abrem-se novas perguntas. Como seria uma estratégia de coping um pouco mais gentil? Quem te poderia ajudar a construí-la? Como seria acordar um dia e reparar que as unhas estão a crescer de novo, quase sem esforço, porque a tua vida mudou silenciosamente à volta delas?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Roer as unhas é um comportamento repetitivo focado no corpo Associado a ansiedade, perfeccionismo e regulação emocional Ajuda-te a ver o hábito como um sinal, não como uma falha moral
O treino de reversão de hábitos pode reduzir o roer das unhas Identificar gatilhos e substituir o roer por uma acção concorrente Dá-te um método prático em vez de conselhos vagos sobre «força de vontade»
A gentileza vence a vergonha para uma mudança real A curiosidade sobre os teus gatilhos apoia o progresso a longo prazo Torna mais fácil tentar, falhar e tentar outra vez sem desistir

FAQ:

  • Roer as unhas é sempre um sinal de ansiedade? Nem sempre. Pode sinalizar tédio, concentração ou simples hábito, embora roer frequente e doloroso muitas vezes coexista com ansiedade ou tensão.
  • Roer as unhas pode prejudicar a minha saúde? Sim; o roer crónico pode levar a infecções, pele a sangrar, problemas dentários e maior exposição a germes junto à boca.
  • Alguém consegue mesmo deixar de roer as unhas depois de anos? Muitas pessoas conseguem, com uma combinação de consciência, comportamentos de substituição e apoio emocional, embora o progresso seja normalmente gradual, não instantâneo.
  • Devo chamar a atenção quando vejo alguém a roer as unhas? Só com tacto e consentimento. Envergonhar raramente ajuda; uma pergunta suave e em privado sobre stress ou preocupações tende a ser mais respeitosa.
  • Quando devo considerar terapia para roer as unhas? Quando parece fora de controlo, causa dor ou vergonha, ou aparece juntamente com ansiedade intensa, problemas de sono ou pensamentos obsessivos.

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