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Organizar livros por cor, em vez de autor, pode tornar mais difícil encontrar rapidamente um título e pode reduzir leituras espontâneas.

Mulher sentada a ler um livro em frente a uma estante cheia de livros, com uma chávena e caneta ao lado.

O momento em que decides organizar os teus livros por cor, a tua sala muda. Uma parede baça, gasta, de lombadas desencontradas transforma-se de repente num arco-íris, e a estante parece saída de uma revista de design. Os amigos reparam. As pessoas dizem “uau” antes sequer de se sentarem. Sentes um orgulho estranho na tua secção amarela.
Depois, numa noite, queres aquela coleção de ensaios em bolso, azul. Lembras-te da capa, do ambiente, até da citação na página 37. Vais à estante, ficas a olhar para um bloco sólido de lombadas azuis… e congelas. O livro simplesmente dissolveu-se no oceano.
Começas a perguntar-te o que este sistema por cores está realmente a fazer à forma como encontras - e, de facto, lês - os teus livros.
E é aí que a experiência começa, silenciosamente.

Como as estantes por cor mudam a forma como o teu cérebro procura um livro

Uma das primeiras coisas que as pessoas dizem depois de organizarem a estante em arco-íris é: “Sente-se logo mais calmo.”
O ruído visual baixa. O olhar desliza do vermelho para o laranja e para o verde, em vez de saltar entre tipos de letra e logótipos. O teu cérebro adora padrões, e este é fácil. Já não estás numa biblioteca; estás num mood board.
Ainda assim, esse aspeto calmo esconde uma pequena armadilha cognitiva. Quando queres um livro por tema ou autor, o teu cérebro tem de trabalhar mais, porque a tua chave principal de organização já não é a informação na lombada. É a cor que a editora escolheu, há anos, por razões que nada tinham a ver com a tua memória.
O sistema é bonito. Mas não foi, na verdade, feito para ti.

Imagina um domingo de manhã. Café, luz do sol, e aquela vontade vaga de reler algo curto e incisivo.
Lembras-te de um volume fino de ensaios de uma mulher cujo nome recordas a meio. Sabes que, na tua cabeça, ele vive “na secção do feminismo”. Numa estante tradicional, ias ao grupo certo de nomes, percorrias alfabeticamente e apanhavas o livro em segundos.
Numa estante por cores, essa memória não serve de nada. Em vez disso, tentas recordar a capa: era branca com texto vermelho, ou vermelha com texto branco? Vais pelos brancos, depois pelos vermelhos, semicerrando os olhos para cada lombada fina. Passam cinco minutos. Encontras três outros livros de que te tinhas completamente esquecido. Sentes-te vagamente estúpido por não encontrares o que procuravas.
E depois sentas-te com um livro totalmente diferente, só porque foi mais fácil.

O que se passa é simples: mudaste o “campo principal de pesquisa” que o teu cérebro usa.
A maioria de nós recorda livros por uma mistura de título, tema e a estação emocional da vida em que os leu. A cor raramente está no top 3 dessa lista. Portanto, quando o sistema é estritamente cromático, a tua memória e a tua estante começam a falar línguas ligeiramente diferentes.
A velocidade de recuperação baixa para pesquisas direcionadas - “preciso daquele autor específico, daquele manual específico, daquele livro de sci‑fi azul para o trabalho amanhã”. Na prática, estás a fazer scroll lateral em vez de usar a barra de pesquisa.
Ao mesmo tempo, a leitura espontânea pode aumentar bastante. Porque, sempre que procuras um livro e falhas, esbarras em cinco outros que sussurram: “Ei, lembras-te de mim?”
É uma troca: mais serendipidade, menos precisão.

Criar uma estante linda sem sacrificar a sanidade

Se adoras o aspeto das estantes arco-íris mas odeias perder tempo, não tens de escolher um extremo.
Um método prático é criar “zonas de cor” dentro de categorias soltas. Junta toda a ficção, e depois organiza esse bloco por cor. Faz o mesmo para não-ficção, livros de cozinha, poesia, o que fizer sentido para ti. Agora, o teu olhar já sabe para que lado ir antes de começar a varrer cores.
Outro truque: guarda os livros de uso frequente ou “críticos para o trabalho” de uma forma mais aborrecida, como por autor ou tema, numa prateleira ou fila separada. Pensa nisso como um suporte de ferramentas, não como decoração. O arco-íris fica em cima; a referência do dia a dia fica em baixo.
Ficas com a alegria visual, mas deixas de castigar o teu Eu do Futuro em dias de prazos.

Uma coisa discreta de que ninguém fala é a vergonha que pode aparecer quando o teu sistema “estético” deixa de funcionar.
Vês as fotos perfeitas de influenciadores com estantes arco-íris e achas que o teu caos é uma falha pessoal. Depois estás à frente da tua própria parede de cor, atrasado para uma reunião, a praguejar com a secção verde porque o teu livro de produtividade desapareceu algures entre um manual de jardinagem e um romance de fantasia.
Sejamos honestos: ninguém confirma lombada por lombada ao reorganizar. Alguns livros acabam inevitavelmente na zona errada. E as editoras adoram designs traiçoeiros - azul-escuro que parece preto, branco sujo que, com a tua luz, lê como amarelo pálido. Não estás a ficar maluco; o sistema tem ruído.
Por isso, se a tua ordem por cor começa a desviar-se ou a colapsar parcialmente, não significa que “não sabes organizar”. Só significa que a tua vida real é mais barulhenta do que a tua paleta.

Há um ponto ideal em que a tua estante parece uma galeria, mas ainda se comporta como uma caixa de ferramentas.

Para te aproximares disso, pensa em camadas em vez de absolutos. Mantém as secções amplas claras - trabalho, lazer, referência - e deixa a cor brincar dentro delas. Usa pequenas âncoras quase invisíveis quando a recuperação importa mesmo: um pontinho autocolante no interior da lombada. Uma nota no telemóvel a dizer: “Documentos de impostos: secção cinzenta, terceira prateleira, lado esquerdo.”
E, se quiseres vitórias rápidas, escolhe apenas algumas categorias “tem de se encontrar depressa” e trata-as de forma diferente:

  • Livros de trabalho ou estudo: agrupar primeiro por tema, depois por cor
  • Livros que emprestas com frequência: manter numa prateleira dedicada, sem cores
  • Leituras de conforto emocional: dar-lhes uma zona pequena e fácil de alcançar
  • Grandes referências ou manuais: empilhar na horizontal ou separar do arco-íris
  • Novas entradas: uma “pista de aterragem” temporária antes de entrarem em qualquer sistema

Estas pequenas quebras no arco-íris protegem o teu tempo, sem matar a alegria quando recuas e olhas.

O que o teu sistema por cores muda silenciosamente na forma como lês

Organizar por cor não mexe apenas em objetos; altera, de forma subtil, os teus padrões diários de leitura.
Vais muitas vezes dar por ti a escolher uma “cor de humor” em vez de um autor específico. Dia difícil? Vais para os azuis e cinzentos e talvez acabes em ensaios tranquilos e romances lentos. Manhã enérgica? Os vermelhos e amarelos parecem mais altos, e pegas em algo mais incisivo. A tua estante passa a ser menos um arquivo e mais um mapa meteorológico da tua cabeça.
A velocidade para encontrar títulos exatos pode diminuir, mas a velocidade de “escolher algo que vais mesmo ler agora” pode aumentar. E isso não é pouca coisa.
Todos já estivemos naquele ponto em que tens 200 livros e, ainda assim, sentes que “não tens nada para ler”.
Uma estante por cores pode quebrar essa paralisia ao empurrar-te para a vibração em vez da obrigação.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A cor abranda a procura direcionada O cérebro lembra melhor títulos/autores do que cores de lombadas Ajuda-te a decidir quais livros devem escapar ao arco-íris
A cor aumenta a serendipidade Procurar por tonalidade expõe-te a livros esquecidos Transforma a estante numa fonte de surpresa e leituras frescas
Sistemas híbridos funcionam melhor Misturam categorias amplas com zonas de cor e prateleiras “de ferramentas” Equilibra beleza, praticidade e pressão de tempo na vida real

Perguntas frequentes (FAQ)

  • Pergunta 1: Organizar por cor torna mesmo mais difícil encontrar livros?
  • Resposta 1: Sim, especialmente em pesquisas específicas. Quando sabes o autor ou o tema mas não a cor da capa, o teu cérebro tem de varrer visualmente em vez de “procurar” de forma lógica, o que soma segundos ou minutos sempre que acontece.
  • Pergunta 2: Organizar por cor pode ajudar-me a ler mais?
  • Resposta 2: Para muitas pessoas, sim. A estante fica mais convidativa e folhear por “humor” leva a escolhas mais espontâneas. Podes ler menos “por plano”, mas mais “na prática”.
  • Pergunta 3: E se eu me lembrar muito bem das capas?
  • Resposta 3: Então és a exceção que os sistemas por cores adoram em segredo. Se as capas te ficam na cabeça, é provável que encontres livros com bastante rapidez, sobretudo se a tua coleção tiver menos de algumas centenas de títulos.
  • Pergunta 4: Até que tamanho pode uma biblioteca organizada por cor crescer antes de virar caos?
  • Resposta 4: Não há um número rígido, mas acima de 300–400 livros, os blocos de uma só cor ficam densos e mais lentos de percorrer. É aí que sistemas híbridos - categorias primeiro, cor depois - começam a compensar.
  • Pergunta 5: É “errado” importar-me mais com o aspeto das prateleiras do que com uma ordem perfeita?
  • Resposta 5: De todo. Os teus livros vivem na tua casa, não num arquivo. Um sistema bonito, ligeiramente imperfeito e que gostas de usar vai servir-te melhor do que um rígido que te dá ressentimento.

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