Enquanto isso, os feeds estão cheios de celebridades a cortar tudo, a deixar crescer tudo, ou a fazer aquela misteriosa coisa do “acabei de acordar assim” que, de alguma forma, custa 300 dólares no cabeleireiro. 2026 já está a ser escrito nas cabeças delas. E na tua também, se quiseres.
Na semana passada, num salão minúsculo mas sempre cheio no leste de Londres, uma cabeleireira levantou o pente, semicerrrou os olhos para a minha cara e disse: “O cabelo do próximo ano já começou. As pessoas é que ainda não sabem.” Ela tinha uma lista. Quatro cortes. Quatro formas. Quatro maneiras de dizer “sou isto agora” sem precisar de uma única legenda. As clientes dela são early adopters; o Instagram vai apanhar o ritmo.
Então, vamos falar dos quatro cortes de cabelo estrela de 2026 que, segundo esta “sussurradora de cabelo”, já podes usar hoje. O futuro parece surpreendentemente usável.
O bob de poder suave: linhas marcadas, atitude discreta
A primeira coisa de que ela fala não é o comprimento, é a atitude. O “bob de poder suave” é aquele corte intermédio algures ao nível do maxilar - não chega a ser um bob francês, mas também não é o antigo “capacete” de CEO. A linha é limpa, quase gráfica, mas as pontas são suaves, ligeiramente desfiadas, como se alguém tivesse deixado entrar um pouco de ar na forma. Mexe-se quando ris. Fica quieto quando precisas de parecer que sabes exatamente o que estás a fazer.
Ela aponta para uma cliente na cadeira ao meu lado, uma advogada de blazer oversized a percorrer emails de trabalho. No ano passado, a mulher tinha cabelo de sereia até à anca. Agora, os brincos aparecem, o pescoço fica à vista, e de repente a cara toda parece desperta. “Fechou três negócios grandes este mês e marcou dois encontros numa semana”, sorri a cabeleireira. É do corte? Quem sabe. Mas as fotos de antes e depois no telemóvel dela contam uma história: a mesma cara, a mesma maquilhagem, energia diferente.
A lógica por trás do bob de poder suave é simples: cabelo mais curto emoldura o rosto e leva o olhar para cima. Funciona com a textura natural em vez de contra ela, por isso não andas a lutar com o espelho todas as manhãs. A linha ao nível do maxilar cria estrutura, uma espécie de clareza instantânea. É por isso que este corte está a aparecer em atrizes em tours de imprensa e em fundadoras em painéis no palco. Diz “não estou a esforçar-me demasiado” e, ao mesmo tempo, pensei mesmo bem nisto.
O shag arejado: a rebeldia sem esforço de 2026
Enquanto algumas pessoas vão mais curto e mais definido, outras estão a apostar a sério em camadas. O “shag arejado” é a segunda grande aposta da cabeleireira para 2026. Pensa num shag moderno, mas mais leve - menos banda de rock, mais “leio livros em rooftops e o telemóvel está sempre em silêncio”. Os comprimentos mantêm-se médios a longos, mas o topo e a frente levam camadas para o cabelo cair como cortinas suaves à volta do rosto. Franja opcional, movimento inegociável.
Uma das clientes habituais dela, uma estudante de artes de 19 anos, entra mesmo a tempo. O cabelo parece esculpido pelo vento: longo, ondulado, desalinhado no melhor sentido. Diz que o lava quando se lembra e dorme com tranças soltas quando tem um dia importante. No TikTok, os vídeos GRWM dela são basicamente uma masterclass de não tentar demasiado e ainda assim parecer… irritantemente cool. Não é cabelo perfeito. É cabelo vivo. Esse é o objetivo.
O shag arejado funciona porque combina com a forma como as pessoas vivem hoje. Trabalhos híbridos, comboios atrasados, sacos de ginásio debaixo da secretária - ninguém tem uma hora todas as manhãs para uma escova completa. O corte distribui o volume para nunca assentar liso, mesmo quando o apanhas com uma mola. Camadas estratégicas tiram peso ao cabelo grosso, dão vida ao cabelo fino e impedem as ondas ou os caracóis de se juntarem naquele triângulo estranho. O cabelo mexe-se, por isso o corte é desenhado para mexer com ele.
A franja crescida: filtros de rosto, na vida real
A terceira estrela de 2026 não é tanto um corte completo, mas um detalhe: a franja crescida. Não é franja reta e pesada, nem microfranja. É aquela franja suave, a roçar as maçãs do rosto, algures entre franja e camadas, aberta ao meio ou penteada ligeiramente para o lado. Quando está bem cortada, funciona como um filtro embutido: suaviza linhas duras e dá doçura aos olhos e às maçãs do rosto. E fica ainda melhor dois meses depois da marcação do que no próprio dia.
No espelho, a cabeleireira tem Polaroids de clientes que vieram “só por causa de uma franja”. Uma parece prestes a liderar uma banda indie, outra parece ter finalmente encontrado a peça que faltava no rosto. Ela conta-me sobre uma cliente que tinha passado por uma separação e repetia que o rosto parecia “cansado e sem vida” no Zoom. Puseram-lhe uma franja longa, crescida. Uma semana depois, ela enviou um selfie de um primeiro encontro e escreveu: “Voltei a parecer a personagem principal.” Corte de cabelo como botão de reset emocional.
Há uma lógica discreta por trás desta obsessão. A franja crescida emoldura sem te prender a uma franja densa e pesada de que te podes arrepender em três semanas. Fica bem com rabos-de-cavalo, coques desalinhados e todos os apanhados do “estou atrasada, mas tentei”. Em câmara, quebra uma testa larga ou um maxilar forte sem esconder os traços. Por isso é que tantas influencers estão a apostar nestas mechas que enquadram o rosto: dá-lhes ângulos diferentes, literalmente, com quase zero styling extra.
Camadas longas líquidas: comprimento que parece mesmo caro
O quarto corte na lista de 2026 é para quem adora o cabelo comprido e não tem qualquer vontade de o cortar. Ela chama-lhe “camadas longas líquidas”. A ideia: cabelo que parece que se podia derramar sobre os ombros. Nem esticado a ferro, nem encaracolado com modelador. Apenas aquele fluxo sedoso e contínuo em que as camadas são invisíveis até te mexeres. Não é sobre deixar crescer a qualquer custo; é sobre fazer o comprimento parecer intencional, não acidental.
Na pequena zona de espera, uma mulher com cabelo até à anca folheia uma revista. Há dois anos, teria lido como “apenas comprido”. Hoje, depois de uma hora de corte estratégico, o peso está quebrado em pontos escondidos e as pontas afinam de uma forma que parece direcionada, quase editorial. Ela levanta-se e o cabelo cai-lhe atrás como uma capa. Nas redes sociais, é o look que faz as pessoas comentarem “rotina de cabelo pf” mesmo que a rotina seja literalmente um protetor térmico e uma escova decente.
A razão por que parece “caro” é matemática. Mais peso perto das raízes, remoção suave de volume a meio comprimento e pontas limpas, com aspeto “selado”, refletem mais luz. Esse reflexo - o brilho vítreo quando viras a cabeça - faz o cérebro interpretar “saudável, cuidado, luxuoso”. As camadas permitem secar ao ar sem o cabelo virar um bloco sólido. Assim, ganhas movimento sem perder aquele efeito de cortina longa e glamorosa que as pessoas secretamente querem quando dizem: “Estou a deixar crescer o cabelo.”
Como usar, de facto, os cortes de 2026 em 2024-2025
A dica principal da cabeleireira é quase aborrecida na sua simplicidade: leva fotografias, mas fala em verbos, não apenas em nomes. “Quero um cabelo que se mexa”, “quero conseguir pôr atrás das orelhas”, “quero conseguir prender com uma mola e ainda parecer arranjada.” Esse tipo de linguagem dá-lhe algo para construir. Depois, ela adapta cada um destes quatro cortes estrela à tua realidade: a tua textura natural, o tempo que realmente tens de manhã, o teu guarda-roupa do dia a dia. Um bob de poder suave pode ter cinco personalidades diferentes dependendo de como é cortado na nuca.
Ela é muito cuidadosa com erros porque toda a gente tem pelo menos um trauma capilar no passado. Uma armadilha comum é perseguir exatamente o corte de uma celebridade sem reparar na densidade do cabelo, na onda natural ou até no comprimento do pescoço. Outra é pedir um bob super geométrico e depois usá-lo preso com um elástico 90% do tempo. “Sejamos honestas: ninguém faz isso todos os dias”, ri-se quando falamos de escovas redondas e brushing perfeito. Os melhores cortes de 2026, insiste ela, são os que sobrevivem aos teus dias mais preguiçosos e aos mais cheios.
Ela para a tesoura a certa altura e diz:
“O cabelo é como roupa que não podes tirar. Deve dizer a verdade sobre quem és, não sobre quem achas que devias ser.”
É por isso que o lado emocional importa tanto como o técnico. O bob sinaliza recomeço. O shag arejado diz que acabaste de pedir desculpa pela tua textura natural. A franja crescida deixa-te flirtar com a mudança sem perderes comprimento. As camadas líquidas sussurram luxo numa terça-feira. Para quem está indecisa, ela resume tudo numa pequena “cábula”:
- Bob de poder suave se desejas clareza e estrutura.
- Shag arejado se queres movimento e caos criativo.
- Franja crescida se precisas de um reset com pouco compromisso.
- Camadas longas líquidas se adoras o teu comprimento e queres que pareça deliberadamente “extra”.
O cabelo como uma revolução silenciosa na tua cabeça
Algumas tendências parecem disfarces - divertidas para um fim de semana e esquecidas na segunda-feira. Estes quatro cortes de 2026 são diferentes. Não gritam por atenção; redirecionam-na. Para a linha do maxilar, as clavículas, os olhos, a forma como o cabelo cai quando inclinas a cabeça para alguém de quem gostas. São menos sobre copiar uma celebridade e mais sobre fazer engenharia inversa de como queres sentir-te quando te olhas numa manhã cinzenta.
Num nível mais profundo, combinam com o rumo de muita gente: guarda-roupas mais pequenos, melhores básicos, menos hábitos de beleza mas mais inteligentes. O cabelo ou apoia isso ou sabota. Um bob que parece sempre um pouco polido mesmo quando estás atrasada. Um shag que fica mais fixe quanto mais desalinhado estiver. Uma franja que salva um rabo-de-cavalo em dia mau. Camadas longas que fazem o cabelo seco ao ar parecer “feito” sem, de facto, fazeres nada. Isso é luxo discreto, sem a etiqueta de preço.
Todos já tivemos aquele momento em que um corte novo nos fez sair do salão a andar de forma diferente - ombros ligeiramente para trás, a câmara do telemóvel de repente mais simpática. Não resolve nada enorme, mas muda a forma como entras numa sala, numa chamada ou num encontro. Os cortes estrela de 2026 vivem exatamente nesse espaço: usáveis, realistas, mas carregados com a possibilidade de uma pequena revolução pessoal. O que escolheres diz algo interessante sobre a história que estás pronta para contar a seguir.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| Bob de poder suave | Ao nível do maxilar, linha limpa com pontas suavizadas | Oferece estrutura imediata com pouco esforço de styling |
| Shag arejado | Comprimento médio a longo com camadas leves focadas no movimento | Realça a textura natural e aguenta agendas cheias |
| Franja crescida | Mechas a roçar as maçãs do rosto, a emoldurar o rosto | Funciona como um filtro de foco suave sem perder comprimento |
FAQ:
- Qual dos quatro cortes assenta melhor em rostos redondos? O bob de poder suave com a frente ligeiramente mais comprida e a franja crescida costumam ser os mais favorecedores, porque alongam o rosto e criam ângulos subtis.
- Posso fazer o shag arejado se o meu cabelo for muito liso? Sim, mas pede camadas mínimas e estratégicas e dicas de styling com spray texturizante; vais ganhar movimento sem ondas forçadas.
- Com que frequência devo aparar um corte de camadas longas líquidas? A cada 10–12 semanas chega para manter as pontas com aspeto “líquido” em vez de espigado, sem perder comprimento conquistado.
- A franja crescida dá muito trabalho? Cresce de forma harmoniosa; provavelmente só vais precisar de um pequeno ajuste a cada 6–8 semanas, muito menos do que uma franja curta e reta.
- O que digo ao meu/à minha cabeleireiro/a se tiver medo de cortar demasiado? Pede para cortar por etapas, começando mais comprido do que a foto de inspiração, para poderes parar no primeiro comprimento em que já te sintas tu - só que melhorada.
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