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Os novos limites de tolerância dos radares em 2025 são um imposto disfarçado para condutores, não uma medida de segurança.

Homem ao volante de um carro, utilizando GPS no telemóvel, numa rua residencial ensolarada.

Começa com um pequeno clarão que quase nem se nota. Uma manhã cinzenta na circular, os limpa-para-brisas a chiar, as crianças a discutir no banco de trás. Olha-se de relance para o velocímetro: o ponteiro a flutuar ligeiramente acima do limite, como a maioria das pessoas conduz quando o trânsito corre. Uma semana depois, há um envelope no tapete da entrada. Não é um aviso. É uma multa. Sem agente, sem conversa, apenas um número e uma referência às novas tolerâncias dos radares de velocidade de 2025.
Repete a viagem na cabeça e sente aquela mistura baça de culpa e irritação. Não ia a correr. Estava só… a conduzir como os outros.
Algures entre “medida de segurança” e “ferramenta de receita”, a linha mudou, silenciosamente.

De rede de segurança a armadilha de dinheiro: o que mudou em 2025

Os radares de velocidade costumavam parecer uma rede de proteção. Apanhavam os malucos óbvios: o corredor da madrugada a passar numa zona de 30 a 55, o colador na autoestrada a fazer 100 à chuva. Havia uma tolerância “mais ou menos” conhecida - aquelas margens míticas de “10% mais 2 mph” de que toda a gente falava - e as pessoas ajustavam a condução a essa almofada.
Em 2025, essa almofada encolheu. Sem alarido. As margens foram apertadas, os limiares automáticos recalibrados, e os condutores descobrem de repente que 33 numa zona de 30 já não é um encolher de ombros e uma carta a sério. É uma conta para pagar.

Numa via rápida suburbana no início de janeiro, um eletricista de 43 anos de Birmingham acumulou três multas separadas no mesmo troço numa única semana. A mesma carrinha, o mesmo percurso, os mesmos 36 mph estáveis numa estrada que costumava ser de 40. O limite baixou para 30 e a nova tolerância fez com que os radares disparassem quase sempre que ele passava.
A história correu em grupos de Facebook e depois em conversas de WhatsApp, como uma lenda urbana que afinal era verdadeira. Os números contam a mesma história: autarquias a reportar aumentos de dois dígitos na receita dos radares em zonas-piloto onde as tolerâncias foram discretamente reduzidas no final de 2024. Estradas mais seguras? Difícil ver isso do banco do passageiro.

Aqui vai a verdade desconfortável: a segurança rodoviária não se tornou subitamente uma ciência nova em 2025. A tecnologia mudou, não a física. Os radares digitais modernos conseguem medir com precisão até uma fração de milha por hora. Essa precisão abriu a porta a uma mudança de política com um rótulo brilhante de segurança e um efeito secundário muito lucrativo.
Cada pequeno excesso, cada desvio breve acima da linha, pode agora ser monetizado à escala. Quando a fiscalização é totalmente automática e implacável, deixa de parecer um sistema de aviso e começa a parecer um imposto disfarçado. A mensagem não é “abrande ou magoa alguém”, é “abrande ou pague”.

Como viver com as novas tolerâncias sem perder a carta (ou a cabeça)

O primeiro movimento de sobrevivência é aborrecido e pouco tecnológico: redefinir a forma como lê o próprio velocímetro. Se antes conduzia “um bocadinho acima” do limite, como tantos condutores que seguem o fluxo, esse hábito agora tem um preço. Aponte para 2–3 mph abaixo do limite indicado, em vez de andar a roçar a margem. Numa estrada de 30, fixe-se mentalmente nos 27–28, não nos 32.
Ao início parece lento. O cérebro insiste: “toda a gente me está a ultrapassar”. Dê-lhe uma semana. A noção de velocidade “normal” recalibra muito mais depressa do que imagina, sobretudo em cidade.

Um truque prático que funciona mesmo: escolha um único percurso diário em que vai ser obsessivamente preciso durante um mês. Talvez seja o caminho da escola ou a deslocação para o trabalho. Só nesse percurso, trate o limite como um teto rígido. Sem zonas cinzentas, sem “só a acompanhar o trânsito”.
Numa estrada de 50, vá a 49. Numa de 60, limite-se a 57–58. Vai começar a notar padrões que nunca tinha visto - o radar escondido atrás do sinal, o troço de velocidade média onde antes passava em piloto automático, a descida traiçoeira que o empurra mais 4 mph sem esforço. No mapa, nada mudou. Na vida diária, mudou tudo.

Há ainda outra camada neste novo panorama: tecnologia do seu lado. Muitos carros modernos mostram uma leitura digital da velocidade mais precisa do que o mostrador antigo. Muitas apps de navegação já indicam o limite da via e avisam quando o ultrapassa. Parece irritante, e por vezes é. Mas é menos irritante do que três multas num mês.
Sejamos honestos: ninguém faz isto de forma perfeita todos os dias. Vai esquecer-se, vai relaxar, vai distrair-se com um bebé a chorar ou uma chamada no Teams. É exatamente dessa zona que as novas tolerâncias se alimentam.

Porque é que isto parece imposto primeiro, segurança depois

A forma como as mudanças de 2025 chegaram diz muito. Sem campanha nacional na televisão a gritar: “Estamos a reduzir tolerâncias para salvar vidas.” Sem primeiro-ministro a posar orgulhosamente perante números de sinistralidade e prometer cortar para metade as mortes. A mudança aconteceu através de atualizações discretas a políticas de fiscalização, ajustes de software e linhas enterradas em documentos de autarquias.
Quando os governos acreditam mesmo numa medida de segurança, vendem-na como a lei do cinto de segurança. Quando a sussurram por canais indiretos, os condutores, com razão, cheiram outra coisa: receita.

Numa noite fria em Leeds, uma instrutora de condução com 20 anos de experiência viu a sua aluna falhar o exame por tocar nos 31 numa zona de 20 recentemente reduzida, em descida. Sem crianças, sem trânsito, sem perigo real. Mas com câmara mais à frente. Tecnicamente, a regra foi quebrada. Ainda assim, ela saiu do carro com aquela sensação persistente de que algo não batia certo.
No papel, as novas tolerâncias tratam 23 numa zona de 20 da mesma forma que 42 numa zona de 30 era tratado emocionalmente - como um erro claro. Na estrada, esses dois condutores vivem realidades completamente diferentes. Um é um pai ou mãe momentaneamente distraído; o outro é genuinamente imprudente. O radar não quer saber.

A lógica política é sedutora: “Se toda a gente cumprir exatamente o limite, as estradas ficam mais seguras.” Numa folha de cálculo, parece irrefutável. Na vida real, os seres humanos não são robots. A velocidade oscila com subidas e descidas, meteorologia e espaços no trânsito. Uma tolerância rígida e baixa transforma microvariações naturais em infrações faturáveis.
É aí que a palavra “imposto” começa a encaixar. O comportamento visado não é um perigo dramático, mas a imperfeição humana normal. Quando essa imperfeição rende milhões por ano de forma previsível, chamar-lhe um imposto escondido sobre os condutores deixa de parecer exagero. Parece linguagem simples.

Manter a sanidade, manter a mobilidade e resistir discretamente

Um método concreto para se proteger: construa um “mapa pessoal de zonas vermelhas”. Reserve 20 minutos numa noite e trace o seu mês habitual - trabalho, supermercado, escola, desporto. Depois, usando o Google Maps Street View ou o seu GPS, marque cada troço com radares conhecidos, sobretudo as novas zonas de 20 e 30.
Na semana seguinte, quando conduzir nessas estradas, experimente baixar 3–4 mph abaixo do limite apenas nesses pontos. Não em todo o lado, não o tempo todo - só onde sabe que a tecnologia está à espera. É um ajuste pequeno e direcionado que protege a sua carta melhor do que passar a vida a olhar para o mostrador.

Outro passo protetor é a mentalidade. Em vez de pensar “vou só com o fluxo”, pense “vou ser o ligeiramente mais lento, e está tudo bem”. Há um poder silencioso em recusar ser pressionado pela impaciência atrás de si. Sim, alguém vai colar-se ao seu para-choques. Sim, alguém vai passar a 38 numa zona de 30.
Num mau dia, parece injusto ser você a levar o impacto enquanto os outros atiram os dados. Num bom dia, lembra-se de quem paga se avaliar mal as novas margens: não é o desconhecido atrás de si, é a sua carteira, os seus pontos, o seu prémio de seguro.

Os condutores também estão a encontrar formas subtis de contrariar a narrativa de que cada milha extra por hora é um pecado mortal. Fóruns online trocam capturas de ecrã de estradas onde os limites baixaram sem uma razão clara de segurança e, de repente, as ativações de radares dispararam. Grupos locais escrevem a vereadores, a pedir dados de sinistralidade antes e depois das alterações de limite.

“Se isto é sobre segurança, mostrem-nos os números. Se é sobre dinheiro, sejam honestos e chamem-lhe o que é.”

Algumas alavancas práticas que pode acionar pessoalmente:

  • Verifique se a sua autarquia publica receita e estatísticas de acidentes por localização de radar.
  • Pergunte ao seu deputado por que motivo as tolerâncias estão a ser apertadas sem debate público transparente.
  • Junte-se a (ou crie) uma campanha local em que exige limites baseados em evidência, não generalizados.

A pergunta maior escondida atrás de uma margem minúscula

Todos sabemos que a velocidade pode matar. Uma chamada às 2 da manhã, uma batida à porta, uma notícia sobre um condutor bêbado demasiado rápido numa estrada molhada - ninguém quer fazer parte dessa história. E, no entanto, algo subtil muda quando um condutor a fazer 24 numa zona de 20 tranquila às 23h é tratado quase da mesma forma que um “piloto” adolescente a rasgar uma zona escolar.
Um enquadramento ajuda a ver a diferença: “perigoso por natureza” versus “perigoso por política”. Fazer 70 com nevoeiro cerrado é perigoso por natureza. Fazer 33 numa estrada larga e vazia de 30 à meia-noite é perigoso por política. Só um destes parece um erro moral para a maioria das pessoas.

A um nível puramente emocional, é isto que irrita nas tolerâncias dos radares em 2025. Não se limitam a visar o risco; monetizam pequenos deslizes que, para condutores normais, parecem a textura da vida quotidiana. Numa folha de cálculo, esses deslizes alinham-se como rendimento fiável. Na sua mesa do pequeno-almoço, chegam como um travo amargo ao abrir o correio.
A um nível político, é mais fácil espremer os condutores do que aumentar o IRS ou reformar o imposto sobre combustíveis. Os radares não votam. Os automobilistas votam, mas a frustração dilui-se porque as multas chegam como momentos isolados, não como uma grande conta óbvia.

A um nível humano, esta história não é sobre “azeiteiros” contra os outros. É sobre se as nossas estradas são policiadas como espaços partilhados de cuidado, ou como máquinas de dinheiro de baixo atrito com um rótulo de segurança. Podemos concordar que abrandar perto das escolas salva vidas e, ainda assim, denunciar um sistema que encolhe tolerâncias em silêncio até as pessoas comuns se sentirem caçadas em vez de protegidas.
Numa viagem tranquila para casa, a ver a velocidade a oscilar entre 28 e 31, pode dar por si a pensar: querem mesmo estradas mais seguras - ou apenas mais pessoas a cruzar uma linha invisível e lucrativa? A resposta não estará num slogan. Estará enterrada nos dados e no quão alto estivermos dispostos a falar sobre isto.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Novos limiares 2025 Tolerâncias reduzidas, acionamento dos radares com excedências mínimas Perceber porque é que as multas chegam quando a condução parece “normal”
Impacto real Aumento das receitas locais, pouca prova clara de um grande ganho de segurança Formar uma opinião sobre o carácter de “imposto escondido” da medida
Estratégias de defesa Conduzir 2–3 mph abaixo do limite, mapear zonas com radares, usar ferramentas digitais Reduzir multas, proteger a carta e o orçamento sem deixar de conduzir

FAQ:

  • As tolerâncias dos radares de velocidade vão mesmo mudar em 2025? Em muitas regiões, sim. As entidades fiscalizadoras estão a reduzir a diferença entre o limite indicado e o ponto de disparo, o que significa que pequenos excessos têm maior probabilidade de gerar multas.
  • Uma tolerância mais apertada significa automaticamente estradas mais seguras? Não automaticamente. Os ganhos de segurança vêm sobretudo de visar comportamentos e locais de alto risco, não de monetizar desvios mínimos e de baixo risco.
  • Porque é que as pessoas chamam a isto um “imposto escondido” sobre os condutores? Porque a receita proveniente de infrações menores está a subir acentuadamente, enquanto a comunicação sobre a mudança de política tem sido discreta, apresentada como pura segurança e não como uma nova fonte de receita.
  • Como posso proteger-me de multas inesperadas? Conduza alguns mph abaixo do limite em zonas com muitos radares, use leituras digitais de velocidade e alertas do GPS/app, e aprenda onde estão os radares fixos e os de velocidade média nos seus percursos habituais.
  • Os condutores conseguem influenciar estas políticas? Sim. Ao pedir dados às autarquias, questionar deputados e apoiar limites de velocidade baseados em evidência, os automobilistas podem pressionar por sistemas que priorizem segurança real em vez de receita fácil.

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