Ela passa a mão pelo bob à altura dos ombros e suspira. “Pareço a minha própria irmã mais velha”, ri-se, meio divertida, meio cansada. O cabeleireiro levanta uma madeixa, estuda-lhe o rosto e, em voz baixa, sugere algo novo: um corte curto, leve e bem definido, que levanta as maçãs do rosto e liberta o pescoço.
Outras mulheres da idade dela também ali estão, a fazer scroll no telemóvel, a mostrar capturas de ecrã de cortes guardados do Instagram e do Pinterest. Curtos, desfiados, com ar. Os rostos parecem mais luminosos, os olhos mais despertos. Há uma palavra que volta sempre a aparecer nos ecrãs e nos sussurros: o “trixie cut”. Um nome que soa brincalhão, quase traquinas.
Margaret hesita durante três segundos e depois acena que sim. A primeira madeixa cai sobre a capa preta. Ainda não sabe, mas daqui a quinze minutos vai parecer primavera.
Porque é que o “trixie cut” está a roubar as atenções depois dos 70
O trixie cut é um corte curto, em camadas, algures entre um pixie e um crop suave. A nuca fica limpa, as laterais ficam leves, e o topo ganha movimento e volume. Em rostos mais maduros, abre os traços e define a linha do maxilar, sem aquele efeito rígido de “capacete” que tantas mulheres temem.
No cabelo pós-70 - muitas vezes mais fino e menos denso - o trixie cut funciona como um lifting visual. As camadas texturadas apanham a luz, a franja suave esbate as linhas na testa, e o ar à volta das orelhas e do pescoço revela brincos, óculos, um bom batom. Não é um corte radical “de rapaz”. É curto, sim, mas continua feminino e descontraído.
Muitas mulheres descrevem-no como um corte libertador. O cabelo seca mais depressa, o tempo de arranjo diminui e, de repente, volta a ver-se o rosto - não apenas o cabelo. O trixie cut não tenta esconder a idade. Emoldura-a, afina-a e faz com que pareça mais desperta.
No ano passado, um inquérito francês junto de mulheres com mais de 65 anos mostrou uma tendência clara: o cabelo curto está a voltar, mas com mais suavidade e personalidade. Não o clássico “permanente de avó”, mas formas modernas, ligeiramente despenteadas. O trixie cut encaixa perfeitamente nessa mudança: leve, um pouco rebelde, mas ainda suficientemente elegante para um almoço com os netos ou uma noite no teatro.
Num pequeno salão em Lyon, a proprietária mantém uma pasta com o título “curto e feliz”. Lá dentro: fotografias impressas de clientes reais, a maioria entre os 68 e os 80, a sorrir com o seu novo trixie cut. Sem influenciadoras com filtros. Apenas rugas, olhos brilhantes e um bom corte. É isto que faz com que a tendência se mantenha ligada à realidade.
Uma dessas clientes, Jeanne, de 79 anos, diz que cortou o cabelo curto pela primeira vez em décadas depois de uma cirurgia ao joelho. “Não conseguia levantar os braços para secar com o secador durante dez minutos”, explica. O cabeleireiro sugeriu um trixie cut com franja suave, em penas. Três meses depois, ainda a param no supermercado: “Está diferente, foi de férias?” A única coisa que mudou foi o cabelo.
Há uma razão simples e lógica para este estilo funcionar tão bem depois dos 70. O rosto perde naturalmente algum volume nas maçãs do rosto e nas têmporas, e a densidade do cabelo costuma seguir a mesma curva. O cabelo comprido e pesado tende a “puxar” tudo para baixo, visual e fisicamente. O trixie cut vira esse guião do avesso.
Ao levantar o topo e reduzir o peso nas laterais, cria uma dinâmica vertical. Os olhos parecem mais altos, o pescoço mais longo, e a linha do maxilar destaca-se. As camadas leves e irregulares no topo criam suavidade em vez de linhas rígidas. O olhar vai para o brilho do olho e para o sorriso, não para o comprimento do cabelo.
E há ainda outro efeito discreto: o cabelo curto liberta os acessórios. Os óculos tornam-se um elemento de estilo, não algo atrás do qual se esconde. Um simples par de brincos pequenos ou um lenço colorido passa a parecer intencional. Este pequeno cocktail de truques visuais é o que faz o trixie cut parecer tão rejuvenescedor - sem fingir apagar o tempo.
Como tornar o trixie cut “seu” depois dos 70
A magia do trixie cut cabe numa palavra: personalização. Nada de copiar e colar a fotografia de uma celebridade. Um bom cabeleireiro vai olhar para o seu pescoço, a sua linha do maxilar, os seus óculos, a forma como o cabelo cai quando está molhado. Depois ajusta três zonas-chave: a nuca, a franja e o topo.
Se o seu pescoço é delicado e não gosta de o ter totalmente exposto, peça uma nuca um pouco mais comprida, suavemente desbastada, não rapada. Se tem linhas na testa que a incomodam, uma franja leve, irregular, a tocar de leve nas sobrancelhas, faz maravilhas. Para cabelo sem volume, uma ou duas camadas “invisíveis” no topo dão aquele volume arejado que faz toda a diferença.
Leve duas ou três fotos de que gosta, mas também uma de que não gosta, e diga claramente: “Não quero este efeito.” Ajuda mais do que imagina. E diga quanto tempo quer mesmo gastar a arranjar o cabelo. Sejamos honestas: ninguém faz isso todos os dias.
Todas já vivemos aquele momento em que saímos do salão com um brushing perfeito… impossível de reproduzir em casa. Com o trixie cut, essa armadilha é bem real se o corte for demasiado “trabalhado” ou demasiado desfiado. O cabelo maduro pode ser mais frágil, por isso um desbaste agressivo com navalha ou camadas em excesso podem fazê-lo parecer ralo em vez de cheio.
Peça ao seu cabeleireiro suavidade, não textura extrema. O cabelo deve cair no lugar quase sozinho, sem dez produtos. Um erro comum é insistir numa franja pesada e direita em cabelo muito fino. Tende a abrir e a acentuar a testa, em vez de a suavizar. Uma franja partida, em penas, costuma ser mais simpática para o rosto e para o cabelo.
Outro arrependimento frequente: cortar demasiado curto à volta das orelhas quando se está habituada a cobri-las. Se essa zona a deixa desconfortável, diga-o claramente. O trixie cut pode manter-se feminino e favorecedor com um pouco mais de comprimento aí, apanhado de forma casual ou solto.
“Depois dos 70, o melhor corte é aquele que a deixa reconhecer-se - mas numa versão mais leve e luminosa”, diz a cabeleireira londrina Claire Edwards, especializada em clientes maduras. “O trixie cut faz exatamente isso quando é cortado com gentileza, não com um molde.”
Para a ajudar a comunicar de forma clara com o seu cabeleireiro, tenha esta lista simples em mente:
- Quero o pescoço totalmente visível, meio coberto ou maioritariamente coberto?
- Gosto de franja na testa ou prefiro o rosto mais aberto?
- Estou pronta para orelhas visíveis ou sinto-me melhor quando ficam parcialmente escondidas?
- Quantos minutos, no máximo, quero gastar de manhã a pentear/arranjar?
- Prefiro um look polido ou um estilo ligeiramente despenteado, “acordei assim”?
Responder a estas perguntas com honestidade faz mais por um trixie cut bem-sucedido do que qualquer produto “milagroso”. O objetivo não é parecer outra pessoa, mas sentir-se como você mesma num dia muito bom.
Deixe o seu cabelo contar uma nova história nesta primavera–verão
Há algo de lindamente sazonal neste timing. A primavera e o verão convidam à mudança: roupa mais leve, cores frescas, janelas abertas, finais de tarde que se prolongam. Um corte mais curto encaixa nesse ritmo. Cabelo no pescoço durante uma onda de calor é cansativo aos 25 - e ainda mais aos 75.
O trixie cut resulta especialmente bem com tempo quente. Seca rápido ao ar depois de um mergulho, funciona com chapéu sem perder a forma e fica ótimo com óculos de sol. Não há luta com ganchos e elásticos, nem vinte minutos a suar debaixo do secador. O couro cabeludo respira e o rosto apanha mais luz.
O que surpreende muitas mulheres não é a mudança visual, mas a mudança interior. Um novo corte é, por vezes, o primeiro gesto visível de uma nova fase da vida. Reforma, mudança de casa, tornar-se avó, recuperação de uma doença. O trixie cut, com o seu nome brincalhão e a sua natureza prática, chega muitas vezes como uma afirmação silenciosa: “Ainda estou a mudar. Ainda me posso surpreender.”
As amigas vão comentar. Algumas dirão que preferiam o cabelo antigo. Outras vão sussurrar que também sonham cortar curto. Pode dar por si a falar de cabelo com mulheres da sua idade de uma forma que não fazia desde os vinte e poucos anos.
Não há limite de idade para experimentar. Não existe regra que diga que o cabelo comprido é para as novas e o curto é para as mais velhas. O trixie cut acontece apenas ser um desses estilos raros que respeita a realidade do cabelo depois dos 70, ao mesmo tempo que abre espaço para uma energia fresca, leve, quase atrevida.
Talvez não corte tudo de uma vez. Talvez experimente primeiro um bob um pouco mais curto, depois um crop em camadas e, um dia, diga: “Pronto, vamos a isso.” Ou talvez entre na próxima marcação, mostre uma captura de ecrã e surpreenda até a si própria. A única coisa que importa é que, quando as primeiras madeixas caírem, sinta mais curiosidade do que medo.
O seu cabelo acompanhou-a ao longo de décadas de histórias. Que esta primavera–verão seja a estação em que ele começa a contar uma nova.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para a leitora |
|---|---|---|
| Trixie cut = curto, em camadas, leve | Mistura entre pixie e crop suave, com volume no topo e suavidade à volta do rosto | Ajuda a visualizar o corte e perceber se combina com o seu estilo e traços |
| Adaptado ao cabelo maduro | Camadas suaves, franja delicada, nuca e laterais ajustáveis para conforto e confiança | Mostra como o corte pode respeitar o afinamento do cabelo e as preferências individuais |
| Ideal para o dia a dia | Pouco tempo de styling, funciona com óculos, brincos e acessórios de verão | Torna mais fácil imaginar a vida real com este corte, e não apenas o momento do salão |
FAQ:
- O trixie cut é adequado se o meu cabelo for muito fino e estiver a rarear? Sim, desde que as camadas sejam suaves e não demasiado desbastadas. Um bom cabeleireiro manterá densidade suficiente no topo e na zona da coroa para evitar um efeito “esfiapado”.
- Posso manter algum comprimento sobre as orelhas com um trixie cut? Claro. Pode pedir laterais ligeiramente mais compridas, que rocem ou cubram parcialmente as orelhas, mantendo a forma geral leve e moderna.
- Este corte resulta em cabelo encaracolado ou ondulado depois dos 70? Pode ficar lindíssimo com movimento natural. O cabeleireiro usará menos camadas e camadas mais compridas para que os caracóis caiam bem sem frizz nem excesso de volume.
- Com que frequência preciso de ir ao salão para manter um trixie cut? A maioria das mulheres considera que a cada 6 a 8 semanas mantém a forma fresca. Se gostar muito curto e bem definido, o ideal é a cada 4 a 6 semanas.
- Que produtos de styling são melhores para um trixie cut em cabelo maduro? Um spray leve de volume na raiz e uma quantidade mínima de creme ou pasta suave nas pontas costuma ser suficiente. Ceras pesadas e géis espessos tendem a pesar o cabelo e a endurecer o visual.
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