They slice through the crowd like they’re late for a life-or-death meeting, headphones in, jaw clenched, eyes fixed on some invisible point ahead.
Bags swing, heels click, shoulders tense. If you walk just a little slower, you feel them behind you before you even see them: that silent pressure to speed up, to match their pace. Somewhere along the way, we turned fast walking into a badge of honor, like a wearable sign saying “productive, healthy, winning at life”.
Yet watch those fast walkers closely and something feels off. Their steps don’t just look efficient. They look chased.
Porque é que quem anda depressa parece “mais em forma” - e se sente pior por dentro
No papel, quem anda depressa parece o herói do bem‑estar moderno. Menos tempo de deslocação, mais passos por dia, o coração a trabalhar mais. As redes sociais e os livros de autoajuda adoram-nos: os que “se movem com propósito”, sempre a correr para a próxima coisa, sem desperdiçar um segundo.
Na realidade, muitas destas pessoas não estão a ir em direção a nada. Estão a fugir de algo. Ansiedade. Prazos. O medo de ficar para trás. O ritmo tem menos a ver com oxigénio e mais com adrenalina. Quase se consegue ver a lista de tarefas invisível escrita na testa.
Uma terapeuta em Londres disse-me que muitas vezes consegue identificar os seus clientes mais stressados a um quarteirão de distância, só pela velocidade da caminhada. Chegam ofegantes, não pela distância, mas pelo sprint interior constante. Esse é o segredinho sujo por trás de muitos “andarilhos saudáveis”: por fora, o corpo parece ativo; por dentro, o sistema nervoso está em alerta máximo.
Há um tipo no meu bairro que toda a gente conhece: casaco azul‑marinho, mala do portátil, sempre em marcha acelerada como se o passeio fosse uma passadeira no nível 10. Vê-se às 8h, às 14h, às 19h, o mesmo ritmo, os mesmos ombros encolhidos. Uma vez, vi-o parar abruptamente num semáforo. Os pés pararam; os olhos não. Saltavam do telemóvel para a luz, para o relógio, e de volta para o telemóvel.
Verde. Disparou outra vez, mas não como um corredor descontraído. Mais como alguém perseguido pelo próprio tempo. Mais tarde, soube por um barista que toma medicação para a ansiedade e dorme com o telemóvel debaixo da almofada “para o caso de emails urgentes de clientes”. Aquela caminhada rápida não era uma escolha de fitness. Era um sintoma. Uma sala de pânico ambulante, em plena luz do dia.
Os investigadores também repararam neste padrão. Andar depressa está muitas vezes associado a níveis mais altos de hormonas do stress, e não apenas a melhor capacidade cardiovascular. Quando o teu cérebro vive em modo permanente de “anda mais depressa”, o teu corpo segue. O mesmo cocktail químico que te empurra nas emergências pode facilmente tornar-se o teu estilo de caminhada por defeito. Isso não te torna mais saudável. Torna-te instável, hiperativado, sempre a meio passo do esgotamento.
Pensa no que andar depressa realmente faz à tua mente durante um dia normal. O teu corpo está a enviar um sinal constante: há algo urgente, há algo errado, despacha-te. O teu sistema nervoso nunca aterra por completo. A frequência cardíaca fica ligeiramente elevada, a respiração um pouco curta, os pensamentos acelerados para acompanhar os pés.
Com o tempo, a tua linha de base muda. O que antes parecia pressa passa a ser o teu “normal”. Começas a sentir-te estranho quando abrandas, quase culpado. A imobilidade parece insegura. Chegar “cedo” parece desperdício. Por isso aceleras, e a tua identidade vai-se colando ao teu ritmo. Já não és apenas alguém que anda depressa. És alguém que tem de andar depressa, ou então sente que está a falhar na vida.
É aqui que o mito do “andarilho saudável e rápido” racha. Sim, mexer-se faz bem. Sim, andar mais depressa de vez em quando pode fortalecer o coração. Mas quando o ritmo se torna compulsão, a tua saúde não fica melhor - fica sequestrada. As tuas pernas obedecem à tua ansiedade, não ao teu bem‑estar. Isso não é boa forma. É energia nervosa de sapatilhas.
Como abrandar a caminhada sem perder a vantagem
Há um truque simples que soa quase parvo: escolhe um percurso diário e declara-o a tua “faixa lenta”. O mesmo caminho, regras diferentes. Sem pressa permitida. Pode ser do metro até ao escritório, ou do carro até à porta de casa. Nesse troço, baixas deliberadamente a velocidade um nível.
Não é um passeio em câmara lenta, dramático. É só o suficiente para conseguires reparar em três coisas: a tua respiração, os teus ombros e o que os teus pés estão a tocar. É alcatrão, gravilha, mosaico? Este pequeno ajuste funciona como um micro‑reset do sistema nervoso. O teu corpo recebe uma mensagem nova: nem tudo é urgente, nem cada passo é uma corrida.
A nível prático, ajuda criar um pequeno ritual à volta disso. Algumas pessoas metem o telemóvel na mala nesse segmento. Outras usam uma música específica que marca o ritmo. Ao fim de alguns dias, o teu cérebro começa a associar aquele percurso a um estado mais calmo, como um corredor de saída do modo luta‑ou‑fuga.
A parte mais difícil não é começar; é não acelerar quando alguém passa por ti a correr. Sentes-te quase julgado, mesmo que a pessoa esteja apenas a viver o drama dela. É aí que entra o momento “parler vrai”: Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Há dias em que te vais esquecer; noutros vais acelerar automaticamente porque estás atrasado ou stressado.
O que importa é dar por isso. “Ok, estou outra vez em modo turbo.” Sem ódio a ti próprio, sem sermão. A ansiedade adora o pensamento tudo‑ou‑nada. O teu trabalho é devolver nuance aos teus passos. Algumas caminhadas podem ser rápidas e divertidas. Outras podem ser lentas e enraizadoras. Não tens de escolher uma equipa para a vida.
Uma mulher com quem falei começou uma rebelião muito discreta. Duas vezes por semana, sai do trabalho e anda os primeiros 200 metros ao que ela chama o seu “ritmo de domingo”. Ao início, sentia-se ridícula, como se estivesse a baldar-se. Passado um mês, percebeu que aqueles 200 metros eram os únicos momentos em que a mente dela não estava já no dia seguinte.
“Eu achava que a minha caminhada rápida significava que eu era ambiciosa”, disse-me. “Agora sei que, na maior parte, significava que eu tinha medo.”
O truque dela pode ajudar-te também. Experimenta levar uma frase curta na cabeça durante a tua caminhada na faixa lenta, como uma âncora. Algo como: “Nada explode se eu chegar dois minutos mais tarde.” Parece básico. Em dias ansiosos, é radical.
- Repara na tua velocidade de marcha por defeito em sítios diferentes (trabalho, casa, lojas).
- Escolhe um micro‑percurso em que deliberadamente andas mais devagar, sempre.
- Baixa os ombros e expira uma vez quando começares esse percurso.
- Mantém o telemóvel fora da mão durante esses minutos.
- Espera resistência do teu próprio cérebro - e caminha na mesma.
Viver num mundo que idolatra a velocidade - e escolher outro ritmo
Vivemos em cidades e rotinas construídas para a velocidade: escadas rolantes, tapetes rolantes, tudo “expresso”. Quem anda devagar leva revirar de olhos, bufadelas, desvios bruscos. Essa pressão social entra-nos nos ossos. Aceleramos inconscientemente, não porque queremos, mas porque ninguém quer ser o obstáculo.
Num ecrã, andar depressa parece hustle. No corpo, muitas vezes sente-se como tensão. Talvez o verdadeiro flex de saúde hoje seja este: andar a um ritmo humano num mundo que está constantemente a gritar “mais depressa”. Deixar alguém ultrapassar-te e não interpretar isso como uma falha pessoal. Manter o teu ritmo em vez de igualar automaticamente a pessoa mais ansiosa na multidão.
Todos já passámos por aquele momento em que alguém em marcha acelerada nos ultrapassa a direito e, cinco minutos depois, acabamos ao lado dessa pessoa no mesmo semáforo vermelho ou na mesma porta do comboio. Tanta pressa, a mesma chegada. Essa é a verdade silenciosa escondida no quotidiano: a velocidade raramente muda o destino. Muda, sobretudo, o quão destruído te sentes quando lá chegas.
Talvez a pergunta real não seja “Quão depressa andas?”, mas “Quem está a definir o ritmo dentro de ti?” São os teus valores, a tua saúde, o teu sentido de tempo? Ou é o teu medo de te atrasares, o mau humor do teu chefe, os teus emails por ler? É aí que a caminhada rápida deixa de ser uma mania inofensiva e começa a revelar o que te move.
Quando começas a experimentar passos mais lentos, reparas em coisas estranhas. Algumas ruas parecem mais amigáveis. Os teus pensamentos ficam menos embaraçados. Chegas menos suado, menos disperso. O mundo não colapsa se perderes aquela passadeira anterior por três segundos. Não é uma cura milagrosa, mas é uma pequena rebelião com grandes ecos.
Quem anda depressa não é vilão. São apenas pessoas cujo stress encontrou um ritmo. A passada tornou-se o escudo. Só que escudos são pesados quando os carregas o dia todo. Partilhar esta observação não é julgá-los. É veres-te com mais clareza da próxima vez que apanhares o teu reflexo numa montra, a correr para lado nenhum em particular.
Talvez leias isto e te reconheças. Ou reconheças aquele amigo que não consegue andar e falar sem soar ofegante. Ou aquele colega que vai em marcha acelerada para o almoço como se houvesse um cronómetro no sanduíche. Não tens de os confrontar. Às vezes, só caminhar de forma diferente ao lado deles, ao teu ritmo, já basta para plantar uma dúvida.
Se suficientes de nós deixarmos de confundir velocidade com valor, os passeios podem sentir-se um pouco menos como pistas de corrida e um pouco mais como chão partilhado. Não é só sobre níveis de stress. É sobre como habitamos a nossa própria vida, passo a passo, em corpos que nunca foram desenhados para viver como se tudo fosse uma emergência.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| Velocidade ≠ saúde | Um passo rápido pode vir de adrenalina e ansiedade, e não de verdadeira condição física | Deixar de se sentir culpado por andar mais devagar; rever os próprios critérios de “bem/mal” |
| A “faixa lenta” pessoal | Escolher um trajeto diário onde se anda voluntariamente mais devagar | Ferramenta concreta para acalmar o sistema nervoso sem mudar a vida toda |
| Mudar o ritmo social | Resistir ao reflexo de seguir os mais stressados na multidão | Recuperar o próprio tempo, reduzir a fadiga mental e emocional |
FAQ:
- Andar depressa é sempre sinal de ansiedade? Nem sempre. Às vezes é apenas hábito, personalidade ou pressão de tempo. A questão é se te sentes agitado por dentro quando abrandas.
- Andar mais devagar pode mesmo reduzir o stress? Sim. Abrandar ligeiramente o ritmo, relaxar os ombros e respirar mais fundo envia um sinal de “segurança” ao sistema nervoso.
- E se o meu trabalho me obrigar a andar sempre a correr? Não podes redesenhar o teu trabalho, mas podes abrir pequenos segmentos lentos: escadas, corredores, o caminho até à casa de banho ou até ao carro.
- Andar depressa continua a ser bom para a saúde física? Caminhar a passo vivo é ótimo para o coração. O problema é quando a velocidade vem de tensão interior constante, e não de exercício intencional.
- Como sei se a minha caminhada é movida pela ansiedade? Se abrandar nem que seja por 30 segundos te deixa estranhamente inquieto, culpado ou agitado, o teu ritmo pode ser mais emocional do que prático.
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