Winter acumula pequenas tensões no corpo muito antes de surgir o primeiro espirro.
À medida que a estação se instala, muitas pessoas entram discretamente num défice nutricional que nunca avaliam e raramente sentem. Essa lacuna não faz manchetes como um novo vírus, mas a evidência crescente sugere que ela molda a forma como o nosso sistema imunitário lida com a ofensiva do inverno.
Porque é que a vitamina D passa a importar mais no inverno
Durante muito tempo, a vitamina D teve um rótulo simples: boa para os ossos, útil contra o raquitismo, fim da história. Essa visão parece agora dolorosamente limitada. Cada vez mais, os investigadores descrevem-na como uma hormona reguladora situada na encruzilhada da imunidade, da inflamação e do metabolismo.
Ao contrário de muitos nutrientes, a vitamina D não chega apenas pelo prato. A pele produz-la quando a luz solar a atinge, em particular os raios UVB. A vida moderna interrompe este mecanismo antigo. Trabalho de escritório, longas deslocações, protetor solar, poluição do ar e cidades densas reduzem a exposição solar real, sobretudo entre outubro e março nos países do norte.
Grandes partes da população passam agora o inverno com níveis de vitamina D abaixo do que muitos especialistas consideram ideal para a defesa imunitária.
Os exames de sangue de rotina raramente acompanham este marcador. Vários clínicos partem simplesmente do princípio de que muitos doentes têm níveis baixos e avançam diretamente para aconselhamento ou suplementação. Esta mudança silenciosa esconde uma realidade mais desconfortável: um requisito básico para a resiliência no inverno tem passado despercebido durante anos.
O que os investigadores observam dentro do sistema imunitário
As células imunitárias têm recetores de vitamina D na sua superfície. Uma vez ativados, estes recetores influenciam o modo como essas células se comportam, que sinais enviam e quão agressivamente reagem. Esse efeito abrange ambos os ramos do sistema imunitário: a resposta inata, rápida, e a resposta adaptativa, mais lenta, que constrói memória após infeção ou vacinação.
Estudos associam níveis baixos de vitamina D a taxas mais elevadas de infeções respiratórias, incluindo doenças tipo gripe e COVID-19. As pessoas com deficiência não ficam automaticamente doentes, mas as probabilidades passam a ser menos favoráveis. Análises realizadas durante a pandemia mostraram que doentes com baixa vitamina D desenvolveram mais frequentemente formas graves da doença, foram internados em cuidados intensivos ou permaneceram mais tempo no hospital.
Os investigadores também analisaram vacinas. Vários ensaios sugerem que pessoas com níveis de vitamina D numa faixa saudável desenvolvem uma resposta de anticorpos mais forte após vacinas como a da gripe ou a pneumocócica. Em termos simples, a mesma dose de vacina pode funcionar melhor num organismo bem abastecido.
A vitamina D não substitui vacinas nem máscaras. Ajuda a maquinaria imunitária a reagir de forma mais equilibrada e eficiente quando chega uma ameaça.
Essa nuance é importante. Especialistas em saúde pública alertam contra narrativas de “nutriente milagroso”. A vitamina D não vai bloquear todas as infeções, mas pode inclinar o desfecho: menos sintomas, doença mais curta, menos complicações em grupos vulneráveis.
De quanta vitamina D as pessoas realmente precisam?
As recomendações oficiais muitas vezes visam prevenir doença óssea, não otimizar a função imunitária. Muitos especialistas defendem agora que essas metas são demasiado baixas para a saúde no inverno, sobretudo em latitudes mais elevadas como o Reino Unido, o Canadá ou o norte dos Estados Unidos.
Os especialistas referem frequentemente um nível sanguíneo em torno de 30 ng/mL como adequado para os ossos. Para a imunidade, tendem a mencionar uma janela mais ampla, aproximadamente 40 a 60 ng/mL, com alguns a sugerirem que níveis ligeiramente acima de 50 ng/mL podem apoiar uma melhor resistência a infeções, desde que permaneçam abaixo dos limiares de toxicidade.
| Nível sanguíneo (25(OH)D) | Interpretação aproximada |
|---|---|
| < 20 ng/mL | Deficiência clara, maior risco de infeção e problemas ósseos |
| 20–30 ng/mL | Insuficiente para muitos adultos, especialmente no inverno |
| 30–60 ng/mL | Faixa-alvo frequentemente sugerida para saúde óssea e imunitária |
| > 100 ng/mL | Possível toxicidade, requer acompanhamento médico |
Para atingir e manter essa faixa, vários clínicos recomendam 2.000 a 5.000 UI de vitamina D3 por dia para adultos durante os meses mais escuros. A necessidade real depende do peso corporal, níveis de base, idade, medicação e estado de saúde - por isso, aconselhamento médico e análises de sangue ocasionais fazem sentido.
Alimentação, luz solar ou suplementos: por onde começar?
O que o prato pode e não pode fazer
A alimentação ajuda, mas só até certo ponto. Poucos alimentos contêm quantidades relevantes de vitamina D. As principais fontes incluem:
- Peixes gordos como salmão, cavala, arenque e sardinha
- Gemas de ovos de galinhas expostas ao sol ou alimentadas com ração enriquecida
- Laticínios e bebidas vegetais fortificadas (verificar rótulos para vitamina D adicionada)
- Alguns cereais e cremes para barrar fortificados
Uma porção típica de salmão pode fornecer entre 400 e 800 UI. Muitas pessoas simplesmente não comem peixe duas ou três vezes por semana, o que deixa uma diferença considerável entre a ingestão e os níveis-alvo quando o céu permanece cinzento.
Os limites do sol no inverno
A exposição solar traz complicações próprias. Os dermatologistas alertam, e bem, para o cancro da pele. Os raios UVB que desencadeiam a síntese de vitamina D também danificam o ADN. Em regiões do norte durante o inverno, esses raios UVB mal chegam ao nível do solo, especialmente de manhã cedo e ao fim da tarde.
Vários fatores condicionam a produção real de vitamina D a partir do sol:
- Latitude: quanto mais longe do equador, menos raios UVB eficazes no inverno
- Tipo de pele: pele mais escura precisa de mais exposição para a mesma produção de vitamina D
- Idade: a pele mais envelhecida fabrica menos vitamina D
- Roupa e protetor solar: ambos reduzem fortemente a penetração de UVB
Uma caminhada curta à hora de almoço continua a apoiar o humor, o sono e a saúde metabólica, mas para a vitamina D, por si só, o sol torna-se uma estratégia pouco fiável entre novembro e março em muitos países ocidentais.
Porque é que alguns grupos enfrentam maior risco de deficiência
O estado de vitamina D não desce de forma igual em toda a população. Vários grupos apresentam risco mais elevado e podem beneficiar de uma monitorização mais proativa.
- Idosos: o afinamento da pele reduz a produção natural e a mobilidade limitada mantém-nos em casa.
- Pessoas com pele mais escura: maior teor de melanina atua como um protetor solar natural, reduzindo a síntese induzida por UVB.
- Quem vive em latitudes setentrionais ou em cidades poluídas: dias mais curtos e smog reduzem a exposição eficaz aos UV.
- Pessoas com obesidade: a vitamina D tende a acumular-se no tecido adiposo, ficando menos disponível na corrente sanguínea.
- Indivíduos com doença intestinal ou renal: a absorção e ativação da vitamina D podem diminuir significativamente.
Um simples exame de sangue no outono pode revelar quem entra no inverno já a funcionar “na reserva”.
Para estes grupos, os médicos tendem a optar mais rapidamente por suplementos, diários ou semanais, por vezes em doses mais elevadas numa fase curta de correção. Regimes de doses altas sem supervisão, especialmente com cápsulas de “megadose” compradas online, trazem outro conjunto de riscos, incluindo excesso de cálcio e sobrecarga renal.
Como a vitamina D se enquadra num plano mais amplo de defesa no inverno
Focar-se apenas num nutriente perde a perspetiva geral. A vitamina D interage com sono, stress, qualidade da dieta e atividade física. Pessoas que se mexem regularmente, comem proteína suficiente, controlam doenças crónicas e dormem sete a oito horas por noite costumam responder melhor tanto a infeções como a vacinas.
Vários investigadores destacam também a ligação entre vitamina D e inflamação crónica de baixo grau. Níveis mais altos podem ajudar a moderar respostas inflamatórias excessivas sem “desligar” o sistema imunitário. Esse equilíbrio parece especialmente relevante em situações em que o organismo reage em excesso à infeção, danificando tecidos no processo.
Na prática, muitos clínicos já integram a vitamina D no aconselhamento rotineiro de inverno, a par de reforços da gripe e COVID, higiene das mãos, ventilação de espaços interiores e evitar locais muito cheios quando se está doente. Tendem a enquadrá-la como um fator de base: menos visível do que uma máscara, mas a moldar constantemente a qualidade da resposta quando um vírus chega.
O que perguntar ao seu médico antes de suplementar
Muitas pessoas recorrem à vitamina D após lerem manchetes alarmistas ou verem publicações nas redes sociais. Uma breve conversa com um profissional de saúde pode evitar erros comuns.
Perguntas que costumam ajudar:
- Devo analisar o meu nível de vitamina D antes do início do inverno?
- Os meus medicamentos ou problemas de saúde afetam a absorção ou a segurança da vitamina D?
- Uma dose diária é melhor para mim do que uma dose semanal ou mensal?
- A partir de que nível no sangue devemos considerar reduzir ou parar a suplementação?
Estes detalhes importam para pessoas com doença renal, sarcoidose, problemas da tiroide ou para quem toma diuréticos e certos medicamentos cardíacos. Podem continuar a beneficiar de vitamina D, mas com supervisão mais próxima e, muitas vezes, com doses mais baixas.
Para lá deste inverno
A vitamina D passou das margens das orientações de saúde óssea para o centro de muitas discussões sobre infeções respiratórias e desempenho das vacinas. A investigação futura vai refinar intervalos de dose, compreender diferenças genéticas na resposta e testar estratégias combinadas com outros nutrientes como zinco ou ácidos gordos ómega-3.
Por agora, um ponto mantém-se: muitos adultos em países do norte atravessam o inverno com menos vitamina D do que o corpo poderia aproveitar. Avaliar esse nível, ajustar a alimentação, gerir uma exposição solar segura e usar suplementos bem escolhidos quando necessário dão ao sistema imunitário mais uma alavanca numa altura do ano em que enfrenta a carga de trabalho mais pesada.
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